PIPOKA: UM MITO DO BASQUETE BRASILEIRO COM CORAÇÃO ARARAQUARENSE


Esse é o cara… Pipoka Pipoka Vianna!!!
PIPOKA: UM MITO DO BASQUETE BRASILEIRO COM CORAÇÃO ARARAQUARENSE

Carlos André de Souza

O ano de 2002 foi histórico para o basquetebol de Araraquara. Em um Campeonato Brasileiro recheado de estrelas – entre elas o ‘mão santa’ Oscar Schmitd, que defendia o Flamengo –, a equipe da Uniara conquistou os amantes da modalidade, com um time de alto nível que alia
va juventude e experiência, técnica e raça, disposição e carisma. O resultado foi o vice-campeonato nacional, que ficou com um gosto de título para a cidade, que passou a respirar o basquetebol e confirmou a paixão com a melhor média de público daquele ano.
Fora de quadra, o saudoso técnico Tonzé – falecido seis anos depois por conta de um câncer – comandava um time que ficou marcado na memória dos torcedores que lotavam o Gigantão. Dentro de quadra, craques como Arnaldinho, Luís Fernando, Márcio, André Bambu, entre outras jovens promessas, eram liderados por um atleta que já tinha seu nome marcado na história do basquete brasileiro.
João José Vianna, o Pipoka, vestia a camisa 7 do time araraquarense, mesmo número que o consagrou na seleção brasileira. Um exemplo para os mais jovens e um ídolo para as crianças, que tinham a oportunidade de ver, de pertinho, um dos protagonistas de uma época relatada pelos seus pais, que descreviam uma seleção brasileira capaz de encarar qualquer adversário de igual para igual.
O pivô começou a jogar basquete aos dez anos influenciado pelos amigos em Brasília. Aos contrário do que muitos pensam, seu apelido não tem nada a ver com o basquete e foi dado a ele pela irmã de um amigo, na escola, onde ele ficava comendo pipoca todos os dias no pátio. Hoje, aos 48 anos de idade, tem uma carreira longa e cheia de vitórias. Jogou em doze times, incluindo uma passagem pela NBA (liga profissional norte-americana), no Dallas Mavericks. Ao todo, foram 34 anos como jogador, 16 deles dedicados à camisa amarelinha. Pela seleção brasileira, participou de três Olimpíadas, de três Mundiais e conquistou vários títulos, como a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987, o bicampeonato sul-americano e o tetracampeonato nacional pelo Monte Líbano (SP). Pipoka fez a alegria dos araraquarenses durante quatro anos e posteriormente voltou para Brasília, onde encerrou a carreira na cidade em que começou. Hoje ele trabalha como coordenador dos Centros Olímpicos da Secretaria de Esportes do Distrito Federal e ministra aulas de basquetebol em uma universidade particular. Resumindo, o esporte continua presente em seu dia a dia.
Mesmo de longe, o ex-jogador se mostra ‘antenado’ ao basquetebol araraquarense e se refere à cidade como ‘nossa Araraquara’. Em uma entrevista concedida ao jornal O Imparcial, o mito do basquete brasileiro relembra sua passagem pela cidade, comenta a atual situação da modalidade e prevê uma evolução do basquetebol brasileiro. Confira!

O IMPARCIAL – Você foi um dos principais responsáveis pelo melhor momento que o basquete de Araraquara viveu em sua história. Quando você se lembra daquela fase, o que lhe vêm à cabeça?
PIPOKA – Lembro de tudo com muito carinho desde o momento do convite para sair do Flamengo e ir para Araraquara. Mas os momentos mais marcantes foram os vividos com o meu grande amigo Tonzé e com o professor Dr. João Borin. Todos os sonhos da formação da nossa grande equipe, os trabalhos científicos realizados pelo Borin em busca de soluções para a melhora do time, a aplicação dessas soluções e os resultados em quadra… E que resultado! O Gigantão lotado, a cidade respirando basquete, a Uniara vivendo esses momentos intensamente. E foram muitos momentos. Nós, desde a formação dessa equipe, a qual eu já fazia parte, fomos a 19 finais seguidas! Desde torneios até o Campeonato Brasileiro, passando por Regionais e Jogos Abertos.

O IMPARCIAL – O que Araraquara significou na sua vida?
PIPOKA – Significou um lugar onde respeitaram de verdade a minha história. Fiz e tenho ainda grandes amigos. Me deram a possibilidade de fazer parte dessa grande equipe que foi forjada com grande sacrifício e que colheu resultados que até hoje são respeitados e admirados. Também significou a possibilidade de trabalhar com pessoas de grande conhecimento em suas áreas de atuação como o professor Borin, Tonzé, professor Fernando Mauro, isso para citar alguns.

