Previsão otimista com mais policiais militares nas ruas


Previsão otimista com mais policiais militares nas ruas

Novos policiais estão sendo formados. Alguns índices de criminalidade estão em queda

Júlia Carneiro, com agências

Depois de um início de ano turbulento no quesito segurança pública, quando a violência no DF ganhou projeção nacional, os números da criminalidade começam a baixar. Entre janeiro e fevereiro houve uma redução de 36% dos casos de homicídio, e esse não foi o único índice em queda. Agora, em vez de desfalque na PM – por causa da Operação Tartaruga –, a corporação recebe 872 novos servidores: motivo de alívio para a população. Especialistas, no entanto, lembram que ainda há muito a ser feito. 

“O Governo do Distrito Federal continuará investindo no programa Ação pela Vida, que desde seu lançamento, em 2012, tem contribuído para uma redução sistemática dos índices de criminalidade”, diz o secretário de Segurança, Sandro Avelar, ao comentar os números (veja outros dados na infografia).

Novas turmas

Os novos policiais militares vão se somar ao efetivo de 15 mil, e a expectativa é formar novas turmas neste ano. Segundo o comandante da Escola de Formações de Praças (EsFP), tenente coronel Stefano Enes Lobão, o concurso de 2012 autorizava a convocação de 964 aprovados, mas muitos não assumiram ou foram eliminados por estarem com a idade avançada. Por isso, foi feito um novo edital para receber outros no lugar dos faltosos e, dessa forma, completar todos os 964.

Além da formação de 872 novos PMs, a Secretaria de Administração Pública está concluindo a análise de um pedido da corporação para convocar os demais aprovados no concurso de 2012. “Estamos aguardando a decisão”, destacou o chefe do Departamento de Gestão de Pessoal da PM, coronel Adilson Evangelista.

O reforço do efetivo policial deverá ser ainda mais amplo: a PMDF planeja abrir um novo concurso para oficiais. A expectativa é oferecer 50 vagas neste ano.

Até o concurso de 2012, os aprovados em concurso participavam do Curso de Formação de Soldados. Depois, quando fossem promovidos a cabo e a 3º sargento, precisavam participar de outros cursos. Atualmente, com a ampliação da carga horária, o Curso de Formação de Praças já capacita os participantes a assumir as três graduações.

Insatisfação, sim. Lentidão, não
Os novos policiais estão em treinamento, desde a última segunda-feira, na Escola de Formação de Praças, no antigo Buritinga. Serão oito meses de curso em regime integral antes que eles possam atuar nas ruas.

Apesar de alguns índices estarem em queda, outros ainda assustam a população. É o caso dos roubos com restrição de liberdade, popularmente conhecidos como sequestro relâmpago, que tiveram aumento de 24%. Já os casos verdadeiramente classificados pela polícia como sequestro relâmpago (quando, além de levar o carro, o ladrão pede dinheiro) são poucos). Por outro lado, Brasília deixou o ranking das 50 cidades mais violentas do mundo.

Para o vice-presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros (Aspra), Manoel Sansão Alves Barbosa, a quantidade de novos policiais é muito baixa: “O deficit é de 2,8 mil. Sai uma média de 600 policiais por ano. Esses 800 vão ajudar a tapar o buraco, mas não vão resolver o problema”, observa.

Em nome da categoria, Sansão indica que o grupo está insatisfeito e que é preciso reestruturar a carreira, mas diz que as paralisações e o atraso na resposta da polícia não acontecerão mais. “As operações foram extintas”, garante.

Medo

A população aplaude o fim das operações, mas exige ver mais policiais na rua. A professora Diana Pereira Lourenço, 31 anos, sai de casa a pé com os filhos pequenos e está sempre em alerta. “Está ficando difícil. A gente vê tanta coisa na TV que acaba ficando sempre com medo. Às vezes eu deixo o meu filho, de dez anos, voltar a pé da escolinha, mas fico ansiosa esperando”.

Para ela, a entrada dos novos policiais é muito bem-vinda porque muitas vezes percebe a falta de agentes próximo de casa. “Já morei perto de um posto policial que muitas vezes estava fechado”, conclui.

Os comerciantes também são vítimas da insegurança e trabalham com medo. Para tentar evitar problemas, os lojistas investem em câmeras, alarmes e grades.

O comerciante Jailson Araújo, 38, nunca deixou a própria segurança nas mãos da polícia. “Fiz a fachada com grade por questões de segurança. Mas nem isso garante”, diz o dono de uma distribuidora em Ceilândia. Jailson usa uma pequena janela para entregar as mercadorias, nunca sai de trás das grades.
Ponto de Vista
Para Antônio Flávio Testa, professor de segurança pública da Universidade de Brasília (UnB), a entrada de mais profissionais na PM não é a única resposta para uma cidade mais segura. “Vai dar um reforço mas, seguramente, não é o suficiente. Vale notar que Brasília tem muito mais PMs do que tantas outras cidades maiores que muitas vezes funcionam muito melhor”, ressalta. A forma de alterar o quadro de violência em Brasília, para ele, é por uma política integrada entre as forças armadas e auxiliares, sem politicagem e melhor gestão: “O problema é que a segurança pública é muito politizada, eles ficam só reivindicando o seu interesse e acabam sabotando o ofício deles. Houve um pequeno esforço de fazer uma política integrada de política pública, mas não deu o resultado que poderia ter dado”.

Novo helicóptero

A Polícia Civil também ganhará reforço. Será adquirido um helicóptero de porte leve, monomotor, com no mínimo seis lugares, orçado em R$ 10,7 milhões. O equipamento reforçará as ações de segurança pública pelos agentes da Divisão de Operações Aéreas (DOA), que atualmente possui apenas dois helicópteros, um com 12 anos de uso, e outro com 17 anos.

“O objetivo é modernizar a frota e permitir que se intensifiquem as operações. Há mais de 12 anos que a PCDF não adquire uma aeronave, que é necessária como suporte na repressão ao crime e para proteger a equipe de policiais em terra”, explicou o diretor-geral da Polícia Civil do DF, Jorge Xavier.

Licitação
O edital de licitação internacional foi publicado ontem no Diário Oficial do DF, com previsão de conclusão em até 60 dias.

Essa é a segunda licitação internacional aberta pela Polícia Civil do Distrito Federal. A primeira ocorreu em 2013, referente à aquisição de 100 fuzis de assalto e precisão, no valor de R$ 1,5 milhão. A estimativa da corporação é receber as armas em até 90 dias.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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