Saúde no DF Planaltina não ganhou novo hospital e nenhuma Unidade de Pronto Atendimento

O Blog Saber Melhor tem compromisso com a saúde pública. Não tem partido político ou preferência partidária por nenhuma agremiação. Mas falar sobre saúde pública exige, em muitas oportunidades, que se tangencie o “mundo político” e as promessas feitas e não cumpridas por nossas autoridades. A saúde pública, sem dúvida, encontra-se em estado de avançado desmonte, promovido por políticos com bons discursos, mas com poucas ações. Trataremos, neste artigo, de uma promessa feita pelo Governador do Distrito Federal, Agnelo dos Santos Queiroz Filho (PT-DF) e que não foi cumprida.

Em 04 de fevereiro de 2011, por meio da assessoria de comunicação social da Secretaria de Saúde do DF, o Governador Agnelo Queiroz e o secretário de saúde, Rafael Barbosa, recém empossados nos respectivos cargos, foram inspecionar o Hospital Regional de Planaltina. Constaram a necessidade de reformas urgentes no setor de emergência, no centro cirúrgico, na lavanderia, na internação, na radiologia e nos ambulatórios do HRP. …

Depois da vista, Agnelo Queiroz e Rafael Barbosa PROMETERAM“construir um novo hospital com Unidade de Terapia Intensiva; dobrar o número de leitos de 56 para 112; construir uma Unidade de Pronto Atendimento no bairro do Arapoanga e dar atenção especial à saúde básica”.

Embora não tenha fixado um prazo determinado, garantiu o Governador Agnelo Queiroz que as medidas anunciadas “devem começar brevemente, seguindo os trâmites exigidos por lei – como licitação e outros”.

O Hospital Regional de Planaltina foi inaugurado em 1976 para atender uma população, na época, de 40 mil pessoas. A unidade vive hoje uma realidade angustiante. Segundo o governo, o número de habitantes na histórica cidade alcançou 250 mil e o hospital atende ainda toda a população que vem do entorno, cidades como Água Fria, Formosa, São João D’Aliança, Unaí e outras, que não dispõem de condições para assistirem suas comunidade com uma saúde de qualidade.

A notícia que se comenta pode ser acessada AQUI. As melhoras anunciadas, entretanto, não podem ser acessadas pela população, porque nunca foram executadas. A população de Planaltina continua sofrendo com o descaso e, depois de quase três anos, a calamidade permanece.

Em 17 de maio de 2012, a rádio utopiafm.com, fez uma reportagem com o título “pacientes são ‘internados’ no corredor do Hospital de Planaltina”. Vale a leitura da reportagem em sua íntegra: “Por falta de leitos, os pacientes e acompanhantes são alocados em locais improvisados Quem entra na ala de internação do Hospital Regional de Planaltina (HRP), custa a acreditar que a emergência do local passou por uma reforma há poucos meses. Os pacientes que precisam ficar internados são alocados nos corredores do hospital. Na última sexta-feira (12), o repórter Renato Souza, da rádio Utopia acompanhou um paciente pelos corredores da emergência e flagrou vários doentes acomodados em locais improvisados. Com o celular o repórter registrou algumas imagens do caos que se instalou na unidade que recebe cerca de 150 mil pacientes por ano. Os usuários ficam dias nos corredores enquanto aguardam por alta médica, cirurgia, transferência hospitalar ou para um atendimento especializado. Grande parte dos pacientes alocados no corredores são idosos e pessoas com problemas graves que impedem a locomoção pro conta própria. No dia 20 de março o hospital passou por uma reforma e ampliação do Centro Cirúrgico no valor de R$ 2,2 milhões. O local que tinha 200 metros quadrados dobrou de tamanho. A redação da rádio Utopia entrou em contato com a comunicação social do hospital, mas não havia nenhum assessor para prestar esclarecimentos. A coordenação do HRP informou ainda que o telefone de atendimento da assessoria de imprensa está quebrado”.

A Agência Brasil, em 21 de agosto de 2013, esteve em diversos hospitais do Distrito Federal, dentre eles, o Hospital Regional de Planaltina. Em todos o caos foi constatado e depois de discorrer sobre inúmeros problemas encontrados nas unidades hospitalares visitadas, a reportagem registrou que: “No Hospital de Planaltina, o panorama é o mesmo. Filas, salas de espera lotadas, corredores lotados de pacientes. A unidade de saúde, a cerca de 40 quilômetros do Plano Piloto, não tem médicos de todas as especialidades. Casos mais graves, como os relacionados a neurologia, cardiologia e cirurgia vascular, são encaminhados ao Hospital de Base. Duas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) transportam os pacientes ao centro de Brasília para que aguardem atendimento, tenham diagnóstico e recebam receituário de medicação. Caso não seja uma situação de extrema urgência que mereça permanência no Base, o paciente volta a Planaltina para a continuação do atendimento. “Eu faço entre dois e três transportes por dia. A falta de médicos é tamanha que há casos em que são encaminhados ao [Hospital de] Base pacientes de oftalmologia, com praticamente um cisco no olho, porque não há especialista aqui [Planaltina]”, disse à Agência Brasil o motorista do Samu Francisco Brandão. Segundo a coordenadora-geral de Saúde da unidade, Mônica Rodrigues, casos de especialidades de maior complexidade não são atendidos em Planaltina porque o hospital é de atendimento primário. Para atender casos mais graves, segundo ela, há outros hospitais da rede pública”.

Os problemas na saúde pública brasileira são muitos e precisam ser enfrentados com coragem, desprendimento e ações concretas. Promessas, senhores gestores, não resolverá os inúmeros problemas. Apenas ações concretas e efetivas podem minorar o sofrimento das pessoas.

Infelizmente, os gestores da saúde brasileira pensam e respiram apenas “política”, termo usado aqui na pior acepção possível. O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP) parece se preocupar apenas com a sua provável candidatura ao governo de São Paulo, deixando de lado os cuidados que deveria ter com a saúde da população. Se a sua preocupação não fosse apenas as eleições, talvez muitas vidas poderiam ser poupadas e muito sofrimento evitado ou amenizado. O Secretário de Saúde do Distrito Federal, Rafael Barbosa, mesmo com a caótica situação vivenciada pela saúde pública na Capital Federal, mostra-se muito mais entusiasmado com sua potencial candidatura ao Congresso Nacional. As preocupações da Presidente da República e do Governador do Distrito Federal, respectivamente, Dilma Roussef e Agnelo Queiroz, estão envoltos com o tema “reeleição” e, por isso, além de tentarem tornar a realidade opaca, valem-se de factoides e promessas que já foram feitas e descumpridas no passado para tentar ludibriar a população.

O drama da população de Planaltina, nas cercanias do poder político brasileiro, é, infelizmente, apenas mais um exemplo do descaso para com a vida do brasileiro. As promessas feitas à população de Planaltina em breve serão renovadas, afinal, novo período eleitoral se aproxima. Vale, então, ter em mente que promessa igual já foi feita, mas descumprida. Enquanto as velhas, surradas e descumpridas promessas estiverem sendo feitas, vale penar quantos já sofreram, quantos já morreram porque falta, por parte dos políticos brasileiros, compromisso com o direito fundamental à vida.


Fonte: Blog Saber Melhor – 21/12/2013

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