Toma que o filho é teu


Ao apagar das luzes após o jogo entre Brasil e Holanda iniciaram-se os primeiros momentos dos longos dias de hibernação e obsolescência do Estádio Mané Garrincha. Com sua tipologia paquidérmica e distante de tudo que possa lembrar um bom projeto , o estádio, até por não respeitar outros edifícios no entorno , está condenado a permanecer, para sempre, como um monumento ao desperdício e ao mau gosto.
Fechado ou aberto à qualquer atividade, o edifício trará sempre prejuízos maiores ou menores para os contribuintes. Pelo gigantismo, sua conservação é cara. Por sua concepção interna acústica é impraticável para a realização de shows. Com seu formato que mais lembra um filtro de ar de carros antigos e com seu interior todo em cores vermelhas, o monumento ,ao estilo estalinista, de glorificação ao partido, ficará como uma mancha de sangue na paisagem.
Diante dessa realidade concreta, não adiantam as inúmeras explicações ensaiadas pelo GDF. seu destino está selado e faz jus à campanha da seleção na Copa. Como uma lápide aos 7 a 1 sofridos, melhor seria libertar do monumento o nome do genial jogador das pernas tortas. Com a insistência da realidade em se mostrar, tão logo finalizados os jogos, o governo local trata , com afoiteza , dos trâmites para a privatização do espaço, no melhor estilo “toma que o filho é teu”. Em sua concepção modernista, Brasília foi criada para ser um novo sítio renascentista.
A idéia era o possível o retorno do antropocentrismo e onde os monumentos adquirissem a dimensão humana, sem a monumentalidade que esmaga, oprime e reduz o indivíduo. Exatamente o inverso do pensamento de Oscar Niemeyer que deixava o pesado flutuando. Um simples olhar, sobre uma foto mostrando a chegada dos torcedores ao estádio estampa a relação de desproporção.
São formigas indo ao encontro de um elefante de cimento armado grudado ao chão por várias pernas .


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