“Vade retro Satana” Marinho ao 247: “PSDB é o mal a ser vencido em 2014”


“Vade retro Satana”

Marinho ao 247: “PSDB é o mal a ser vencido em 2014”
Prefeito de São Bernardo quer PT batendo duro na administração tucana em São Paulo; “Alckmin faz um governo lento diante do dinamismo da economia do nosso Estado. Ele é muito devagar, mas ainda assim é o favorito”, define Luiz Marinho, compadre do ex-presidente Lula, amigo da presidente Dilma Rousseff e cabo eleitoral de primeira hora do ministro da Saúde nas eleições estaduais de 2014; “Alexandre Padilha é o novo que já chega com experiência, será leve e carismático como candidato”, acredita; em São Bernardo, Marinho procura fazer sua parte com uma administração altamente bem avaliada; “Demos uma virada na saúde, somos referência em prevenção de risco e vamos dar um show em mobilidade urbana”, resume o prefeito, que está decidido a cumprir seu mandato até o último dia de governo; entrevista exclusiva

Marco Damiani 247 – Vizinho de esteira do ex-presidente Lula numa academia em São Bernardo, perto da sede da Prefeitura, o ex-metalúrgico Luiz Marinho é, certamente, o político mais próximo ao principal líder do PT. Ambos são cumpadres, confidentes e articuladores. Se há dois caras que politicamente são unidos, são eles.

– Lula está pronto para ser candidato em 2018, afirmou Marinho ao 247, em tom sério, na cabeceira da mesa de reuniões instalada em sua sala no 18º e último andar da sede da Prefeitura de São Bernardo.

– Agora, em 2014, é a vez de reelegermos a Dilma – crava, como que a botar ordem na desordenada discussão sobre uma eventual volta de Lula à disputa presidencial, já no próximo ano.

– Dilma está governando bem. A economia não está desempregando, as avenidas estão cheias e os mercados vivem lotados, enumera ele.

– O que quero dizer é que a economia está andando dentro da normalidade. Não está tão aquecida como gostaríamos, mas também não está tão ruim como mostra o Jornal Nacional – dispara, na direção do principal noticiário da Rede Globo.

– O povo não é bobo, avança Marinho, e sabe reconhecer o esforço que está sendo feito para que o Brasil continue a ser um país de oportunidades para todos.
Garantindo que Lula está num grande momento de sua forma física – “ele está melhor do que eu na esteira”, diverte-se –, Marinho acredita que o ex-presidente tem todas as condições de esperar mais um período para entrar em campo.

– Lula é nosso candidato em 2018, anuncia, sem rodeios.
No momento, esse ex-metalúrgico que deixou o chão da fábrica da Volkswagen para presidir o histórico sindicato de São Bernardo e, de lá, tornar-se presidente da CUT, ministro do Trabalho e, pelo voto de seus conterrâneos, eleger-se duas vezes prefeito de São Bernardo tem uma ideia fixa no campo político: eleger o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, governador na sucessão do titular Geraldo Alckmin.

– Temos clareza no PT que o PSDB é um mal para a sociedade.
Marinho garante que as chances nunca foram tão boas como agora, uma vez que três candidatos – Alexandre Padilha, Paulo Skaf e Gilberto Kassab – terão apoio recíproco.

– O que passar para o segundo turno terá apoio do outro.
Segundo o prefeito de São Bernardo do Campo, o PT está pagando um preço alto pelo Ação Penal 470, que considera injusto. Mas afirma que a conta deve ser cobrada dos outros partidos.

– Estamos pagando mesmo pelo que não devemos. Mas o PSDB tem contas a pagar – diz ele, referindo-se ao caso Alstom-Siemens
O chamado caso “mensalão”, porém, não seria uma espécie de calcanhar de Aquiles para o PT?

– Acho que não. O desgaste que o partido tinha a sofrer com isso já aconteceu. Já houve o impacto, já sofremos por isso e a agenda política já mudou desse tema.
Enfático, com a defesa cerrada, o prefeito continua no ataque:

– (Geraldo) Alckmin é um governador muito lento. Ele está abaixo do ritmo adequado de decisões que a economia do Estado de São Paulo exige. Suas prioridades não são populares, aponta o prefeito, para em seguida fazer duas ressalvas importantes.
– Mas ele é, sim, o favorito para se reeleger. No interior, especialmente, Alckmin tem uma boa imagem pessoal. Nós dois somos amigos, mas isso não vai estar em jogo. O que será discutido é a importância, finalmente, de instalarmos um governo popular no principal Estado do País São Paulo nunca esteve tão maduro, como agora, para isso.
A estratégia para chegar lá, segundo Marinho, é ampliar ao máximo a base de apoio do PT.

