Quem vai cuidar do lixo?


Apesar da promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2010, ainda existe um grande debate no Brasil sobre alguns pontos controversos da lei e a responsabilidade pela gestão do lixo por diversos setores. Para especialistas reunidos em São Paulo, neste mês, a solução passa pelo maior envolvimento da indústria na coleta seletiva e uma menor taxação de bens produzidos com matéria-prima reciclada

Suzana Camargo – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável

Juan Felipe Rubio/Creative Commons

Precisamos fechar o ciclo: usar, reciclar e reutilizar. Essa é a única saída para conseguirmos lidar com as enormes montanhas de resíduos produzidas pelo homem todos os dias no planeta. E para começar, não devemos mais utilizar a palavra lixo: o certo é resíduo – há resíduos sólidos e úmidos. O resto é rejeito, o que costumamos chamar de lixo orgânico. Os sólidos devem ser encaminhados para a reciclagem e o orgânico paracompostagem ou biodigestão. O caminho parece ser simples, mas ainda está longe de ser alcançado. Em nosso país, 40% do lixo doméstico ainda têm como destino oslixões e os aterros sanitários. “O Brasil tem uma sociedade que joga fora, não recicla”, afirmou o economista e sociólogo da USP, Ricardo Abramovay, conselheiro do Planeta Sustentável e autor do livro Muito Além da Economia Verde, primeiro com o selo do Planeta (Saiba mais no blog do livro).

Abramovay foi um dos debatedores da Roda de Conversa sobre Resíduos Sólidos, promovida pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS)*, este mês, em São Paulo. Além do economista, participaram da conversa Rispah Besen, doutora em saúde pública e especialista no assunto, e Ronei Alves, presidente da Central das Cooperativas do Distrito Federal. O encontro contou ainda com a participação da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que também faz parte do conselho diretor do IDS.

Para Rispah Besen, que integrou estudos e debates da Polícia Estadual de Resíduos Sólidos de São Paulo, houve um salto enorme com a implantação da nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), mas ela apresenta dificuldades para ser colocada em prática (leia a reportagem Senado aprovado PNRS: lixo agora é problema de todos). “Alguns prazos não foram realistas. Segundo a lei, os lixões devem acabar no país em 2014. Como fazer isso?”, questionou. A especialista defende o reconhecimento e a valorização dos catadores de lixo no Brasil. Segundo ela, a maior parte do material reciclável coletado hoje é realizada por eles. “Os catadores precisam ser remunerados dignamente pelo serviço prestado”, afirmou. Outro problema levantado por Rispah é a destinação do lixo orgânico. Só em São Paulo, 50% dos resíduos coletados são orgânicos e no Brasil apenas 3% deste tipo de lixo é usado em compostagem.

Ronei Alves falou sobre o trabalho dos catadores em Brasília. Na capital federal, eles são responsáveis por selecionar para a reciclagem oito mil toneladas de resíduos das 70 mil produzidas por mês na cidade. “Não recebemos um centavo do poder público para prestar este serviço”, afirmou. Isso porque a obrigação da coleta do lixo nas cidades brasileiras, segundo a Constituição, é das prefeituras municipais
.http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/quem-vai-cuidar-do-lixo-750896.shtml


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