Um dia para ficar na história de Goiás


Da Redação, com Agência Brasil

Aproximadamente 400 moradores de Valparaíso, Luziânia e Cidade Ocidental (GO) interromperam o trânsito na altura do km 6 da BR-040, em Valparaíso, durante nove horas, nos dois sentidos da pista, ontem. Além de bloquearem a rodovia, varias pessoas fecharam a entrada do município de Cidade Ocidental, para que os motoristas não tivessem por onde passar.

Com faixas e gritando palavras de ordem, elas protestaram por melhorias na qualidade do transporte coletivo na Região Metropolitana do DF. No Jardim Ingá, pneus foram queimados às margens da rodovia, em um desvio usado por motoristas que tentavam fugir do bloqueio. Eles reclamam da falta de qualidade do transporte público e dos poucos ônibus disponíveis.

Vestindo uma camiseta do Brasil e com o rosto pintado de verde e amarelo, a operadora de caixa Juliana Rodrigues da Silva, 21 anos, disse que, apesar de o problema ser antigo na região, ela nunca tinha ido para a rua manifestar sua opinião. “Nunca protestei, mas o País agora está mobilizado. Tomara que olhem para nós”, disse a moradora de Valparaíso lembrando que espera até uma hora diariamente para conseguir pegar um ônibus.

Quatro pessoas passaram mal durante o protesto. E a Polícia Rodoviária Federal afirmouque alguns caminhões foram saqueados enquanto estavam parados no congestionamento que teve 6 km.

Ana Paula Gomes, uma das líderes do movimento, disse que a população está cansada de pagar caro por ônibus sucateados. “Muitas autoridades já conversaram conosco ao longo dos anos e fizeram promessas que nunca cumpriram. Esperamos que, agora, com os protestos pelo Brasil, a nossa reivindicação também seja atendida.”

Bandeira

Enrolado em uma bandeira do Brasil e com o rosto pintado de verde e amarelo, o funcionário público Valdomiro Júnior, 50 anos, disse que confessou que tem esperança de a reivindicação, desta vez, ser atendida pelas autoridades, já que protestos semelhantes ocorrem em outras cidades brasileiras.

“Está todo mundo reclamando da falta de qualidade do transporte e aqui a situação é crítica e histórica”, disse ele, que paga R$ 4,95 pela passagem de ônibus e leva, em média, duas horas para chegar ao trabalho, em Brasília. “Os ônibus são sucateados, quebram com frequência e não têm manutenção. Resumindo, é um terror”, destacou.

Promessa de não haver reajuste

Após se reunir, no fim da manhã, com moradores de Valparaíso, Cidade Ocidental e Luziânia (GO), que haviam participado do protesto, o superintendente de fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Nauber Nunes, informou que o órgão estuda a possibilidade de abrir licitação para permitir que outras empresas explorem o serviço. A ANTT é responsável pela fiscalização dos ônibus que circulam entre as cidades de Goiás e o Distrito Federal.

Atualmente, segundo Nunes, só a Viação Anapolina responde pelo transporte de passageiros no local. O superintendente destacou que um ofício, prevendo a quebra do monopólio, foi encaminhado pelo governo de Goiás à agência, mas é preciso firmar acordo com o GDF.

Desafio

“O desafio é que são vários agentes intervindo no planejamento do transporte da região. Estamos terminando a análise do documento e acredito que em pouco tempo esse convênio será assinado”, disse ele, enfatizando que pode ocorrer processo semelhante ao de Águas Lindas de Goiás (GO). No município, houve quebra de monopólio na exploração dos transportes, após constatada falta de qualidade do serviço prestado.

Em resposta à preocupação com relação ao reajuste no preço da passagem, previsto para 1º de julho, ele garantiu que a agência não vai permitir elevação nas tarifas até serem registradas melhorias nos transportes. E prometeu receber uma comissão de moradores, hoje, na sede da ANTT, para discutir a possibilidade de abertura de licitação para exploração do transporte na região.

Versão oficial

O secretário do Entorno de Goiás, Gilvan Máximo, foi ao local do protesto para conversar com a população e admitiu que são “péssimas” as condições de transporte a que os moradores dessas cidades são submetidos.

Ele disse que acredita que até o fim deste ano o acordo prevendo novas licitações seja assinado. “A parte de Goiás já está pronta, se todos tiverem boa vontade, dentro de seis meses abrem-se novas licitações. O transporte aqui é realmente péssimo, só tem sucata em circulação”, afirmou.

Procurada pela reportagem do Jornal de Brasília, a Secretaria de Transportes do Distrito Federal ainda não se manifestou. Os representantes da Viação Anapolina também não foram localizados para comentar as reclamações.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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