Tragédia da Kiss completa 1 ano e famílias cobram indenizações e memorial


Tragédia da Kiss completa 1 ano e famílias cobram indenizações e memorial

Dia será repleto de homenagens na cidade; associação organizou eventos

Do R7

Familiares organizaram dia de homenagens aos mortos no incêndioEvelson De Freitas/AGE/29.01.2013/Estadão Conteúdo

Os parentes das vítimas e sobreviventes do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), aproveitam a data em que a tragédia completa um ano para cobrar a construção de um memorial no local da boate e indenizações a sobreviventes.

O presidente da Associação dos Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia, Adherbal Ferreira, informou que a vontade é que o Estado crie uma lei que respalde os sobreviventes que tiveram sequelas definitivas e que elas recebam pensão ou que os empregadores tenham algum tipo de incentivo para contratá-las.

A associação estima que cerca de 113 jovens ainda façam tratamento por conta do incêndio. A prefeitura da cidade não soube confirmar o dado. No início de dezembro, representantes da própria associação, sobreviventes, Ministério da Justiça, da Secretaria de Direitos Humanos, SUS (Sistema Único de Saúde) e da UFSM se reuniram no Senado em assembleia para expor os problemas de quem saiu com vida da tragédia e precisa de respaldo. A proposta de uma lei especifica para casos como esse foi apresentada aos senadores. Opedido ainda será analisado pelo Senado.

Já a construção do memorial será um processo mais lento, já que o imóvel é de propriedade particular e terá que ser feita uma desapropriação da área. A prefeitura informou que a boate está interditada a pedido da Polícia Civil e por decisão judicial, por isso não há previsão de quando a análise para o memorial será colocada em pauta.

Nesta segunda-feira (27), a tragédia que deixou 242 mortos completa um ano. O incêndio resultou em três processos na esfera criminal, um na Justiça Militar, envolvendo oito bombeiros e uma ação por improbidade administrativa contra quatro bombeiros. O principal processo criminal trata dos homicídios e são acusadas quatro pessoas: os sócios da boate, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, que acendeu o artefato pirotécnico; e o produtor do grupo musical, Luciano Augusto Bonilha Leão, que comprou os fogos.

Veja as comemorações que serão feitas na cidade

9h: Ato cultural em homenagem às vítimas da tragédia de Santa Maria na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), no campus de Camobi

14h: Segunda apresentação do documentário Janeiro 27, dos produtores Luiz Alberto Cassol e Paulo Nascimento. Com a palavra, a produção completa do documentário. Será na Unifra (rua dos Andradas, 1.614)

17h: Mobilização social, na Unifra, e apresentação artística e na Praça Saldanha Marinho

20h: Ato ecumênico na Saldanha Marinho

O incêndio

O incêndio dentro da boate Kiss no centro de Santa Maria, cidade a 290 km da capital, Porto Alegre, aconteceu na madrugada de 27 de janeiro.

O fogo começou porque, durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, um dos integrantes acendeu um artefato pirotécnico — uma espécie de fogo de artifício chamado “sputnik” — que, ao ser lançado, atingiu a espuma do isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se espalharam em poucos minutos.

A casa noturna estava cheia na hora em que o fogo começou, com cerca de mil pessoas. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Os donos não tinham qualquer autorização do Corpo de Bombeiros para organizar um show pirotécnico na casa noturna. O alvará da boate estava vencido desde agosto de 2012, afirmou o Corpo de Bombeiros.

Dois músicos e dois donos da casa noturna chegaram a ser presos, mas respondem ao processo em liberdade. No mês passado, a Justiça determinou a limpeza e descontaminação da boate para avaliar se é possível realizar uma reconstituição do incêndio. A boate ainda está lacrada com tapumes. A Brigada Militar disponibiliza ao menos um policial para fazer a segurança na boate 24 horas por dia para preservar o local até que a Justiça determine a liberação.


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