Para Presidente do PRB, Russomanno se fortaleceria com apoio do PT e do PMDB

Marcos Pereira comenta o avanço de Russomanno na disputa pela Prefeitura de SP
Érica Saboya, do R7

Marcos Pereira, presidente do PRB, dá entrevista exclusiva ao R7 (Reprodução)
“Para mim, uma certeza”. É assim que o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, comenta o avanço de Celso Russomanno, candidato de seu partido à Prefeitura de São Paulo, nas últimas pesquisas eleitoras. Com a mesma confiança, o advogado fala sobre a trajetória do candidato, alvo recente de acusações na imprensa.
No intervalo entre duas reuniões, Pereira recebeu o R7 para uma entrevista exclusiva na casa onde funciona o escritório da campanha, da qual é o coordenador-geral. Com fala pausada e tom de voz baixo, ele avaliou o que seria o segundo turno ideal caso Russomanno passe da primeira fase das eleições.
— Para mim, o ideal seria ir contra o Serra. Primeiro porque a rejeição dele é grande. Segundo, porque eu acredito que o PMDB e o PT viriam conosco.
Líder do partido desde maio do ano passado e autor do convite que tirou Russomanno do PP, Pereira falou sobre os próximos passos da campanha, o tempo curto que a legenda tem para a propaganda na TV e sobre o julgamento do mensalão. Ainda sem perder a tranquilidade, o advogado comentou as denúncias contra Russomanno e fez um alerta.
— Se baterem na gente de forma inverídica […] nós vamos ter de nos defender. E a melhor defesa é o ataque.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
R7 — Na última pesquisa Ibope, Russomanno aparece tecnicamente empatado com o tucano Serra. Vocês esperavam esse avanço neste momento da campanha?
Pereira — Olha, eu resumi isso na seguinte frase: para muitos uma surpresa, para mim, uma certeza. Eu já esperava esse crescimento porque o Celso é uma pessoa muito querida.
R7 – Muitas vezes, ele é tratado como uma celebridade nas ruas, por causa dos programas que apresentou na TV. Isso é positivo ou negativo?
Pereira – É positivo, porque ele já é conhecido, não precisa se apresentar. O que nós vamos fazer agora, quando começar o horário eleitoral, é apresentar ele também como uma pessoa que tem capacidade para administrar, para gerir.
R7 – O tempo de propaganda na TV do Russomanno é bem inferior ao de seus principais adversários. Como vocês pretendem superar isso?
Pereira – Não é uma preocupação, porque temos, historicamente, candidaturas que ganharam eleição tendo tempo menor. Vamos trabalhar nos bairros, com as militâncias, para suprir o menor tempo na televisão.
R7 – Há alguma aliança prevista para uma eventual segundo turno?
Pereira — Não, ainda não temos.
R7 – A reunião que o senhor teve com Serra e com o prefeito Gilberto Kassab foi muito comentada. O que, de fato, foi tratado naquele encontro?
Pereira — O Kassab é meu amigo pessoal há muito tempo e ele queria fazer uma aproximação nossa com o Serra, desde maio. Conversamos de muitas coisas e eu disse para eles que nós não teríamos — e gostaríamos que eles também não tivessem — a intenção de bater em ninguém na eleição. Ele me confidenciou que preferiria ir para o segundo turno contra o Celso, porque acha que o debate seria mais republicano.
R7 – Mas o nome do Russomanno já foi envolvido em supostas denúncias…
Pereira — Acho que é uma tentativa de alguém, que nós ainda não identificamos quem, de tentar desestabilizar a campanha. Mas já foi provado pelos documentos que o relatório ao qual o jornal que trouxe esta denúncia se refere, nem cita o nome do Celso. Ele está muito tranquilo com a vida dele.
R7 – Vocês vão se reunir com outros partidos de oposição também?
Pereira — Sim, eu acho que é importante. Vamos entregar essa documentação, aí ninguém pode dizer que não sabia que o nome dele sequer foi citado no relatório da Polícia Federal.
R7 – Já tem uma data para essas reuniões acontecerem?
Pereira — Vou discutir isso com Celso. Acho que podemos fazer semana que vem [esta semana].
R7 — A campanha do Serra tem uma previsão de gasto de quase R$ 100 milhões e a do Russomanno, de 30 milhões. Por que esta diferença? Vocês podem ser prejudicados?
Pereira — Eu acho que não. Quando você tem uma rejeição muito alta, você tem que gastar mais para desmistificar essa questão. Por outro lado, um dos maiores custos na campanha é com a produtora. Como nosso tempo é menor, consequentemente vamos gastar menos. Além disso, os programas serão gravados a preço de custo porque o Celso é sócio da produtora.
R7 – Como vocês veem o fato de o Russomanno ser tratado, algumas vezes, como candidato da igreja?
Pereira — Não existe essa história de religião, que vai fazer uma coisa, vai fazer outra. O partido é um partido político, que está aí para fazer política. O PRB tem 780 vereadores, eleitos em 2008. Sabe quantos são evangélicos? Setenta só, menos de 10%. E desses, 55 são da Igreja Universal.
R7 – O que seria um segundo turno ideal para vocês nestas eleições?
Pereira — Para mim, o ideal seria ir contra o Serra. Primeiro porque a rejeição dele é grande. Segundo, porque eu acredito que o PMDB e o PT viriam conosco. Nós somos todos partidos da base aliada do governo Dilma.
R7 – Para o senhor, quanto o julgamento do mensalão pode refletir nas eleições municipais?
Pereira — Eu acho que vai atrapalhar um pouco, mas não muito. Eu tenho a impressão de que vão ter poucas condenações. Agora, vai depender obviamente de como os adversários do PT vão explorar isso.
R7 — Vocês pretendem usar isso em algum momento?
Pereira — Não. Acho que a população quer discutir os problemas da cidade: o farol que não acende, a enchente, o buraco que não é tampado. Isso é o que tem interesse para quem mora na cidade.
Agora, obviamente, que se baterem na gente de forma inverídica, que é o que aconteceu na semana passada, nós vamos ter que nos defender. E a melhor defesa é o ataque. Temos várias denúncias.

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