Religiosos convocam congressistas a se empenharem na luta pela erradicação do tráfico de seres humanos

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Um dos mutirões do 3. Congresso Nacional que se realizou nesse final de semana em Palmas (TO), aquele formado por membros de várias congregações religiosas discutiu, no sábado, 14, o grave problema do tráfico de pessoas.
De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNDOC), a rede do tráfico de pessoas é altamente lucrativa e ocupa o terceiro lugar na economia mercadológica do crime organizado, perdendo apenas para o tráfico de armas e drogas.  Atinge cerca de 2,5 milhões de vítimas e movimenta aproximadamente, 32 bilhões de dólares por ano. Estima-se que 700 mil mulheres e crianças passam todos os anos pelas fronteiras internacionais do tráfico humano. Isso sem contabilizar o tráfico interno, que no País é alarmante.
“Nosso maior sonho é a erradicação do Tráfico de Seres Humanos”, disse Irmã Eurides de Oliveira, ICM, coordenadora da rede Um Grito pela Vida da CRB, em sua partilha. Dentre as experiências foi feita partilha da caminhada missionária da rede Um Grito pela Vida, formada por Congregações Religiosas, que se empenha na luta pela erradicação do Tráfico de Seres Humanos.
De acordo com Irmã Eurides o tráfico de pessoas, sobretudo de mulheres e crianças, que são as vítimas em potencial deste ilícito negócio, é hoje um dos mais urgentes apelos históricos para a sociedade
“Faz parte das afirmações fundamentais da teologia cristã recusar qualquer tipo de violência como expressão da violação de direitos humanos, a ela se opor, denunciá-la é contribuir para sua superação” disse.
Em sua colocação Irmã Eurides destacou a realidade do Tráfico de Pessoas e a resposta da Vida Religiosa Consagrada frente a essa realidade.
A pobreza, o desemprego, bem como a ausência de educação e de acesso aos recursos constituem as causas subjacentes ao Tráfico de Seres Humanos. As mulheres são particularmente vulneráveis ao tráfico de seres humanos devido à feminização da pobreza, à cultura de discriminação e desigualdade entre homens e mulheres, à falta de possibilidades de educação e de emprego, a cultura hedonista que transforma o corpo da mulher em objeto de desejo e cobiça.
A resposta da Vida Religiosa Consagrada
 
 
Segundo a religiosa, é pela força do Carisma a da missão de seguir Jesus no caminho dos pobres, que a Vida Religiosa Consagrada, num movimento dinâmico de fé e solidariedade se sente convocada a viver a Consagração-Missão nas periferias e fronteiras das causas humanas, ouvindo as interpelações de Deus no hoje da história.
“A rede Um Grito pela Vida foi a resposta da Vida Religiosa por meio da União das Superioras Gerais das Congregações, reunidas em Assembleia internacional, com o objetivo de sensibilizar e socializar informações sobre o Tráfico de Seres Humanos; capacitar multiplicadores, multiplicadoras para ações educativas de prevenção e assistência  e intensificar a luta por políticas públicas de enfrentamento desta realidade. A rede tem assumido esta tarefa desde 2006. É Intercongregacional, constituída por religiosas de diversas Regionais e Congregações e se torna um espaço de articulação e ação solidária da Vida Religiosa Consagrada do Brasil. É parte constitutiva da CRB Nacional, relatou.
Os Religiosos e Religiosas promovem e participam de atividades e processos de prevenção, assistência as vítimas e intervenção política que contribuam para instruir e instrumentalizar a sociedade, e coibir o crescimento da inserção de vítimas neste mercado do crime.
“A rede é um caminho que possibilita ensaiar passos de encarnação em novos espaços sociais, políticos e teológicos para incidirmos nesse fenômeno, que cresce de maneira assustadora. Sutil e vorazmente vai ceifando os sonhos e a vida das crianças e adolescentes, juventudes e mulheres de nossas comunidades”, disse a Irmã.
Disse ainda que a importância deste tema no Congresso missionário está no fato de a dimensão missionária ser essencialmente o anúncio da vida pela Palavra, pela prática de solidariedade e do cuidado e defesa com essa vida. O tráfico de pessoas fere a dignidade das pessoas e consequentemente fere o próprio Deus. Não é possível conceber uma ação missionária que não tenha um olhar e coração sensível a essa realidade e que não a tome como sua como fez Jesus na sua época olhando para os rostos e para as situações de pobreza do seu tempo.
Irmã Eurides fez um apelo à Vida Consagrada. “Que a Vida Religiosa leve esta reflexão para as suas instituições e revisite a fonte de seu carisma, que com certeza encontrará nele o clamor das vítimas do tráfico de pessoas que tem os seus direitos violados” Pediu também que assumam o trabalho em rede de forma articulada nos núcleos Regionais.


Por Rosinha Martins, da Assessoria de Imprensa do 3º CMN

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