Um regime cinzento que durou “longos” 21 anos


Um regime cinzento que durou “longos” 21 anos

Generais tomaram poder em 1964, sufocaram democracia, impuseram censura e vitaminaram a economia

Da Redação, com agências

O golpe de 1964 teve três ensaios, sempre unindo oposição civil e militares rebeldes. Como resultado do primeiro, o presidente Getúlio Vargas suicidou-se em 1954, mas foi sucedido por um civil. Um ano depois, tentaram impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Foram impedidos pelo ministro da Guerra, Henrique Lott. Em 1961, o presidente Jânio Quadros renunciou e os ministros do Exército, Marinha e Aeronáutica tentaram impedir a posse do vice João Goulart. Malograram, em função de racha dos próprios militares. Três anos depois, conseguiriam.

Acuado, sem alternativa de apoio, o conciliatório Goulart, o Jango, atropelou a própria natureza no comício da Central do Brasil, Rio, no dia 13 de março de 1964, quando adotou a beligerância das esquerdas. Anunciou que havia assinado o decreto de reforma agrária e a nacionalização de cinco refinarias e criticou a Constituição. Bandeiras comunistas marcavam de vermelho a multidão de 150 mil pessoas.

Em reação ao que era percebido como o risco de “comunização” do Brasil, foram organizadas as “Marchas da Família com Deus pela Liberdade”, com apoio da Igreja e de setores liberais. A Marcha começou em São Paulo, no dia 19, onde reuniu entre 300 mil e 500 mil pessoas.


Quebra de hierarquia

Em 25 de março, cerca de 2 mil marinheiros, sob influência do PCB, desafiaram o ministro da Marinha, Silvio Mota. Jango pronunciou seu discurso mais virulento, em que falou de “represálias do povo”. Estava com os dias contados.

Tropa de Minas Gerais pôs-se em marcha às 12h30 do dia 31, rumo ao Rio. Quando entraram em contato com as tropas sublevadas na estrada, as forças supostamente legalistas confraternizaram com os companheiros e aderiram ao golpe. Goulart tentou resistir no Rio Grande do Sul, mas não contava mais com apoio no meio militar. O presidente do Senado, Auro Moura Andrade, anunciou que o presidente deixara Brasília e, portanto, o poder — entregue por alguns dias ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli. Assumiu então o primeiro general, Castelo Branco.

Manifestações mostram resistência

Uma série de manifestações de rua, começando pelo Rio de Janeiro e São Paulo (foto), mostraram em 1968 que o apoio ao regime militar estava longe da unanimidade. A maior de todas foi a Passeata dos 100 mil, no Rio. O governo reprimiu os protestos com brutalidade, conseguindo apenas acirrá-los. Em resposta, o presidente Costa e Silva, sob forte pressão dos demais generais, assinou o Ato Institucional nº 5, que fechava o Congresso, legalizava prisões arbitrárias, instituía a censura e abria caminho para a tortura. Foi o auge da ditadura.

Inflação sobe, cai, explode


Com a inflação avançando para 140% ao ano, conter a alta de preços foi o primeiro desafio econômico do governo militar instalado em abril de 1964. Era também a herança maldita deixada pelo presidente João Goulart.
Mas essa era só a tarefa mais urgente para o ministro do Planejamento, Roberto Campos, e o da Fazenda, Octávio Gouvêa de Bulhões. Era preciso dar um jeito na dívida externa, ajustar as contas públicas e criar condições para o crescimento, reduzido depois da fase brilhante do Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek (1956-61).

Anos de “milagre


Em um primeiro momento funcionou. O País entrou em um período de crescimento econômico que culminaria no chamado Milagre Brasileiro, de 1968 a 1975, com crescimento que chegava, em determinados anos, a 13% do PIB.
A inflação caiu em 1964 e 1965, voltou a subir, desceu ao mínimo de 16,4% em 1970 e chegou a 223,8% em 1984. No fim do regime, as contas do governo estavam desarrumadas, a dívida externa pressionava e só um grande ajuste poderia evitar mais uma grande crise.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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