Rodoviários mantêm paralisação e DF amanhece novamente sem ônibus


Rodoviários mantêm paralisação e DF amanhece novamente sem ônibus

Mais uma vez, a paralisação revelou divergências entre trabalhadores e sindicato

Na manhã deste sábado (5), rodoviários decidiram manter a greve. Com a decisão, vários usuários foram prejudicados.

Sexta-feira caótica

Não foi a Seleção Brasileira quem “parou” Brasília a partir das 8h de ontem, mas os rodoviários em greve. Mais especificamente, os funcionários da Viação Piracicabana, empresa que atende a Bacia da malha viária do DF. Mais tarde, foi a vez da Viação Pioneira, que atende a bacia 2, cruzar os braços.

Mais uma vez, a paralisação revelou divergências entre trabalhadores e sindicato. “A decisão de parar partiu da própria categoria”, afirmou Edielson Santos, presidente do movimento Rodoviários em Luta, opositor à atual gestão do sindicato.

“Se tivermos que passar por cima da direção, então vamos passar. Temos representantes em todos os setores”, ameaçou o motorista, que alegou ter sido demitido há duas semanas por defender os interesses dos trabalhadores.

De acordo com Edielson, foi acordado em assembleia de 7 de junho que, a partir do mês seguinte, o salário dos rodoviários sofreria reajuste de 20%. Na manhã de ontem, as empresas anteciparam o pagamento de seus funcionários (que deveria ser efetuado hoje ou segunda-feira), mas sem o aumento previsto, o que motivou a paralisação.

Passageiros sofrem

Alheios aos acordos, os passageiros foram prejudicados. Suellen Silva, dona de casa de 20 anos, moradora do Paranoá, precisava levar a filha Jennifer, de 1 ano, a consulta no Hospital da Criança, pois a menina sofre de paralisia e má formação de órgãos. “Eu estava com horário marcado. Se eu perco hoje, só consigo remarcar para o próximo mês”, desabafou a mãe.

Situação parecida viveu a também dona de casa Luziene Pereira, de 35 anos, moradora de Jardim Ingá. A filha, Taís, de 17 anos, já sofreu Acidente Vascular Cerebral (AVC) e precisa de transfusões de sangue periódicas. Sem ônibus para levarem-nas ao Hospital da Criança, a mãe temeu pelo pior. “Deus me livre se ela tiver outra crise. Não vai adiantar ir ao médico porque o hospital fecha mais cedo por causa do jogo”, reclamou.

Iniciativa

Um dos diretores do Sindicato dos Rodoviários, Saulo Araújo, confirmou que a greve não foi iniciativa do sindicato, mas negou haver discordância entre os movimentos políticos da categoria e apoiou a paralisação. “Os trabalhadores estão no direito deles”, disse.

Ontem, por volta das 11h30, Saulo anunciou a decisão de recolher os ônibus da viação Piracicabana à garagem. Estes só voltariam a circular caso os 20% de aumento fossem depositados nas contas dos funcionários.

Segundo Carlos Eduardo Nascimento, outro diretor do sindicato, “os rodoviários só devem voltar ao trabalho mediante o pagamento. O acordo foi coletivo”, explicou.

Incertezas e bagunça na volta para casa

Até o fechamento desta edição, patrões e empregados não haviam chegado a um acordo e, ao menos, duas empresas de ônibus não circularam durante todo o dia porque os funcionários cruzaram os braços: Piracicabana e Pioneira. As duas operam nas bacias 1 e 2, deixando 15 localidades sem transporte.

Sem meio de transporte, a volta para casa, assim como a ida ao trabalho, foi de longa espera e tumultuada na Rodoviária do Plano Piloto. A reportagem esteve no local e encontrou cenário desolador.

A padeira Joana Coutinho, 30 anos, moradora do Paranoá, saiu do trabalho por volta das 19h e até às 20h continuava no terminal. “É isso que dá depender de ônibus”, lamentava.

Impasse

O diretor-geral do DFTrans, Jair Tedeschi, afirmou que os rodoviários das demais empresas aceitaram a promessa do sindicato patronal de pagar o reajuste referente ao mês de junho. Porém, o assessor de imprensa do Sindicato dos Rodoviários João Jesus informou que os “companheiros” da Viação Marechal, que opera em Taguatinga, Ceilândia, Águas Claras e parte do Park Way, também paralisaram as atividades ontem à noite.

Por meio de nota, o GDF disse que o documento que legitimava o reajuste não foi assinado pelo sindicato. E a partir de agora as negociações serão feitas com as empresas.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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