Restos mortais de Jango são recebidos com honras militares em Brasília


Ex-presidente morreu há 37 anos durante exílio na Argentina, após ser deposto pelos militares

Kamilla Dourado, do R7, em Brasília

Presidente Dilma consola Maria Tereza Goulart, viúva de JangoReprodução/Twitter

O corpo do ex-presidente João Goulart chegou à Base Aérea de Brasília nesta quinta-feira (14) por volta de 11h30h. Recebida com honras militares de Chefe de Estado, a urna com os restos mortais de Jango foi carregada por dez militares das Forças Armadas.

A urna chegou em um avião da Força Aérea Brasileira e foi recepcionada pela presidente Dilma Rousseff e pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, José Sarney e Fernando Collor, além dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Antes da cerimônia, a presidente Dilma declarou pelo seu perfil no Twitter que o momento é histórico.

— Hoje é um dia de encontro do Brasil com a sua história. […] Este é um gesto do Estado brasileiro para homenagear o ex-presidente João Goulart e sua memória. Essa cerimônia que o Estado brasileiro promove hoje com a memória de João Goulart é uma afirmação da nossa democracia. Uma democracia que se consolida com este gesto histórico.

A urna foi depositada no centro do hangar ao som do Hino Nacional Brasileiro, sob as homenagens de mais de 150 convidados, entre familiares, políticos, militares e diplomatas. Logo em seguida, a presidente Dilma entregou flores à viúva de João Goulart, Maria Tereza Goulart, que, emocionada, as depositou em cima da urna funerária.

Depois da cerimônia, a urna foi colocada em um carro fechado e levada ao Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, onde serão feitos os primeiros exames. Amostras serão enviadas a laboratórios estrangeiros que realizarão os testes toxicológicos, que devem comprovar a causa da morte do ex-presidente.

Suspeita de envenenamento

A exumação investigará a suspeita de que Jango foi morto por envenenamento durante exílio na Argentina. A CNV (Comissão Nacional da Verdade) quer esclarecer se a morte do ex-presidente, que ocorreu em dezembro de 1976, há 37 anos, foi causada por ataque cardíaco ou envenenamento, como suspeita a família.

Para a CNV, a SDH (Secretaria de Direitos Humanos) da Presidência da República, a PF também não há dúvida que o presidente João Goulart foi monitorado pela Operação Condor, um plano de apoio mútuo entre as ditaduras do cone sul, usado para eliminar adversários políticos destes regimes

Exumação

A retirada dos restos mortais do ex-presidente João Goulart foi concluída no início da madrugada desta quinta-feira (14). Segundo a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Comissão Nacional da Verdade, a exumação foi concluída com êxito.

Os trabalhos duraram aproximadamente 18 horas e envolveram 12 profissionais, entre peritos brasileiros e estrangeiros, e foi acompanhado de observadores internacionais. Também participou dos procedimentos, o médico João Marcelo Goulart, neto do ex-presidente. Ele foi o único membro da família autorizado a acompanhar a exumação de perto — outros familiares assistiram ao procedimento por um telão.

A partir da análise pericial dos restos mortais de Jango espera-se que os laudos periciais sejam somados às demais investigações, incluindo as documentais e testemunhais, na busca de um esclarecimento sobre as causas que levaram ao óbito do ex-presidente.


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