Policia Federal: Doleiro preso afirma que recebeu ’12 mi’ de empreiteira

Foto de Sérgio Lima – 18.out.2005/Folhapress


    O doleiro Alberto Youssef durante um depoimento prestado à CPI dos Correios, em 2005. …
Youssef (foto) foi preso na última segunda-feira pela Operação Lava Jato, deflagrada para apurar lavagem de dinheiro.
O doleiro Alberto Youssef disse numa conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal que recebeu 12 milhões da empreiteira Camargo Corrêa, sem detalhar se o valor era em dólar ou real, segundo documentos obtidos pela Folha.
A PF trabalha com a suspeita de que o dinheiro possa ter sido usado para pagar propina a políticos ou a funcionários públicos. Outra hipótese dos policiais é que o doleiro estaria lavando recursos que a empresa obteve de maneira ilícita.
A Camargo Corrêa não quis comentar a menção feita pelo doleiro de que era credor de 12 milhões da empreiteira.
O doleiro é um velho conhecido da PF. Ele foi preso em 2003, nas investigações sobre o Banestado, que apurou remessas ilegais de US$ 30 bilhões nos anos 1990 e 2000. Youssef fez um acordo de delação premiada, pagou uma multa de R$ 1 milhão e obteve perdão por entregar alguns clientes à PF. Na sua volta ao mercado paralelo de dólar, trabalhou até para um traficante que foi preso com 700 quilos de cocaína.

COMISSÕES

Na mesma operação, a PF apreendeu uma planilha sobre “comissões”, enviada por e-mail, na qual aparece a sigla CNCC no campo dos clientes, “em provável referência ao Consórcio Camargo Corrêa”. Os valor das comissões na planilha é de R$ 7,9 milhões. O consórcio faz parte das obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, orçada em R$ 9 bilhões.

O relatório da polícia diz que as comissões “indicam o envolvimento de Alberto Youssef com o pagamento de propina a agentes públicos”.

A planilha com as comissões foi enviada por uma empresa chamada Sanko-Sider, fornecedora de tubos de aço para a Petrobras.

A empresa também fornece tubos de aços para a transposição do rio São Francisco, na parte da obra próxima à Aracaju (SE), num contrato de cerca de R$ 10 milhões.
As comissões eram pagas pela Sanko-Sider para duas empresas controladas pelo doleiro, segundo a PF: MO Consultoria e GDF Investimentos. Uma das hipóteses da PF é que a Sanko-Sider repassava a políticos dinheiro que recebia da Petrobras.

O diretor comercial da Sanko-Sider, Marcio Bonilha, aparece na Operação Lava a Jato mantendo diálogos com o doleiro, a quem chama de “presidente” ou “presi”.

Em 2008, Bonilha teve a sua prisão decretada pela Operação João de Barro da PF, que investigava o desvio de recursos públicos.

Anteontem, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa, que tinha relações com o doleiro, foi preso por ocultar documentos. Costa ajudou a elaborar o contrato de compra da refinaria de Pasadena, que está sob investigação por ter provocado um prejuízo milionário à estatal.
Ele começou a ser investigado pela PF porque ganhou do doleiro um Land Rober Evoke, no valor de R$ 250 mil.

Os telefonemas interceptados indicam que o doleiro tinha outros negócios com o ex-diretor da Petrobras, um deles de R$ 9 milhões, que a PF ainda não sabe qual foi.

O doleiro faz um desabafo sobre aparentes reclamações de Costa: “Ele acha que foi prejudicado, você tá entendendo? Porra, foi prejudicado… o tanto de dinheiro que nós demos pra esse cara. Recebi 9 milhões em bruto, 20% eu paguei, são R$ 7 [milhões] e pouco. Vê quanto o Paulo Roberto levou”.

Fonte: MARIO CESAR CARVALHO – Coluna Poder – 22/03/2014 

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