Pela primeira vez, o PT tem chance em Roraima


Oposição sai à frente, mas governador, que sai para disputar Senado, detém controle da máquina
Daniel Cardozo

O governador de Roraima, José de Anchieta (PSDB), deixará o poder sem deixar saudade em boa parte da população, como demonstram os baixos índices de aprovação. Com isso, o processo eleitoral no estado é visto como altamente competitivo. 

Apesar do peso que o governo tem habitualmente nas eleições locais, a rejeição a Anchieta tende a se estender ao candidato oficial, que deverá ser o vice-governador Chico Rodrigues, do PSB.

A principal candidata da oposição é a senadora Ângela Portela, do PT. Nas pesquisas, ela está acima do dobro das intenções de voto de Chico Rodrigues, mas o peso da máquina não pode ser subestimado.

Anchieta assumiu o governo em dezembro de 2007, após a morte do governador Ottomar Pinto. Ele conseguiu se reeleger em 2010, mas teve que responder por várias denúncias relacionadas a abuso de poder político, econômico, compra de votos, conduta vedada a agente público e fraude eleitoral nas eleições de 2006.

Cassação em suspenso

O pedido de cassação foi protocolado originalmente contra o governador falecido, mas o atual governador acabou sendo o alvo maior. Chegou a ser cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral, mas recorreu e conseguiu liminar no TSE, que ainda não julgou o processo.

Durante muito tempo, a especulação era de que o senador Romero Jucá (PMDB), nome mais influente no estado, seria o candidato a governador. Entretanto, ele se aliou ao vice Chico Rodrigues e terá seu filho, deputado estadual Rodrigo Jucá (PMDB), como vice. Rodrigues assumirá o governo em abril, por conta da desincompatibilização de Anchieta, para concorrer ao Senado.

O grupo do atual vice-governador aposta que ele pode mostrar trabalho durante os seis meses que restarão de governo, para que a candidatura seja vista com bons olhos. Mas a avaliação negativa pesa contra ele.

Já a senadora Ângela Portela (PT) vem para a eleição para representar a oposição ao atual governo. Em Roraima, o PT nunca chegou ao poder e, dessa vez, pode fechar uma ampla coligação. Os petistas chegaram a travar diálogo com 10 legendas, devendo coligar-se com PP, PTB e PRB.

A insatisfação com Anchieta se traduz em uma aprovação de apenas 26%, conforme pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) feita pelo Ibope.

Baixa rejeição é trunfo

Se as eleições fossem hoje, Ângela estaria à frente. Além de estar muito além nas pesquisas, tem rejeição baixa, o que facilita seu crescimento na campanha. Após um mandato de deputada federal, ganhou a cadeira do Senado como uma surpresa, pois enfrentou uma coligação das forças mais poderosas do estado: o governador Anchieta, Romero Jucá, que manteve a outra cadeira, e Marluce Pinto, viúva do ex-governador Ottomar e contraparente do próprio Anchieta.

Pesa contra Ângela, além da máquina governamental, o peso político do senador Romero Jucá em Brasília. Até há pouco líder da presidente Dilma Rousseff no Senado, Jucá é muito ligado ao ex-presidente Lula e, por essa via, pode não apenas obter apoio do Planalto como até desgastar a senadora dentro do PT. Com sólidos vínculos empresariais, Jucá tem também como carrear grande volume de recursos para a campanha.

Como terceira opção, mas ainda incerta, aparece o deputado federal Paulo César Quartiero (DEM), da bancada ruralista no Congresso. Falta convencer o DEM. Quartiero também responde a vários inquéritos e, produtor de arroz, ficou conhecido no confronto da reserva indígena Raposa Serra do Sol.

Entre idas e vindas

1 Entre os possíveis aliados do PT está o PP do ex-governador Neudo Campos, que já demonstrou interesse em ser deputado federal, mas a candidatura pode ser impugnada, já que também ele responde a inúmeros processos judiciais.

2 Neudo teve que desmentir recentemente boatos de que teria se aliado a Romero Jucá. De qualquer forma, não conseguiu reverter uma condenação pelo Tribunal de Contas da União, que o enquadra na lei da ficha limpa.

3 Após dois mandatos, Neudo tentou de novo o governo em 2010. Perdeu, mas quase tomou posse por duas vezes, quando o mandato do governador José de Anchieta foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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