Região Metropolitana do DF: De problema a uma nova prioridade

Por: Daniel Cardozo


Cidades passam a receber investimentos de Goiás para ampliar o seu potencial de desenvolvimento

Considerada durante muito tempo apenas um problema, a Região Metropolitana passou a ser prioridade do governo de Goiás. Segundo o governador, Marconi Perillo, as cidades próximas ao Distrito Federal representam uma importante área de desenvolvimento e nos últimos anos têm recebido recursos para vários setores. Para virar esse jogo, Perillo tem usado como importante trunfo os investimentos federais e também a integração com o DF. “Temos boas parcerias com o Governo Federal e Ministério das Cidades, via PAC do saneamento. Trabalhamos em conjunto com os municípios na área de mobilidade e de desenvolvimento urbano”. O governador afirma ter conseguido resultados importantes na redução da violência no Entorno, mas a proteção às fronteiras e a legislação são obstáculos nesse processo.


O que mudou no tratamento da Região Metropolitana, sempre vista como esquecida pelo Governo de Goiás, mas agora recebendo mais atenção?

A Região Metropolitana do DF é hoje, ao lado da Região Metropolitana de Goiânia, a mais importante para nosso estado. É uma região muito densamente povoada. Além da densidade, tem uma população muito expressiva. Nós calculamos que sejam 1,5 milhão os goianos e brasileiros que vivem ali. São goianos que colaboram muito com o desenvolvimento do Distrito Federal. Nós temos pelo menos 400 mil trabalhadores do DF que vivem em Goiás, prestam seu suor, trabalho, inteligência, em favor de todos que vivem em Brasília. A economia da Região Metropolitana é dinâmica, ativa e é uma área que, pelo fato de ter ficado esquecida por muitos governos anteriores, acabou se transformando em dependente de muitas melhorias de infraestrutura urbana. Outra razão, para mim, foi ter trabalhado com o então senador Henrique Santillo, que à época criou um programa chamado Geoeconômica de Brasília. Ele sempre foi um estudioso dos problemas da Região Metropolitana. Mas com o passar destes 15 anos, desde que assumi o governo pela primeira vez, a região melhorou muito.

Em que áreas?

Nós tínhamos duas ou três comarcas com juízes, apenas. Hoje, praticamente todas as cidades têm fóruns novos, juízes, sedes do Ministério Público e promotores designados para trabalhar na região. O poder público estadual também está presente com significativas obras na área de saneamento em todas as cidades e, em algumas localidades, temos parcerias com o governo do DF e a Caesb. Em muitas outras, temos boas parcerias com Governo Federal e Ministério das Cidades, via PAC do saneamento. Trabalhamos em conjunto com os municípios na área de mobilidade urbana e desenvolvimento urbano. Estamos construindo o sistema produtor Corumbá 4. Com ele, todo o Entorno Sul de Brasília será atendido por muito tempo com abastecimento de águas de qualidade. Aliás, não só o Entorno Sul, mas várias outras cidades de Brasília. Em Águas Lindas, nós também temos uma boa parceria com a Caesb. Nesse período de 15 anos, houve uma presença muito significativa do governo, embora reconheçamos que ainda é preciso investir muito mais em esgoto e saneamento básico e água tratada.

As rodovias têm sido prioridade?

Sim, temos muitas obras de infraestrutura para cidades do Entorno. Por exemplo, a duplicação entre Novo Gama e Lago Azul já está pronta. Nós agora vamos fazer a iluminação do canteiro central. É uma obra muito cobrada ali. Estamos construindo a alternativa à BR 040, saindo da Cidade Osfaya até o Jardim ABC. Neste ano, vamos construir as rodovias de Novo Gama, Barragem do Corumbá 4, Jardim Ingá, todas em direção a Luziânia. Está sendo licitada a rodovia que liga Santo Antônio do Descoberto à Barraca da Serra. Estamos reconstruindo a Avenida Goiás e o trecho que liga Santo Antônio a Águas Lindas. Já estamos em obras na rodovia que liga Águas Lindas a Brazlândia. Reconstruímos a rodovia que liga a divisa do DF até São João da Aliança e vamos concluir o trecho até Alto Paraíso e Campos Belos, assim como o trecho que liga a BR 020 até Cabeceiras. Não há nenhuma cidade sem previsão de recursos vultosos do governo do estado, para recuperação de vias ou para pavimentação de bairros.

