“Responsabilidade de todos”


“Responsabilidade de todos” Passeata pela Paz em Barra Mansa cobra postura de prefeito e vereadores


Lívia Venina

Desde que assumiu a titularidade da 90ª Delegacia de Polícia de Barra Mansa, em meados de 2011, o delegado Ronaldo Aparecido Ferreira Brito tem defendido, a exemplo da chefe de Polícia Civil, a delegada Martha Rocha, a premissa de que o combate à violência é bem mais eficaz quando as forças de segurança trabalham unidas. Por isso, nos últimos anos, Brito tem prezado pelo trabalho conjunto com a Polícia Militar, deflagrando operações que, salvo uma ou outra exceção, têm obtido largo êxito – principalmente no que diz respeito ao combate ao tráfico de drogas. Mas para evitar que os índices de criminalidade aumentem é necessário que, além da repressão ao crime, haja prevenção – responsabilidade que cabe também ao Poder Público, não apenas à Polícia.

A avaliação foi feita pelo jovem João Paulo Louzada, um dos organizadores da ‘Passeata pela Paz’ realizada em Barra Mansa no início da noite de quinta, 30. De acordo com ele, a manifestação – que reuniu cerca de 70 pessoas, em sua maioria amigos e parentes de vítimas da violência que assola o município – teve por principal objetivo reivindicar do Executivo e Legislativo mais atenção e cuidado com a cidade. “Quando não há ordem pública – iluminação adequada, limpeza etc -, criam-se condições propícias para o crime. O caráter preventivo da segurança pública é papel da prefeitura”, disse João Paulo em entrevista ao aQui.

 
Segundo o rapaz, quem transita entre o Ano Bom e o Centro tem, necessariamente, que passar pela Beira Rio – o que pode ser um problema, ainda mais à noite. “A Beira Rio está abandonada, sem iluminação. Virou ponto de prostituição e de venda de drogas”, destacou, lembrando a situação dos usuários de crack que, segundo ele, costumam frequentar o local. “Sabemos que a questão deles é de saúde pública e é mais uma responsabilidade”, emendou, acrescentando que o antigo Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) foi retirado do Centro da cidade – o que teria contribuído ainda mais para aumentar a sensação de insegurança.


“Tem que ter um DPO perto da Câmara, na Beira Rio e no Parque das Preguiças, que está completamente abandonado”, cobrou João Paulo Louzada, que foi além. Citou o sistema de monitoramento por câmeras inaugurado no governo Zé Renato, em 2011, com o objetivo de auxiliar o combate ao crime. “Este sistema está funcionando? Precisamos saber se as câmeras estão aqui para observação política ou para a ordem pública”, disse.

Já o universitário Marcell Castro – também um dos organizadores do evento – garantiu que o grupo fará cobranças ao Poder Público. “A sociedade está indignada com os recentes casos de violência em nossa cidade. Barra Mansa, apesar disso, ainda é um lugar de paz. Esta é uma luta de toda a sociedade e não vamos nos calar”, avisou, acrescentando que a iniciativa visa a não permitir que o município se transforme numa cidade “faroeste”. “É um movimento de quem ama Barra Mansa, a paz e a justiça”, salientou.

Dentre as reivindicações feitas pelos manifestantes estão a instalação de um DPO no Centro da cidade e melhorias na iluminação pública em todos os bairros de Barra Mansa. “Sabemos que nem tudo no Poder Público depende do Executivo. Depende principalmente da fiscalização do Legislativo. E aí eu pergunto: onde estão nossos vereadores?”, questionou João Paulo ao microfone.

“Onde está a deputada de Barra Mansa para nos apoiar? Onde está o prefeito? Para algumas pessoas, os índices de violência na cidade são apenas números, mas para essas famílias esses índices são dor!”, completou o rapaz, referindo-se aos familiares de Marlon do Valle, morador de Barra Mansa assassinado em Volta Redonda em agosto de 2013; de Renato Ribeiro da Silva, 31, morto na noite de 1º de janeiro numa briga de trânsito com o lutador de muay thay Ryann dos Santos Almeida; e de Fernando Carlos Guedes de Oliveira, assassinado dentro de sua casa, no Centro, em março de 2013.

Chamava a atenção, inclusive, a presença do jovem Bruno Silva, de apenas 11 anos, filho de Renato Ribeiro da Silva. Acompanhado por parentes, o menino carregava um cartaz no qual questionava a decisão judicial que permitiu ao lutador Ryann dos Santos Almeida responder pelo crime em liberdade. A jovem Maria Paula Rezende, que levou um tiro no rosto ao ser vítima de um assalto no Centro, era esperada na passeata, mas não compareceu ao evento.

Em relação à baixa adesão à Caminhada pela Paz – na página do evento do Facebook mais de 400 pessoas confirmaram presença -, João Paulo Louzada afirmou que ela pode ter ocorrido por conta, fundamentalmente, da insensibilidade e falta de solidariedade das pessoas. “Há uma situação de insensibilidade e conformidade. É preciso que as pessoas sejam feridas, de alguma forma, para que se envolvam nessas questões, infelizmente”, lamentou.

Otimista, ele espera que o Poder Público atenda ao clamor da população e tome providências o quanto antes. “Mas não é fazer jogo de empurra e jogar a culpa na Polícia Militar ou na Polícia Civil. Todos têm que fazer sua parte”, finalizou.

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