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Aécio Neves, Dilma Rousseff e Eduardo Campos Foto: Montagem com fotos de arquivo

BRASÍLIA e SÃO PAULO — A guerra de acusações e ataques proferidos por postulantes à Presidência da República afastam os eleitores indecisos e podem até tirar votos daqueles que já escolheram o candidato, mas são contrários à radicalização do processo eleitoral. A avaliação feita por especialista ouvidos pelo GLOBO é que os ataques feitos nos últimos dias, tanto da oposição quanto do governo, são negativos à campanha.

No sábado, o senador Aécio Neves (PSDB) afirmou durante a convenção que homologou sua candidatura à Presidência que uma tsunami varreria o PT do Planalto. No mesmo evento, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o pais não quereria “mais os corruptos, os ladrões que ficam empulhando (o Estado)”.

No dia seguinte, o ex-presidente Lula reagiu a FH, afirmando que começou no seu governo a deterioração da relação entre Congresso e governo federal e reafirmou o discurso da “esperança contra o ódio”, que o PT tenta emplacar com o objetivo de vitimizar a presidente Dilma. Ainda no domingo, em Pernambuco, o pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, afirmou que a continuidade do PT seria a manutenção de um “projeto comandado por um bocado de raposas que já roubaram o que tinham que roubar”.

— É um momento turbulento, de instabilidade nas campanhas, que está antecipando muito o embate característico da reta final de campanha. Essa disseminação de ódio mútuo e a polarização excessiva entre certo e errado não colaboram com o debate político e afastam o eleitor — afirma o cientista político e professor da FGV-SP Marco Antonio Carvalho Teixeira.

A troca de acusações também é apontada como um fator para que a soma de votos brancos, nulos e indecisos ser superior a 30% nas últimas pesquisas divulgadas. Para o diretor de Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Aldo Fornazieri, a radicalização da campanha não colabora para elucidar as dúvidas dos eleitores:

— As necessidades dos eleitores não são debatidas. O brasileiro quer saber quem vai resolver o seu problema, e não ficar entre as trocas de acusações. Quem está indeciso tende a se afastar do processo político quando as opções não dialogam com a sua necessidade.

A tese defendida pelo cientista político é corroborada pelo pesquisador da UFRJ Sandro Correa, que aponta o distanciamento de candidatos e eleitores como um dos sintomas do alto índice de indecisos:

— Parece que eles (os concorrentes à Presidência) não entenderam o que as ruas trouxeram de novo. O modelo político de ofensas e guerras de acusações, tão comum em campanhas anteriores, não agrega nada à imagem do candidato. A rejeição aos partidos e a seus métodos de fazer política, que se gritou nas ruas, está clara na indecisão do eleitor.

Apesar de os cinco especialistas ouvidos pelo GLOBO afirmarem que tanto a imagem da presidente Dilma quanto a da oposição saem arranhadas pela troca pública de farpas, quatro deles afirmam que quem mais perdeu nesse processo foi a oposição.

Antonio Carvalho Teixeira, da FGV-SP, afirma que todos os candidatos podem ser afetados se lhes forem vinculadas frases agressivas a adversários. Teixeira explica que os xingamentos de parte do público presente no primeiro jogo do Brasil na Copa à presidente Dilma Rousseff, por exemplo, foram um termômetro da reação negativa:

— O que se viu no dia seguinte foi uma reprovação pública àqueles que ofenderam a presidente. Ali não era a postulante ao cargo, mas uma chefe de Estado. Num processo de embate agressivo, ambos os lados tendem a perder e muito.

Segundo Fornazieri, quando os adversários do governo acharam normal os ataques a Dilma ocorridos no Itaquerão, na quinta-feira, deram ao PT a possibilidade de transformar a presidente em vítima:

— O “direto de direita” que o candidato do PSDB tentou desferir abriu um flanco para que o PT conseguisse sair do córner político que estava e partir para o ataque. Houve um erro de avaliação da coordenação de campanha sobre o tom do ataque tanto do PSDB quanto do PSB. E esse erro fortaleceu o discurso de pena que o PT já estava tentando emplacar.

Já o professor do Departamento de Gestão Pública da FGV-SP Claudio Couto concorda que a agressividade favoreceu Dilma neste momento, mas minimiza o efeito do tom eleitoral a longo prazo. Ele associa a agressividade à tentativa da oposição de mobilizar a militância no momento de definição das chapas, assim como fez o PT no último encontro partidário:

— É um momento de mexer com a base. Buscar no discurso forte a construção da imagem do candidato que vai guiar o partido no embate político que se aproxima. É política partidária. Faz parte esse tipo de argumentação, tanto no PT quanto no PSDB e PSB.

Ainda de acordo com Couto, a polarização entre certo e errado, bem e mal, radicalizada pelas campanhas nos últimos dias, já faz parte do processo eleitoral brasileiro.

O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Cavalho, afirmou que lamenta que Aécio e Campos não tenham feito referências negativas aos xingamentos recebidos pela presidente no jogo da estreia do Brasil na Copa Mundo:

— Considero essa uma prática (xingamentos) que tem que ser desestimulada e que prevaleça o bom senso. Lamento muito que o Aécio e o Eduardo Campos não tenham feito referência a isso. Deveriam ter feito referência ao aspecto negativo porque, depois, se volta contra todo mundo.

Sobre a procedência dos xingamentos no Itaquerão, Carvalho disse que prefere não arriscar que tenham partido de um determinado grupo ou da elite.

Hoje, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, criticou o xingamento feito à presidente Dilma no Itaquerão. Ele chamou o episódio de “baixaria, um horror”. Chefe do Poder Judiciário, o ministro estava na tribuna de honra a poucos metros da presidente quando os insultos ocorreram. Segundo relatos dos presentes, o constrangimento foi geral.

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