Qual são as principais dificuldades de se trabalhar em conjunto com o governo do DF? É difícil organizar as iniciativas?

Eu não sinto isso, mas sempre procurei facilitar as coisas. Há uma necessidade muito grande, por força da lei e do Ministério Público, de criação dos consórcios para manejo dos resíduos sólidos. Ali na região do Entorno há uma grande necessidade de resolver o problema do lixo urbano. O governo do DF também precisa. Resolvemos criar um consórcio entre os governos de Goiás, do DF e as prefeituras de cidades mais próximas ao DF. Brasília tem características de cidade e de estado e tem que resolver o problema do lixo. Aí nos juntamos para dar uma solução. Outra questão em que eu procurei trabalhar conjuntamente com o GDF, e fui correspondido, é a mobilidade urbana. Estamos trabalhando juntos nos ministérios do Planejamento e Cidades, para viabilizar recursos do PAC, de mobilidade urbana das grandes cidades e estender o BRT para a direção de Valparaíso e Luziânia. Esse tem sido um trabalho constante. Já entramos com pedidos nesses dois ministérios e tivemos boas sinalizações por parte do coordenador nacional do PAC, da ministra Míriam Belchior e do ministro Aguinaldo Ribeiro.

Tínhamos ali três problemas graves relacionados a hospitais. O hospital de Valparaíso tinha sido começado há muito tempo, deixei o meu governo e não foi concluído. Concluí rapidamente e ele está funcionando muito bem. Mas havia duas pendências históricas, os hospitais de Santo Antônio do Descoberto e Águas Lindas. Esses hospitais receberam dinheiro do Governo Federal, mas estavam sendo tocados pelas prefeituras, que alegavam muitas dificuldades. E nós começamos desde o início do ano passado um trabalho para dar solução a esses dois casos. Aí, tivemos muita sensibilidade e apoio por parte do Ministério da Saúde e dos prefeitos. Os hospitais foram repassados para o governo do estado e, com isso, estamos fazendo novas licitações. Com ajuda do Governo Federal, nós vamos concluir esses hospitais e equipá-los a partir desse ano e botar para funcionar. Vamos transformar tanto os hospitais de Águas Lindas como o de Santo Antônio em hospitais de urgência. Os hospitais sempre foram bastante criticados, por supostamente sobrecarregar a rede pública do DF. Como o governo de Goiás tem trabalhado para resolver esse problema?

Quais as iniciativas para a educação e segurança na região?

Também tivemos uma grande preocupação com a educação no Entorno, levando programas como Prêmio Aluno e Bolsa Futuro, que é o maior programa de qualificação profissional do País. Nós resolvemos repassar o dinheiro direto para os diretores de escola para reformas de todas as escolas de toda a Região Metropolitana de Brasília. Praticamente todas foram reformadas. Na área de segurança pública, estamos construindo quatro presídios novos no Entorno. Três com capacidade para 300 presos e um, em Planaltina, com menor capacidade. Aumentamos o banco de horas para ter mais policiamento. Sabemos que ali é uma região muito conflagrada. Determinei que se aumente agora todo o efetivo para as cidades do Entorno. Estamos recrutando novos policiais civis, militares e bombeiros, por concurso, além de delegados. E também através de um programa chamado serviço militar voluntário, trazendo reservistas das Forças Armadas, bem treinados, homens que passaram até seis anos em treinamento, e vamos colocá-los nas ruas. Ali em muitas cidades já há uma sensação de melhoria da segurança.

