Sucessões Estaduais: Família joga seu destino



Por: Daniel Cardozo


Sucessões Estaduais: Família joga seu destino

A hegemonia dos Sarney corre o risco de se quebrar, após 50 anos, por falta de opção de candidaturas

Com a indicação do vice-governador, Washington Luiz (PT), para o Tribunal de Contas do Maranhão, o estado pode ter uma eleição indireta, o que influenciará no pleito de outubro. A hegemonia da família Sarney, da governadora Roseana (PMDB), que dura desde 1965, está em jogo e, desta vez, os aliados estão ganhando força.

Desde 1966, apenas dois governadores não tiveram o apoio do senador José Sarney (PMDB). O governador entre 2002 e 2006, José Reinaldo Tavares (PSB), foi lançado pelo senador, mas rompeu com a família após desavenças da primeira-dama com a Roseana Sarney, então senadora. Nas eleições seguintes, o escolhido nas urnas foi Jackson Lago (PDT), que acabou cassado em 2008.

A indicação do vice-governador para o Tribunal de Contas foi uma maneira encontrada pelo PMDB para acabar com um dos obstáculos no caminho. Assim, caso Roseana Sarney se candidate ao Senado, precisa renunciar em abril. Sem governador e vice, a Assembleia Legislativa do Maranhão escolherá o interino, fiel à família.

O governo maranhense conta com o apoio de 15 partidos, com cargos e participação nas decisões. São 31 dos 42 deputados estaduais, o que facilitaria uma eleição para o governo do estado.

Na corrida
Nesse caso, quem surge como nome forte é o secretário de Infraestrutura, Luís Fernando Silva, ex-prefeito de São José do Ribamar, que também deve ser o candidato apoiado pelo PMDB.

O pré-candidato já está em campanha. Em inaugurações de obras, Luís Fernando tem aparecido ao lado de prefeitos aliados, em pequenas cidades. Ele foi o nome escolhido pelo partido. A opção seria o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que alegou não ter interesse pela candidatura.

Mas até agora, o líder das pesquisas é o presidente da Embratur, Flávio Dino (PCdoB), candidato derrotado nas eleições de 2010. Só não houve segundo turno por menos de 10 mil votos. Dessa vez, ele conta com os prováveis apoios de PSB, PTC, PROS e SDD.

Aliança com o governo Racha PT

1 O presidente estadual do PT, Raimundo Monteiro, foi eleito em fevereiro e é a favor da manutenção da aliança com o PMDB.

2 O dirigente acabou sendo legitimado no cargo só três meses após a votação, devido questionamentos da ala petista que defende oposição ao governo.
3Qualquer decisão tomada pelo diretório regional deverá passar pela aprovação da Executiva Nacional petista, tornando o cenário mais imprevisível ainda.
4Uma candidatura própria do PT poderia ser a saída para minimizar a saia-justa.

5 O novo presidente é ligado à família Sarney e teria recebido a missão de conseguir o apoio para a candidatura à reeleição.

6 O racha no PT maranhense já existia antes da eleição, mas ficou escancarado agora.

7 Quem defende a proximidade com o PMDB são aqueles que ocupam cargos no governo.

Em busca de aliados para definir chapas

O presidente estadual tucano, deputado federal Carlos Brandão, tende a apoiar o comunista Flávio Dino, mas a decisão será de Aécio Neves. O apoio do PSDB é cobiçado também pela chapa do governo, mas o apoio dos tucanos seria inviável no caso da presença do PT.

Correm por fora outros dois pré-candidatos. A deputada estadual Eliziane Gama (PPS) é tida como terceira via no estado. Na eleição para a prefeitura de São Luís, sem apoio de outros partidos, ela alcançou 13% de votos. A coligação com o PSC já é considerada quase certa, por conta da proximidade de Eliziane com o segmento evangélico. A deputada ainda disputa o apoio do PSB e do PSDB.

Apesar de ter mantido relação próxima com a chapa de Flávio Dino, o PDT pode lançar também seu candidato. O escolhido será Hilton Gonçalo, ex-prefeito de Santa Rita, município distante 180 km de São Luís. Ao final da sua gestão, ele alcançou aprovação de quase 80% da população.

Senado

Para o Senado, a oposição tem como nomes possíveis o vice-prefeito de São Luís, Roberto Rocha (PSB), em uma aliança quase certa com Flávio Dino. Mas no mesmo grupo também se discute a candidatura do deputado federal Domingos Dutra (SDD). Haveria um acordo entre os dois de lançar apenas uma candidatura.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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