Situação no Ceilandense está cada vez pior no Candangão


Jogadores que não quiseram se identificar por medo de represálias da diretoria confirmaram que estão com seus salários atrasados

Marcus Eduardo Pereira

Em último lugar no Campeonato Candango, o Ceilandense tem passado dificuldades tanto no campo quanto fora dele.

O Jornal de Brasília entrou em contato com o presidente do clube, Manoel Santos, que confirmou o atraso de salários do elenco, porém minimizou a situação. ”Não é por causa de oito dias de salário atrasado que o mundo vai acabar.”

Jogadores que não quiseram se identificar por medo de represálias da diretoria confirmaram que estão com seus salários atrasados. Alguns nem sequer receberam desde a chegada ao clube.

Além da falta de dinheiro, os atletas reclamam de problemas com sua hospedagem, em Ceilândia. A informação é de que não podem usufruir das regalias que tinham antes no local. “Estava tudo ocorrendo bem, daí algumas diárias de alguns jogadores foram acabando, fomos impedidos de almoçar e de jantar. Antes, recebíamos galões d’água da diretoria, mas por um tempo parou. Tivemos que pagar água do próprio bolso. Hoje (ontem) recebemos alguns galões”, contou um dos anônimos.

Resposta atravessada

A situação está tão complicada que a diretoria tem economizado ao máximo para manter em dia, pelo menos, a alimentação dos atletas. “Hoje (ontem), recebemos do presidente R$ 100 para dez jogadores almoçarem”, afirmou um dos atletas.

Nervoso com as indagações a respeito dos problemas com a hospedagem de parte de seu elenco, Manoel negou qualquer tipo de problema. “É tudo boato. No Ceilandense está tudo 100%, não tem problema com hotel. Quando não almoçam lá, almoçam no restaurante”, respondeu.

O hotel foi procurado pela reportagem, porém, por intermédio de sua gerência, não quis comentar a situação sobre a falta de água e proibição do restaurante do local.

Mesmo assim, não negou que a diretoria do Ceilandense tem algumas pendências no local. Dez atletas ocupam dois quartos de capacidade de quatro pessoas e dois para quarto de um indivíduo.

Ex-auxiliar bate, mas assopra

Se existe falta de água e de alimentação dentro do hotel, o ex-auxiliar técnico da equipe, Humberto Nascimento, preferiu não opinar. Ele, no entanto, confirmou o problema financeiro pelo qual os atletas da equipe passam. “Se ele (presidente do clube) disser que não tem atraso, é mentira”, disse.

Humberto foi auxiliar de Marcos Sena, ex-treinador do clube. Os dois se desligaram do Ceilandense motivados pelos fracos resultados obtidos até então. “Para não manchar a equipe, resolvemos sair. Não estávamos conseguindo vencer”, explicou.

Segundo Humberto, durante sua estada no clube, nenhuma situação parecida ocorreu. “Eles nos ofereceram uma estrutura que vi em poucos times. Dois campos, um ônibus, restaurante para os jogadores. Não posso afirmar nada do que acontece depois que saí, porém ouvi algumas coisas a respeito”, disse.

Não é novidade
O atraso de salários não é novidade nesta edição do torneio. No meio do mês passado, os jogadores do Formosa chegaram a entrar em greve por dois dias por conta dos problemas financeiros. Com a pressão imposta pelo elenco, o presidente Cacildo Cassiano teve uma semana para resolver.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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