Quando a Copa é em outros países a imprensa brasileira só fala mal do técnico, como aconteceu com o perseguido Dunga, estuda a bola do torneio, o televisionamento, mas com a Copa no Brasil é tudo diferente e torna a festa numa desgraça que faz a todos se arrependerem de sediar a Copa do Mundo de 2014, essa infeliz.


O BRASIL DAS RUAS

Inteligência longe do “padrão Fifa” Estruturas para integrar e coordenar as ações de segurança nas 12 cidades sedes da Copa do Mundo ainda não estão prontas. Preocupação do governo é com o aumento das manifestações de rua

JOÃO VALADARES
GRASIELE CASTRO


Manifestante e barreira policial em frente ao Estádio Nacional de Brasília: com o atraso nas obras, CICCs ficarão prontos às vésperas da Copa

A menos de quatro meses para o início da Copa do Mundo, os Centros Integrados de Comando e Controle (CICCs), os cérebros que vão interligar todas as forças de segurança envolvidas com o evento para execução de planejamento e táticas operacionais, ainda não ficaram prontos. Das 13 unidades previstas, que já poderiam estar funcionando para que os agentes públicos tivessem mais tempo de se adaptar à nova estrutura, 10 delas ainda estão praticamente pela metade. O ritmo lento agrava o já criticado e ineficaz trabalho de inteligência do governo para conter as violentas manifestações de rua, que sacudiram capitais brasileiras no ano passado e apresentam fortes sinais de recrudescimento. O fato é que o Brasil ainda carrega uma interrogação do tamanho do próprio território quando o assunto é a segurança na Copa.
Em 2013, o atraso no cronograma dos CICCs foi grande. São Paulo, por exemplo, apresentava apenas 17% de execução. Agora, o governo federal corre contra o tempo, mas garante que todos os centros serão entregues até abril. Dados oficiais da Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos (Sesge) apontam que a chamada “infraestrutura não técnica”, que engloba as instalações necessárias para o funcionamento dos equipamentos, anda em ritmo lento. Das 12 sedes da Copa, nove apresentam menos de 35% de execução nesse quesito. Em alguns casos, a exemplo do Paraná, até a semana passada, por exemplo, ainda não havia energia elétrica no local. Para iniciar o trabalho de integração das redes, os técnicos dependeram de um gerador.

É justamente pelo ritmo lento que as soluções tecnológicas ainda não foram implementadas completamente. Minas Gerais, por exemplo, só tem 11% do que o governo chama de solução integradora implantada. Quem tem a situação mais avançada é o Distrito Federal, com 44%, onde ficará o centro de controle nacional. Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo instalaram apenas 25% em relação à parte tecnológica da estrutura. As salas-cofres, entretanto, onde os servidores ficam guardados, estão prontas.

Nos bastidores, comenta-se que alguns estados, a exemplo de São Paulo, criaram problemas para repassar a base de dados para a integração das redes. Há até quem diga que a “má vontade” foi motivada por um possível boicote eleitoral do governo tucano para prejudicar os planos da presidente Dilma Rousseff. O governo paulistano nega. No início do ano, São Paulo apressou o passo e, mesmo assim, só tem metade da obra pronta até o momento. A Receita Federal também dificultou o repasse de algumas informações. O Palácio do Planalto foi acionado, e o problema, resolvido.

“Engrenagem”

Em entrevista ao Correio, o secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, delegado federal Andrei Augusto Passos Rodrigues, afirmou que o grande desafio é justamente fazer com que as forças consigam trabalhar de forma integrada. “O grande êxito vai ser conseguir fazer a integração entre as instituições, que cada uma cumpra seu papel e que essa engrenagem se mova de maneira perfeita”, afirmou.
Rodrigues reconheceu que o maior temor é com a violência durante as manifestações. “A grande preocupação da segurança pública não é com manifestações pacíficas. Nosso país é democrático, livre, e é um dever da segurança pública garantir essa normalidade do processo democrático. O foco da segurança pública e a preocupação é com a violência nos protestos. São os atos de vandalismo, depredações, saques, furtos e casos como esse lastimável episódio do Santiago”, salientou.

O secretário explicou a estratégia do governo para tentar evitar episódios violentos. “Nosso foco é esse: em primeiro lugar, tentar evitar que isso aconteça, com ações de inteligência e capacitação dos profissionais que atuam nesses eventos e, em segundo lugar, coibir, quando identificados, essa atuação criminosa de pequenos grupos que se usam do protesto para cometer crimes”, afirmou.

“O foco da segurança pública e a preocupação é com a violência nos protestos. São os atos de vandalismo, depredações, saques e furtos”
Andrei Rodrigues, secretário de Segurança para Grandes Eventos

Por Helio Borba 

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