Projeto Amor no Cabide agasalha quem precisa


Projeto Amor no Cabide agasalha quem precisa

Roupas de frio e cobertores são amarrados a cercas e postes por voluntárias

“Pegue ou deixe amor e calor nesse cabide”. Essa é a frase que resume o projeto social Amor no Cabide. Estampada em placas próximas a diversas paradas de ônibus do Distrito Federal, ela explica que nos cabides, amarrados a cercas e postes, há blusas de frio, calças, meias, gorros, luvas e cobertores. Quem precisar pode levar. E quem quiser doar está convidado a deixar os agasalhos no local ou entrar em contato com o grupo de voluntárias pelas redes sociais. Todos os dias os cabides precisam ser reabastecidos, tamanho é o sucesso do projeto que começou em Porto Alegre (RS) e chegou ao DF há duas semanas.


A professora e empresária Liliane Sousa Santos, mais conhecida como Lili Brasil, de 28 anos, é uma das responsáveis por trazer o projeto para a capital federal. “Sempre fui envolvida com projetos sociais. Tomei conhecimento do Amor no Cabide pelo Facebook, achei interessante e entrei em contato com as idealizadoras, que são gaúchas, para saber se poderia trazê-lo para cá. Elas adoraram a ideia, me explicaram como funciona e comecei a conversar com algumas amigas”.

O projeto tem sucursais em Uberlândia (MG), São Paulo (SP) e Curitiba (PR). Para torná-lo conhecido no DF, Lili montou um grupo no Facebook, o Amor no Cabide Bsb, e passou a divulgá-lo em sua página pessoal. “Já estamos com 65 voluntárias. A aceitação foi enorme. As meninas se dividem entre a captação de doações e administração dos pontos”.

Segundo Lili, porém, ainda há mais voluntárias na captação do que na coordenação dos pontos. “As que ficam na captação divulgam o projeto em suas redes sociais e pedem a ajuda de amigos e familiares para conseguir doações. Elas combinam encontros com os doadores, ou, dependendo do caso, buscam os agasalhos nas residências das pessoas. Já as responsáveis pelos pontos decidem onde ele será montado”, informa.
Toda ajuda é bem-vinda

A escolha de um ponto para colocação dos cabides não é tão simples quanto parece. “Assim como temos de contar com o bom senso das pessoas, para que só as que realmente precisam peguem as doações, também precisamos da ajuda delas para manter os pontos”, afirma Lili.

Segundo ela, tem gente que sem nenhum motivo arranca os cabides e as placas. “Para tentar inibir essas atitudes, pedimos a ajuda de vendedores ambulantes ou passageiros que frequentam as paradas diariamente. Ainda assim, muitas vezes colocamos as coisas em um dia e no outro não tem mais nada. É triste de ver”, lamenta.

Vandalismo

A chefe de cozinha Cristiane Leporace, de 43 anos, já passou pelo dissabor de ter um ponto sob sua administração destruído. “Tínhamos montado em uma árvore, próxima a uma parada de ônibus no Setor Bancário Norte. Não estava atrapalhando a passagem ou algo do gênero, mas em menos de dois dias arrancaram tudo, placas e cabides. Quando perguntamos, ninguém viu nada”, reclama.

Nova aposta é ponto instalado na 211 Sul

Agora a voluntária, que mora na 411 Sul, tenta montar um novo ponto. “Resolvi montar nesse alambrado, próximo a três paradas de ônibus da 211 Sul. O local é movimentado, tenho fé que dessa vez vai dar certo”. Após a montagem do novo ponto, Lili Brasil e Cristiane Leporace pediram a ajuda de dona Maria Veras, vendedora ambulante, de 60 anos, para cuidar do local.

“Achei a iniciativa muito bacana e me comprometo a ajudar a cuidar. Trabalho nessa região há mais de 20 anos. Chego às 12h30 e vou embora às 19h. Enquanto eu estiver aqui ninguém vai mexer, só se for para pegar ou doar roupas”, brinca. E completa: “ Eu vou pegar um agasalho porque estou precisando”.

Aprovação

A diarista Maria da Guia, de 38 anos, aprova: “Vou ver se tenho roupas e cobertores que não uso mais em casa para ajudar. Só torço para que pessoas que realmente precisam peguem as coisas”.

Cristiane sente-se recompensada. “Quando estava indo para o trabalho vi uma senhora pegando uma blusa de frio num dos pontos. Fiquei de longe, só observando. Ela hesitou, olhou ao redor, desconfiada, mas voltou e pegou uma peça de roupa”, orgulha-se.

“Também teve uma senhora com a filha pequena que me perguntou se poderia pegar um cobertor para a criança. Estava frio e ela começava a ficar preocupada porque a menina estava sem agasalho. Eu disse que sim, claro, e ela ficou supergrata”, lembra.

Saiba mais
Para quem quiser contribuir com esse bom exemplo de solidariedade há seis pontos de doação no DF, sendo três em Águas Claras, dois na Asa Sul e um no Cruzeiro.

A coordenadora Lili Brasil diz que o ideal seria ter pelo menos um ponto em cada região administrativa. Segundo ela, o projeto precisa de mais voluntárias dispostas a cuidar dos pontos.

Serviço
Quem quiser participar do projeto ou fazer doações pode entrar em contato com as voluntárias pelo Facebook, por meio do grupo Amor no Cabide Bsb, ou pelos telefones: (61) 8586-0414 ou 9971-9131.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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