SE NÃO FOR DESATIVADO, LIXÃO PODE CONTAMINAR O LAGO


Imaginar como será o futuro do maior depósito de lixo da capital federal ainda inquieta especialistas e brasilienses. Imponente e a apenas 15 quilômetros do Congresso Nacional, as enormes montanhas de resíduos não param de crescer. Os riscos são tantos, que ameaçam um dos principais cartões postais de Brasília, o Lago Paranoá.

O depósito está situado no divisor de duas bacias que desaguam no Paranoá: o córrego do Acampamento, no Lago Norte, e Cabeceira do Valo, no Lago Sul. O chorume penetra no solo e atinge o lençol freático. “Há estudos mostrando que a contaminação subterrânea se iniciou há algum tempo, de forma incipiente, mas deve se agravar ao longo dos anos” explica Sérgio Koide, engenheiro civil e doutor em recursos hídricos. O mesmo acontece com o Parque Nacional, que faz divisa com o Lixão.


Para o educador ambiental Luiz Rios, a situação pode se agravar nos próximos 30 anos e pode comprometer o projeto da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) de captação de água para abastecimento. “Se o Lixão continuar da maneira que está, no futuro, esta água se tornará imprópria para consumo ou para fins agropecuários, como fazem pequenos produtores da Estrutural, devido ao alto grau de matéria orgânica e metais pesados”, disse. “A contaminação atinge, principalmente, as crianças e causam doenças de pele, verminoses e diarreia, podendo levar à morte”, completou o especialista.

Atualmente, a Caesb a monitora os pontos de lançamento de esgotos clandestinos e outras possíveis fontes de contaminação. O órgão nega que o lençol freático da região esteja contaminado. A licença prévia para captação de água no lago foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal no dia 5 de março de 2013. Agora, a Caesb busca recursos junto ao governo federal para iniciar as obras. Segundo a Companhia, estão previstos investimentos de aproximadamente R$ 460 milhões. 


De acordo com o presidente da Caesb, Oto Guimarães, o Sistema Paranoá será importante para completar o abastecimento de cidades da região leste do Distrito Federal, atendendo aos novos núcleos habitacionais em processo de consolidação em São Sebastião, Paranoá e Sobradinho I e II. “Ele vai permitir ainda a geração de excedentes para aumentar a disponibilidade hídrica em Planaltina, Brasília e Lago Norte”, acrescenta Oto.


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