O IMPARCIAL – Recentemente, o time araraquarense pediu afastamento do Campeonato Paulista e do NBB para se reestruturar financeiramente. Outras equipes de tradição no basquete nacional também passaram essa situação e outras até fecharam suas portas definitivamente. Como você vê as competições de elite sem o time de Araraquara e como você analisa esse momento crítico da equipe que tanto mobilizou a cidade na sua época?
PIPOKA – Pois é, fiquei triste com a notícia. Sei que muitas equipes sofreram e ainda sofrem com essas situações, onde não se tem um aporte financeiro duradouro, caso do nossos vizinhos e adversário queridos de Ribeirão Preto.
Sei que nossa (me sinto morador de Araraquara) cidade tem grandes empresas que podem ajudar a equipe. Claro que para isso deve-se mostrar um bom plano de ações e trabalhar para maximizar esses investimentos, mostrar ao investidor que ele vai atrelar a marca a uma equipe que sonha alto, buscando material humano de qualidade para se desenvolver um trabalho sério e de resultado como feito em outros tempos.

O IMPARCIAL – Em outubro de 2010 ocorreu um desabamento de uma aba externa do ginásio do Gigantão e até hoje ele está interditado (quase dois anos). Somente agora iniciaram as obras e a promessa da prefeitura é de que fique pronto até o final do ano. Você, que trabalhou muito naquele local, como avalia a importância desse ginásio?
PIPOKA – Rapaz, que susto deu essa queda. Ficamos imaginando o que, graças a Deus, não aconteceu, mas poderia ter acontecido, pois momentos antes o ginásio estava cheio. A cidade, o esporte de Araraquara, precisa muito do Gigantão. O basquete precisa dele. Muito do momento agora vivido pela equipe decorre da ausência de um local na cidade que comporte um público de basquete. Espero realmente que as autoridades, na pessoa do prefeito, venham a dar uma solução satisfatória e rápida para essa situação, pois todos queremos o Gigantão lotado de novo, seja com basquete ou outra modalidade, assim como foi feito um trabalho no estádio da nossa Ferroviária.

O IMPARCIAL – Que recado que você daria aos torcedores que até hoje têm você como um dos maiores ídolos do time?
PIPOKA – Que continuem a apoiar o esporte de Araraquara, seja no basquete, motocross, que agora temos um campeão com grande potencial, ou no futebol com a nossa querida Ferroviária. Sem vocês dando esse suporte, o esporte não existe.

O IMPARCIAL – Quais foram as pessoas que mais te marcaram em Araraquara?
PIPOKA – Como disse anteriormente, fiz e tenho grandes e queridos amigos na cidade e região. Além do professor Borin, do professor Fernando Mauro, tem a Gardêmia de São Carlos, o André da Droga Brasil, que foi a primeira amizade que fiz na cidade, o Montovani e esposa, dentre muitos outros e queridos amigos.

O IMPARCIAL – Como você vê o basquete brasileiro nos dias atuais?
PIPOKA – Ainda falta muito, mas estamos crescendo de novo. Depois de uma fase, vejo que estamos num outro momento, principalmente em termos de seleção brasileira. Em relação aos clubes, a criação da Liga deu aos clubes uma boa gestão e agora estamos aí colhendo bons frutos em termos de novos e promissores atletas que estão surgindo num ambiente bem profissional.

O IMPARCIAL – Como você imagina o futuro do basquete brasileiro, tanto em termos de clubes, como seleção brasileira?
PIPOKA – Estamos evoluindo em todos os setores do basquete. Infelizmente, ainda não voltamos aos bons tempos no feminino, pois carecemos de mais equipes na Liga Feminina para alavancar esse crescimento, mas estão sendo feitas gestões para que isso ocorra o mais rápido possível.
No mais, é receita de bolo, como diz uma grande amiga que agora tem uma loja de bolos na cidade. Não tem como dar errado se a gente investir na base. Foi o que fizeram os argentinos 20 anos atrás e hoje são nossa referência… Vejam só, argentinos!! Eu, como atleta, fico triste… (risos)

O IMPARCIAL – Qual foi o momento que mais marcou sua carreira no esporte?
PIPOKA – Foram vários. Não poderia deixar de citar o Pan de 87, lógico! As participações nas olimpíadas de Seul, Atlanta, Barcelona e muitos jogos, inclusive finais contra Ribeirão aí mesmo no Gigantão lotado! Não posso dizer que foi esse ou aquele momento o mais importante e sim que tenho um respeito muito grande por aquilo que construí com a ajuda de muitos profissionais para criar e me tornar o jogador que fui.

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