– Na eleição do ano que vem, quem não estiver com o PSDB pode estar conosco no segundo turno. Se Paulo Skaf (presidente da Fiesp e pré-candidato do PMDB) concorrer, e eu acho que ele vai concorrer, pode ser nosso aliado no segundo turno. O ex-prefeito (Gilberto) Kassab, a mesma coisa, também quero que esteja conosco lá a frente. O que importa é tirar o PSDB do governo. Se o Padilha não passar para o segundo e o Skaf ou o Kassab passarem, vamos apoiá-los contra o PSDB. O importante é encerrar o ciclo tucano em São Paulo.
Sem papas na língua, Marinho recomenda a todos os seus colegas prefeitos para que cumpram seus mandatos até o último dia, como ele fará, depois de ter sido eleito pela primeira vez em 2008 e, em seguida, em 2012.

– É o que a população espera de nós. Não dá para largar tudo por causa da 
primeira eleição que aparece. Temos a responsabilidade de governar, de executar políticas públicas de curto, médio e longo prazos, não dá para fazer isso usando os cargos como trampolins.
À frente da principal cidade do Grande ABC, Marinho está concentrado, neste momento, em assuntos como a inauguração, nas próximas semanas, do primeiro grande hospital público do município.
– Chegamos aqui com o sistema de saúde pública da cidade em estado de caos, mas hoje, seis anos depois, a nossa rede é melhor avaliada do que a rede particular, conta o prefeito.


Nas próximas semanas, ele inaugura um hospital de clínicas que irá coroar a criação, entre seu primeiro mandato e a reeleição em curso, de 9 unidades de pronto atendimento e 22 unidades básicas e 37 policlínicas.
Com uma foto gigantesca do centro da cidade atrás de sua mesa de trabalho, o prefeito aponta equipamentos urbanos, como “essa passarela horrível aqui”, que irão abaixo quando forem iniciadas as obras de dois grandes eixos viários em São Bernardo, já no próximo ano.
– Aqui temos o planejamento plurianual de governo, para que tudo o que façamos tenha coerência com grandes linhas de desenvolvimento traçadas previamente, explica.
As duas grandes novas avenidas estão sendo planejadas para fazer a integração com uma nova estação de metrô e um grande terminal de ônibus.

– O metrô é obrigação do governo do Estado, mas eu ajudei bastante para trazer uma estação aqui para São Bernardo, conta. Aliás, a gente ajuda bastante, mas eles retribuem pouco. Até hoje, desde o tempo do Serra no governo, a Dersa não fez as compensações ambientais exigidas pelo projeto do Rodoanel. Os tucanos fazem o discurso da organização mas, na prática, deixam muito a desejar.
Refletindo sobre sua gestão na cidade identificada como berço político do PT, Marinho se orgulha do trabalho de prevenção de acidentes naturais que está desenvolvendo.


– Definimos níveis de risco 1, 2, 3 e 4 para todas as moradias da cidade. Quando uma chuva mais forte cai, e estamos no período de temporais, já sabemos de antemão onde podem ocorrer problemas. Está tudo mapeado. Se uma moradia entra em situação de risco 4, não temos dúvida em retirar os moradores. Já instalamos algumas centenas de famílias que viviam em áreas de risco em casas construídas pela nossa administração, além de termos um programa de aluguel social para atenuar as situações provisórias.
Marinho conta que, quando assumiu, em 2008, encontrou dezenas de pessoas que moravam num albergue municipal havia 16 anos.
– O povo foi jogado e esquecido lá. Uma situação desumana, lembra o prefeito. 


A administração de Marinho já entregou mais de 3,8 mil casas populares, muitas delas hoje ocupadas pela população que, como ele conta, estava esquecida em galpões com até dez divisórias e um banheiro em comum.
O setor de Educação também desperta no prefeito o resgate de números de impacto.


– Construímos três CEUs, no modelo criado pela Marta (Suplicy) em São Paulo, e abrimos nada menos que 17,6 mil vagas da na rede pública de ensino para crianças entre 6 meses e 10 anos. Agora vamos avançar na construção e reforma do sistema de creches.
Na macroestratégia, Marinho, que tem em seu gabinete pelo menos uma dezena de miniaturas de jatos de combate, gostaria de trazer para São Bernardo uma parte da linha de produção dos aparelhos que o Brasil pode comprar renovar seu esquadrão de defesa aérea.
– Faço campanha pelo Gripen, diz ele, referindo-se aos caças suecos, desenvolvidos pelo grupo Saab. Acho que esse grupo já tem experiência de Brasil e pode aquecer muito nosso parque industrial.
Marinho não esconde que defende o que considera melhor para São Bernardo do Campo, onde a Scania, ligada ao mesmo grupo, está instalada há várias décadas.
Ele afirma ainda que, com o PT no poder, São Paulo não perderá espaço no PIB como vem acontecendo nos últimos anos.
– Investimentos estão sendo perdidos por falta de resposta e agilidade do governo estadual.


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