Seleção de servidores no Itamaraty exige o máximo de candidatos

Seleção de servidores no Itamaraty exige o máximo de candidatosO Ministério das Relações Exteriores está em processo de escolha de seus futuros servidores, com provas de longa duração e que e incluem conhecimentos em línguas e matérias mais amplas que em outros certames. Os aprovados ainda passam por dois anos de especialização

Leonardo Meireles

Manoela Alcântara

Laura Berdine, mineira que passou em primeiro lugar do concurso de 2012: %u201CVocê não pode escolher ser diplomata apenas pelo dinheiro%u201D

Na cidade dos concursos públicos, uma carreira específica chama a atenção tanto pela dificuldade das provas quanto pela diversidade da área: a diplomacia. Os candidatos que lutam por uma vaga do Instituto Rio Branco — que forma os diplomatas no Brasil — estão em plena terceira fase do certame. No fim de semana passado, eles completaram as provas de geografia e política internacional. No próximo, as questões serão sobre noções de direito e economia e direito internacional público. Na primeira etapa, eram 6.490 tentando 30 lugares, uma concorrência de 216 candidatos por vaga. No Rio Branco, a turma passa por mais dois anos de estudos e estágios. O aluno entra com o cargo de terceiro secretário no Itamaraty — e um salário inicial de R$ 13.623,19, de acordo com o último edital.

A mineira Laura Berdine Santos Delamonica, 26 anos, resume o perfil de quem decide arriscar-se na área. Ela foi a primeira colocada do concurso do ano passado. Formada em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Laura começou a interessar-se pelo assunto ainda na faculdade. Queria fazer direito internacional e, por isso, entrou em um grupo de estudos. Depois, em 2009, participou de um curso sobre advocacia em Bologna, na Itália. “Foi ali que vi como era a perspectiva de um brasileiro trabalhando internacionalmente”, conta. Mas o ingresso no Itamaraty ainda era apenas um sonho. Até que viu amigos mais velhos passando no concurso. “Quando passa alguém que você conhece, parece mais factível”, afirma a ex-moradora de Belo Horizonte.

Ao fazer um mestrado em temas sociais no direito na Universidade de Brasília (UnB), Laura empolgou-se. Queria desenvolver seu trabalho de gênero em países árabes, e o Itamaraty parecia o lugar ideal. Atualmente, ela faz o curso no Instituto Rio Branco. Lá, durante dois anos, o diplomata aprimora as línguas que já aprendeu — no caso dela, inglês, francês, espanhol, italiano e árabe — e se especializa em alguma área. “É uma formação completa, ampla e bem diferente, por exemplo, dos Estados Unidos. Lá, quando você entra, já direciona seus estudos. Aqui, você pode entrar na área de política e mudar”, conta.

Boa parte dos alunos que tentam um lugar no Rio Branco são formados em direito ou relações internacionais. “Mas, na minha turma, por exemplo, há três engenheiros. A presidente Dilma Rousseff, em um discurso recente, falou que o Itamaraty precisa de mais engenheiros”, lembra Laura. O ministério em si não exige uma formação específica. João Paulo Tavares Fernandes, 33 anos, por exemplo, é graduado em Comunicação Social pela UnB. Hoje, serve na embaixada brasileira em Roma, no setor político.


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