Com relação à participação do Legislativo, tanto no DF, como em Goiás, o senhor tem recebido apoio dos parlamentares para as políticas para a Região Metropolitana?

Eu tenho tido apoio muito significativo dos três senadores goianos, Lúcia Vânia (PSDB), Cyro Miranda (PSDB) e Wilder Morais (DEM). Recebi desse tempo todo o apoio de toda a bancada federal de Goiás. Ao longo desse tempo, sempre senti uma boa vontade muito grande dos deputados do DF em relação às cidades do Entorno, mas eu faria um destaque todo especial para o senador Gim Argello (PTB), que foi fundamental para a viabilização de pelo menos três operações de crédito, indispensáveis para o governo de Goiás, para a execução desses projetos de governo. Ele tem sido, na base do governo da presidente Dilma, o grande interlocutor, viabilizador, de todos esses projetos que estão sendo desenvolvidos na Região Metropolitana.

Sobre o seu futuro político, qual será a prioridade, seja reeleito?

Eu passei em 2012 por dificuldades políticas, que estão sendo superadas. Espero que elas possam ser totalmente superadas em 2014 porque nós temos um elenco de investimentos, de obras e de avanços sociais e econômicos muito grandes. Aí, em meados de 2014, vou tomar uma decisão em relação ao que vai acontecer em Goiás com a nossa base. Minha grande preocupação é o projeto atual, de realizar o melhor governo da história de Goiás, superando inclusive os meus dois outros governos.

O governo instituiu o programa Reconhecer, que premia os professores com poucas faltas. O senhor está satisfeito com os resultados? Esse é o caminho para o resto do País?
Eu não diria que só o programa Reconhecer possa resolver o problema da educação no País. Nós aqui fizemos uma grande reforma educacional nesses últimos três anos, implantando um programa chamado Pacto pela Educação. Ele é composto de 25 pilares, que passam pela valorização e reconhecimento dos professores, melhoria da rede física, mudança grande no programas pedagógicos, valorização do aluno.

A violência sempre foi uma das questões críticas da Região Metropolitana. Os investimentos têm sido suficientes?

Temos problemas que fazem com que a violência aumente vertiginosamente no Brasil. Primeiro, só os governos estaduais são obrigados pela Constituição a investir em segurança. É preciso que a Constituição seja alterada e que todos, por forma vinculada, tenham a obrigação de investir um percentual de receita em segurança pública, porque é uma área que precisa de dinheiro, para a polícia e também para a inteligência. O mais complicado é o tráfico de drogas. Nós temos fronteiras muito grandes com Colômbia e Bolívia, infelizmente, mal guardadas. Isso resulta na facilidade para os narcotraficantes. Goiás está no centro, as pessoas chegam aqui facilmente. Apesar de eu ter investido desde 2011 na polícia de divisas, não é suficiente. Hoje, no estado e no País inteiro, 80% dos crimes são praticados em função das drogas, principalmente o crack. E o último motivo é a legislação processual penal, penal, que faz com que todo esforço da polícia seja quase em vão. Prende hoje e amanhã solta. A Justiça acaba soltando por força da legislação. É preciso endurecer a lei. Nunca se apreendeu tanta droga em Goiás como em 2013, nunca se prenderam tantas pessoas como agora. Mas em média, o traficante fica 40 dias na cadeia e sai para cometer crimes às vezes piores.

Quais os principais resultados dos seus três mandatos?

No ano 2000, nosso PIB era composto quase que todo pelos serviços da atividade agropastoreira. Só tínhamos 5% de participação da indústria e agora, já são 36%. Há 15 anos, quando eu assumi, o PIB era de R$ 17,5 milhões. Hoje, chegamos a R$ 130 milhões. Nesse período, foram gerados aproximadamente 800 mil empregos. Temos hoje três montadoras de veículos, Hyundai, Mitsubishi e Suzuki e também uma montadora de tratores. Temos também um parque industrial muito diversificado, principalmente nas áreas de medicamentos e confecções. E há vocação turística muito forte, turismo de águas quentes e religioso.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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