Questão racial motiva artistas a compor canções contra a opressão

Questão racial motiva artistas a compor canções contra a opressão O crime de racismo ganhou novamente os holofotes nas últimas semanas, por conta, principalmente, do jogador de futebol Tinga, do Cruzeiro, hostilizado por torcedores do time peruano Real Garcilaso, em jogo pela Libertadores da América

Gabriel de Sá

Guilherme Pera

No fim dos anos 1970, o compositor carioca Macau sofreu uma violenta repressão policial sem razão aparente. O motivo, constatou-se depois, era o fato de ele ser negro. Levado à delegacia, o artista viu seu cabelo rastafári ser zombado pelos oficiais, alguns da mesma cor que ele. Indignado, vingou-se da maneira mais digna possível. Ele é o autor de Olhos coloridos, faixa que, na década seguinte, na voz de Sandra de Sá, fez brancos, pretos, ricos e pobres exaltarem a negritude presente na cultura brasileira. “Sarará crioulo, sarará crioulo…”

“Escrevi a faixa como uma denúncia. A interpretação contundente de Sandra deu a ela aquela força toda”, conta o compositor, cerca de 35 anos após o incidente. A canção que alegra e inebria pode também fazer doer e sangrar. Macau é um dos vários artistas que, nas últimas décadas, fizeram uso da arte como arma contra o preconceito e vislumbraram na música um meio de se autoafirmarem.

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O crime de racismo ganhou novamente os holofotes nas últimas semanas, por conta, principalmente, do jogador de futebol Tinga, do Cruzeiro, hostilizado por torcedores do time peruano Real Garcilaso, em jogo pela Libertadores da América. A questão, mais uma vez, era a cor da pele. Além disso, vários casos de injúria racial no Distrito Federal chegaram aos noticiários nos dias que se passaram.

A música popular brasileira, miscigenada por natureza, trata da temática com propriedade. O gênero que aborda o racismo com mais frequência, e mais veemência, é o rap. Artistas de Brasília e São Paulo, principalmente, têm se empenhado em difundir o discurso antipreconceito.

A partir da década de 1990, o rap começou a ganhar voz na periferia do Distrito Federal, especialmente em Ceilândia. “Lá, os artistas se juntaram e conseguiram espaço na mídia para além das páginas policiais”, lembra o sociólogo Breitner Tavares, morador da cidade e autor do livro Na quebrada, a parceria é mais forte (2012), fruto de pesquisa sobre o gênero no DF.


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