STF inicia julgamento histórico do mensalão

Por Hugo Bachega e Ana Flor

BRASÍLIA, 2 Ago (Reuters) – O Supremo Tribunal Federal (STF) mergulha a partir desta quinta-feira nos diversos capítulos do escândalo de corrupção conhecido como mensalão, envolvendo um suposto esquema de compra de apoio parlamentar. O episódio, revelado há sete anos, deu início à maior crise política da era Lula e manchou a história do PT.

Os 11 ministros que compõem o STF começam a julgar os 38 réus do chamado mensalão no mais importante processo da área política na história da Corte. Eles são acusados pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta e formação de quadrilha e fraude.

Neste primeiro dia de julgamento, o relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, fará a leitura de um resumo de três páginas do relatório. Logo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, terá até cinco horas para se manifestar.

A defesa dos 38 réus, dos 40 denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), inicia-se na sexta-feira. Cada advogado terá até uma hora para apresentar as sustentações orais, serão cinco defesas por dia. O início dos votos dos ministros está previsto para a partir do dia 15, podendo levar o tempo necessário, sem previsão exata para o término do julgamento.

Segundo a denúncia da PGR, o alegado esquema funcionaria com o desvio de recursos públicos que seriam usados para a compra de apoio entre parlamentares da base governista no Congresso. A defesa de alguns réus sustentará que os valores representavam caixa dois de campanha.

O escândalo foi o pior momento político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em pronunciamento à nação em meio à crise, o então presidente disse se sentir “traído por práticas inaceitáveis”, às quais afirmou não ter conhecimento, e pediu desculpas em nome do governo e do PT pelas denúncias.

O governo Lula foi atingido em seu âmago pelas denúncias que alcançaram o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, responsável pela construção da coalizão que elegeu o petista em 2002 e uma espécie de primeiro-ministro do Executivo federal à época.

Outros nomes próximos ao presidente foram envolvidos: o então ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e a cúpula do PT à época: o presidente José Genoino, o tesoureiro Delúbio Soares, e o secretário-geral Sílvio Pereira. Continuação…

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