Perfil: professor que deu aula para Barbosa relembra o início de Brasília

Perfil: professor que deu aula para Barbosa relembra o início de Brasília O ex-padre e professor maranhense, hoje com 95 anos, editor da revista Brasília, deu aulas para Joaquim Barbosa e Fernando Collor

Renato Alves

“O Joaquim Barbosa era um sujeito muito bom, sem orgulho, sem vaidade e um aluno aplicado”

Ao desembarcar em Brasília, em 1956, Raimundo Nonato da Silva só encontrou mato e bicho. Ele chegou ao Planalto Central na primeira leva de moradores da nova capital. Aos 38 anos, seria o editor do primeiro veículo de comunicação da cidade ainda em construção, a revista Brasília, periódico mensal da Novacap. Mais do que noticiar o andamento dos trabalhos no quadrilátero dentro de Goiás, ele tinha a missão de afrontar e contrabalançar as informações divulgadas pela oposição ao governo de Juscelino Kubitschek.

Raimundo Nonato se dedicou ao trabalho de convencer todo o Brasil da importância da transferência da capital do litoral para a Região Centro-Oeste, de janeiro de 1957 a maio de 1963, período da publicação dos 81 números da revista. Mas por que missão tão importante havia sido designada a esse maranhense nascido em Barra do Corda no 13º dia de 1918? Por meritocracia, garantem os amigos. Antes de se mudar para Brasília, Raimundo havia sido padre, professor e editor de três jornais cariocas. No tempo de seminário, passou uma década na Europa estudando. Deixou o Velho Mundo dominando o direito e seis línguas (latim, grego, romeno, italiano, espanhol e inglês), além do português, claro.

Raimundo começou a ganhar a vida dando aulas de latim e português no Rio de Janeiro. Depois, passou a trabalhar em jornais até ser redator do então Ministério da Educação e Cultura (MEC). Nesse cargo, conheceu o médico Ernesto Silva, que havia acabado de trabalhar como secretário da Comissão de Localização da Nova Capital do Brasil (1953-1955) e seria nomeado presidente da Comissão de Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal (1956) e diretor da Novacap (1956-1961). Partiu de Ernesto o convite para Raimundo chefiar a recém-criada Divisão de Divulgação da Novacap e editar a revista Brasília.

Aceito o convite, Raimundo chegou a Brasília em 2 de outubro de 1956. Somente em 1962, com a cidade estruturada, ele trouxe a família do Rio. O casal e os filhos moraram dois anos no Brasília Palace, o primeiro hotel da nova capital, à beira do Lago Paranoá. Após o fim da revista Brasília, Raimundo voltou para o MEC e às salas de aula. Lecionou direito e pedagogia na UDF, a primeira faculdade particular da região, e várias disciplinas no Elefante Branco (908 Sul), Marista (615 Sul), Salesiano (702 Sul) e Cemav (Taguatinga). Entre tantos alunos ilustres, lembra de um em especial. “Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), o Joaquim Barbosa era um sujeito muito bom, sem orgulho, sem vaidade e um aluno aplicado”, comenta. Outros três foram Paulo Octávio, Luiz Estevão e Fernando Collor de Mello.



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