Três anos à espera de boas notícias no Sesi Ceilândia


Três anos à espera de boas notícias no Sesi Ceilândia

Unidade que atendia 500 alunos foi desativada e a promessa é abrir uma escola parque no espaço

Patrícia Fernandes

Após 30 anos de funcionamento, a unidade do Serviço Social da Indústria em Ceilândia (Sesi) fechou as portas em 2011, e três anos depois ainda restam dúvidas para os moradores da cidade. A população viu as possibilidades de acesso à cultura, saúde e educação serem drasticamente reduzidas, e não soube dos motivos da desativação. Hoje, mesmo sob a responsabilidade da Secretaria de Educação, o espaço encontra-se em estado de abandono. A situação, segundo a pasta, pode mudar ainda neste semestre, com a abertura da Escola Parque Anísio Teixeira.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a unidade foi fechada com o objetivo de racionalizar a utilização das instalações do Sesi no Distrito Federal. Segundo o órgão, as atividades foram transferidas para a unidade de Taguatinga, sem causar prejuízos à comunidade, aos estudantes da Rede Sesi de Educação e aos usuários da estrutura de esporte e lazer da unidade.

Usuários

A justificativa, no entanto, não encontra ressonância na sensação dos moradores da cidade. Pelo contrário, boa parte dos cidadãos ouvidos pela reportagem afirma que até hoje não sabe ao certo quais os motivos que levaram ao fechamento e alerta para o potencial de uso do local. É o caso da atendente Gina Alves, 36 anos, mãe de três filhos.

“Meu filho tem dislexia e fazia tratamento aqui. Agora tenho que levá-lo para o SIA e muitas vezes não têm vaga”, afirma. Desempregada, ela conta que o tratamento do filho tem sido prejudicado. “Só me resta a rede particular e, como sou mãe e pai de meus filhos, mal tenho dinheiro para garantir o sustento”, lamenta.

Outro problema enfrentado por Gina é a falta de um local para deixar os filhos enquanto trabalha. “Não tem escola aqui. Há um tempo ouvimos boatos de que aqui se transformaria em escola, mas o espaço está abandonado há tanto tempo”, comenta.

Segundo o CNI, na época do fechamento, o Sesi garantiu aos cerca de 500 estudantes matriculados na unidade de Ceilândia, que quiseram continuar na Rede Sesi, vaga na unidade Taguatinga. Além disso, a entidade salienta que os estudantes transferidos não tiveram prejuízo pedagógico, pois a proposta de ensino é única em todas as unidades da Rede Sesi.

Para Gina, a preocupação em garantir a continuidade dos serviços não condiz com a realidade de quem vive ali. “O fato é que a unidade de Taguatinga mal dá conta de atender a demanda de lá”, ressalta.

Abandono

Quem passa pelo antigo Sesi Ceilândia lamenta o cenário atual, de abandono. “Tenho amigos que aproveitaram muito o Sesi. Eu gostaria de ter tido essa oportunidade”, conta o estudante Vinícius Cardoso, 15 anos. A também estudante Alessandra Gomes, 18 anos, acredita que, com a desativação e o desuso do local, muitas pessoas são prejudicadas. “Quem mora em Ceilândia poderia ter a chance de participar de muitas atividades. Com esse fechamento, quem perde é a comunidade, que fica sem um espaço de lazer”, diz.

Situação distinta em Taguatinga

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a unidade de Taguatinga também dispõe de piscinas, quadras poliesportivas, de vôlei e de futebol de areia, campo de futebol e outros equipamentos esportivos e culturais. Isso permitiu a manutenção das atividades de lazer e esporte que eram oferecidas a 1,3 mil usuários da unidade de Ceilândia, afirma a entidade.
Apesar da ampla oferta de serviços oferecidos, alguns usuários reclamam da falta de vagas. É o caso da estudante Fabíola Amorim, 35 anos, que não conseguiu matricular a filha na natação. “Fui avisada de que não tem vaga”, explica.
Fabíola conta que recebeu a informação de que a unidade não abre novas turmas. Ou seja, novos alunos só são aceitos em caso de desistência. “Falaram para eu ficar ligando, mas tenho pressa em matricular a minha filha. Vou desistir”, completa.
Para ela, também seria uma chance de iniciar as aulas na academia do local. “Eu tinha muito interesse, pois moro aqui do lado e viríamos juntas”, pontua.
diferentes opiniões
O servidor público Jonas Daniel Oliveira, 22 anos, também morador de Taguatinga, ressalta que o espaço é uma excelente opção para os moradores da cidade. “Vim me matricular na academia, pois sempre ouvi boas indicações”, relata.
Já a empresária Poliana Lopes, 31 anos, revela que as expectativas em relação ao ensino oferecido não foram atendidas. “Matriculei meus dois filhos neste ano no Ensino Fundamental, mas não tenho gostado”, alega. Entre os problemas apontados pela mãe está a falta de organização.

Serviço era restrito à indústria

A estrutura do Sesi Ceilândia contava com ginásio poliesportivo, piscina infantil e semiolimpica aquecida, quatro campos de futebol e espaço multiuso com capacidade para 150 pessoas. A unidade foi inaugurada em 25 de março de 1976. O fechamento do espaço chegou a ser alvo de protestos na época. Entre as principais reivindicações dos manifestantes estavam a demissão de funcionários e a falta de atendimentos de saúde e dos serviços de educação.

De acordo com o presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra), Antônio Rocha, o Sesi foi criado para atender aos trabalhadores da indústria. No entanto, com o passar do tempo, houve uma alta na demanda da população. “Como as unidades são grandes, fazemos muitos atendimentos na área de saúde, educação e cultura”, diz.

Convênio
Em relação ao ensino, o presidente da Fibra explica que o convênio com a Secretaria de Educação foi desfeito em 2007. “A contratação dos professores acontece diretamente pelo Sesi”, conclui. A informação é confirmada pela pasta, que informou que 162 professores participaram do convênio.

As previsões da Secretaria de Educação são de que a prometida Escola Parque Anísio Teixeira comece a funcionar ainda neste semestre. No mês passado, segundo a pasta, foi finalizado o laudo técnico quanto às adequações estruturais e ao projeto pedagógico que deverão ser feitos para a educação integral.
A expectativa é de que a unidade de ensino ofereça prática desportiva e atividades musicais e culturais. A Secretaria de Educação esclarece que, atualmente, um profissional trabalha no local para prestar o serviço de segurança, de responsabilidade da SEDF.

Saiba Mais
Com 1.218 unidades espalhadas pelo Brasil, o Sesi mantém uma rede de escolas que oferecem educação básica, educação de jovens e adultos, educação continuada e acompanhamento pedagógico.
A instituição também mantém uma rede de bibliotecas, teatros e espaços culturais.
Atualmente, os serviços de saúde do Sesi se concentram no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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