Proposta do Governo Federal tira poder aquisitivo de professores, apontam sindicatos

Último reajuste salarial a docentes de instituições federais de ensino foi em julho de 2010 | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Felipe Prestes
A proposta de reajuste apresentada pelo Governo Federal, na última sexta-feira (13), aos professores de instituições federais de ensino geraria perda de poder aquisitivo a parte dos docentes, ficando abaixo da inflação. As duas principais organizações sindicais da categoria divergem sobre a quantidade de profissionais que seria prejudicado, mas concordam que não irão aceitar plenamente a proposição.
O Governo ofereceu um reajuste até 2015 que chega a 45% para os professores de universidades titulares, com doutorado, o nível mais alto da carreira; e um mínimo de 24,4% para o professor associado, com doutorado, de nível 1. Para os mestres, quase todos os reajustes ficam perto da casa dos 25%. Para os professores de ensino técnico ou básico que têm apenas graduação, o reajuste fica em 22%. O último reajuste havia sido em julho de 2010.
Para o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), entidade mais representativa da categoria em nível nacional, a inflação entre julho de 2010 e 2015 ficará em pelo menos 35% e boa parte dos professores perderá poder aquisitivo. “A proposta foi recebida quase que com espanto, nem mesmo mantém o poder aquisitivo. O único nível que não perderá nada é o mais alto, de titular doutor, que são poucas pessoas. Alguns níveis chegarão a 2015 com perda de 8% do salário. É ridículo querer que se dê acordo à perda de poder aquisitivo”, afirma Luiz Henrique Schuch, integrante da diretoria do ANDES.
A análise da Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (PROIFES) é menos pessimista que à do ANDES. A entidade estima a inflação do período em 25% e, portanto, considera que boa parte dos docentes terá reajustes reais. Mas também rechaçará que parte da categoria tenha perda de poder aquisitivo. “É óbvio que os valores estão aquém do que defendemos. O Governo Federal busca valorizar os doutores, o que é positivo. A maioria dos professores hoje é doutor. Mas achamos que ninguém deve ficar com reajuste abaixo da inflação. Para os mestres, a proposta é muito baixa”, diz.
“Agora a negociação está iniciando”, diz Schuch
O ANDES ainda está consultando suas bases, com assembleias regionais, mas o fato de haver perda de poder aquisitivo para parte dos docentes dificilmente não será rechaçado. A próxima reunião entre sindicalistas e o Governo Federal está marcado para a próxima segunda-feira (23), às 14h. O Proifes, segundo seu presidente, deseja conversar com o Governo ainda nesta semana. Ainda assim, é difícil prever quando a greve irá acabar.
“Consideramos que agora que houve proposta é que a negociação está iniciando. Antes não havia negociação”, afirma Luiz Henrique Schuch, dando a entender que a greve ainda pode demorar. “A tendência é a reprovação da proposta do Governo e até a ampliação da greve”, diz. Quando perguntado sobre a estratégia de greve para o próximo semestre, porém, o dirigente do ANDES afirma que espera um desfecho o mais rápido possível.
O ANDES também critica a reestruturação da carreira proposta pelo Governo. Segundo a entidade, a proposição consolida a “carreira desagregada”, em que, por exemplo, o acréscimo por dedicação exclusiva tem um percentual diferente para cada nível, bem como a gratificação por titulação. A entidade quer que uniformidade nas gratificações.
O Proifes, por sua vez, comemora que o Governo Federal tenha mantido duas carreiras diferentes, a de magistério superior (MS) e a de ensino básico, técnico e tecnológico (EBTT). O ANDES é a favor de uma só carreira. Para o Proifes, contudo, ao aproximar as carreiras, o Governo irá dificultar a progressão para os professores EBTT. “O Governo dialoga com propostas que fizemos, de duas carreiras separadas, equiparadas. Mas equipara até demais. A progressão do EBTT é mais difícil”, diz Eduardo Rolim de Oliveira.

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