Você sabe por que o Templo de Salomão ganhou esse nome?


Por iG São Paulo
Você sabe por que o Templo de Salomão ganhou esse nome?
Casado com 700 mulheres e filho do Rei David, Salomão ergueu principal monumento da história do judaísmo no Século IX A.C.; era lá onde eram guardados os Dez Mandamentos dos hebreus

A inauguração do maior templo religioso do Brasil, nesta quinta-feira (31), em São Paulo, será um grande evento para os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, além de ponto de encontro para políticos e personalidades – Dilma Rousseff e Fernando Haddad confirmaram presença; Silvio Santos está entre os convidados. Mas o que talvez nem todos saibam é que uma obra de arquitetura bastante similar, dimensões também colossais e o mesmo nome – Templo de Salomão -, construída mais de 29 séculos atrás, serviu como inspiração para a estrutura gigantesca que a instituição de Edir Macedo ergueu ao custo de R$ 680 milhões na zona leste paulistana, construída para ser sua sede mundial.

Também conhecido como Primeiro Templo ou Templo de Jerusalém (Beit Hamikdash, em hebraico), o templo original foi erguida pelo Rei Salomão no longínquo Século IX A.C., no Monte Moriah, em Jerusalém, e até hoje é considerado o local mais sagrado da religião judaica. Era nele, por exemplo, onde os antigos hebreus sentiam poder demonstrar sua verdadeira devoção a Deus, o que incluía fazer oferendas e sacrifícios em sua homenagem. Era ali também que, segundo o Velho Testamento, era possível confirmar a existência de Deus, pois o espaço registrava dez milagres diários – um deles, uma chama que nunca se apagava em seu altar.

Mas o Templo de Jerusalém tinha um objetivo principal, conhecido bem antes do início de sua construção pelo profeta Natã, que o contou a David, o “rei de todos os reis” e pai de Salomão: guardar a Arca da Aliança, que protegia os Dez Mandamentos – ou tábuas da lei, conjunto de regras básicas passadas por Deus a Moisés durante o êxodo judaico do Egito, registrado no Livro do Êxodo, do Velho Testamento. A Igreja Universal, por sinal, inseriu em seu templo uma réplica da arca, em uma das inúmeras “inspirações” para seu mega-monumento.

Salomão, no entanto, não era tão fiel a Deus quanto seu pai. Conforme diz o Velho Testamento, foi casado com um total de 700 mulheres, princesas, e teve 300 concubinas, que, como lhe alertava o Senhor, o perverteriam o coração. Fez sacrifícios a deuses de outras religiões – pecado para o judaísmo, de fé monoteísta – e acabou castigado por Ele, com o fim da unidade na Terra Prometida após sua morte.

A divisão das terras entre os reinos de Israel, ao norte, e de Judá, ainda um Estado Davídico, no restante do território, logo acabaria com o templo. Assim como fizera Salomão, os reis de ambos os lados cometiam o pecado do politeísmo. Jeroboão, da tribo de Efraim, chegou a colocar em santuários touros de ouro, semelhantes aos que Moisés destruiu junto com pecadores ao receber as tábuas da lei, no Monte Sinai, após livrar seus irmãos da escravidão do Egito. Segundo o Livro de Ezequiel, do Velho Testamento, foi a profanação do povo ao nome de Deus que levou o local à destruição em 586 A.C., efetivamente causada pelos babilônios, liderados por Nabucodonosor II.

Décadas após a destruição do Templo de Salomão, o monarca persa Ciro permitiu o retorno dos hebreus a Jerusalém e a reconstrução de um novo templo para eles. De acordo com o Velho Testamento, o local escolhido para a obra foi o mesmo do original de Salomão. Muitos anos depois, já no século I A.C., o rei romano da Judeia Heródes O Grande ordenou que o templo fosse inteiramente remodelado. Em um projeto megalomaníaco, ele acabou responsável pelas amplas reformas que levaram o espaço a ser conhecido como Templo de Heródes, cuja destruição ocorreu no ano 70 D.C., durante a primeira guerra entre judeus e romanos no território da Judeia.

O local onde estiveram os templos é hoje conhecido como a Esplanada das Mesquitas, sagrado tanto para judeus (que o chamam de Monte do Templo) quanto para muçulmanos (para eles, Nobre Santuário). É lá onde está a Mesquita de Omar, também conhecida como Domo da Rocha, onde, segundo a tradição, o patriarca das duas religiões, Abraão, levou o filho Isaque a sacrifício como prova de sua obediência a Deus.

É também lá onde fica o Muro das Lamentações, único vestígio existente do Segundo Templo, que acredita-se tratar de um pedaço do muro que circundava o templo para protegê-lo.


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