PT ganha com as trocas no partido


PT ganha com as trocas no partido

Partido amplia o leque das administrações após a saída de candidatos

Daniel Cardozo

Em tempos de preparação para as eleições, o PT tem ganho ainda mais cargos do que já tinha dentro do GDF. Após a desincompatibilização dos futuros candidatos, foram nomeados petistas para os cargos vagos, ampliando assim o leque de secretarias e administrações nas mãos do PT e provocando outros partidos da base que reclamam da distribuição das vagas. A base, que já era conhecida como instável, pode fazer ainda mais barulho, caso não seja atendida.

Antes, as administrações de Águas Claras e Taguatinga, tinham nomeados do PTdoB e do PTB, o que não aconteceu mais. Após as prisões dos administradores, no ano passado, quem passou a ter controle das duas pastas foi o PT. O ex-secretário de Educação, Denílson Bento da Costa, foi nomeado para Águas Claras em dezembro e agora Taguatinga passou a Antônio Sabino, vindo da Administração do Cruzeiro e também filiado ao PT.

Reclamações

A insatisfação chegou à base do governo na Câmara Legislativa. “Tem candidatos do PT que não tem mandato, mas tem mais de 2 mil cargos no governo. Só não serão eleitos por pura incompetência. Todos os deputados precisam de cargos. Quem disser que não precisa, está mentindo”, reclamou um parlamentar.

Entre os órgãos do GDF, o PMDB controla a Novacap, as administrações do Recanto das Emas, Jardim Botânico e Paranoá e as secretarias de Obras e Transporte.

Por conta dessa disparidade entre os cargos, o deputado distrital Wellington Luiz (PMDB) afirma que a relação entre os partidos precisa ser aprimorada. “Eu já vinha falando meses atrás que o diálogo precisava melhorar. Até melhorou bastante, principalmente em relação à Coordenadoria de Assuntos Legislativos. Mas, por outro lado, tivemos essas situações nos cargos. Então a relação está muito aquém daquilo que esperamos”, disse Wellington.

Há diálogo, diz presidente

O presidente regional do PT, deputado federal Roberto Policarpo, minimiza os ganhos do partido em relação às pastas e explica que onde houve substituições existiu diálogo. “O governador conversou com o deputado Washington Mesquita sobre a mudança na Administração de Taguatinga e disse que gostaria de fazer um melhor processo de articulação política na cidade. Esse não é o momento de discutir espaços no governo, mas de trabalhar pela reeleição do governo”, cobrou.

Além disso, Policarpo lembra que o PMDB possui secretarias “estratégicas” dentro do governo. “A mobilidade urbana passa pelas secretarias de Obras e de Transportes. ”.

A briga por espaço já chegou à formação da chapa para as próximas eleições. O PT negocia com partidos da base a candidatura ao Senado. A pressão vem do G5, grupo formado por formado por PEN, PTC, PTdoB, PHS e PRP, além do grupo evangélico, de PRB, Pros, PTN, PSC e PP. Entretanto, o nome do deputado federal Geraldo Magela, escolhido pelos petistas, já teria aceitação dos aliados.

O presidente do PMDB e vice-governador, Tadeu Filippeli, não respondeu à reportagem.

Cruzeiro continua em mãos petistas

O novo administrador do Cruzeiro, Erizaldo Cavalcanti Borges Pimentel, tomou posse na sexta-feira. Professor e filiado ao PT, chegou para substituir o também petista Antônio Sabino, que foi para Taguatinga. Além das duas cidades, os petistas controlam as administrações de Samambaia e Ceilândia, importantes centros eleitorais do Distrito Federal. Nas secretarias, o PT foi responsável pelas indicações nas Secretarias de Desenvolvimento Social, Administração Pública, Transparência, Casa Civil, Cultura, Governo e Igualdade Racial.

Uma base inchada que, mesmo assim, causa sobressaltos

1. O número de deputados que apoiam o Buriti na Câmara Legislativa chegou em alguns momentos a 21, de um total de 24.

2. Já que o suporte às ações do governo depende de espaço político nas realizações do governo e de cargos, esse bolo precisava ser dividido entre todos os 21 da base.

3. Isso gerou críticas ao modo como a situação era conduzida pelo GDF, vindas dos próprios distritais que compunham essa inchada bancada governista.

4. Atualmente, a base está menor, com a saída de Aylton Gomes (PR) e com a posição independente de Joe Valle (PDT).

5. Além disso, o deputado Paulo Roriz (PP) sinalizou insatisfação com o Buriti, em episódios como a convocação dos comandantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros para explicações sobre as prisões de policiais.

6. Mesmo nesse contexto, o governo ainda está em situação de maioria, com pelo menos 18 deputados.

7. Do outro lado, a oposição durante todo o governo foi composta por Celina Leão (PDT), Liliane Roriz (PRTB) e Eliana Pedrosa (PPS), que tiveram dificuldades de atuação, como, por exemplo, várias tentativas de CPI que fracassaram.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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