OPINIÃO PT, um partido autossuficiente

Por Ricardo Callado 


O PT é um partido complicado. E autossuficiente. Tão autossuficiente que já vem com oposição própria Não é discurso da oposição. Os próprios petistas assumem abertamente isso. A quantidade de tendências e subtendências faz do PT uma legenda diversa. São pelo menos duas dezenas delas. Algumas se agrupam em campos, como o Construindo o Novo Brasil (CNB) e a Mensagem do Partido (MS).

Todos brigam com todos. No final, se entendem. Quando não se consegue um entendimento, o resultado é a derrota do partido. No Distrito Federal, o partido já bateu cabeça. O governo Cristóvam Buarque, ex-PT, sabe do que está se falando.

O governador Agnelo Queiroz teve mostra do quanto é prejudicial essa política de colcha de retalhos. Não bastasse ter que administrar uma base aliada com 17 partidos, ainda enfrenta a disputa por poder e espaço dentro da própria legenda.

Em vários momentos Agnelo teve que administrar problemas criados dentro da própria casa. A deputada federal Erika Kokay (PT) fez oposição a um nome indicado pelo governador para presidir o BRB. O deputado distrital Patrício, então presidente da Câmara Legislativa, bateu de frente com Agnelo assinando até uma CPI contra o governo. Esses são apenas alguns exemplos.

Cristovam fez um bom governo. Implementou o projeto Bolsa-Escola no Distrito Federal, que foi premiado no Brasil e no exterior. Ainda foi criador do Poupança-Escola, Saúde em Casa, Mala do Livro e o Paz no Trânsito.

Segundo pesquisas da época, obteve 58% de aprovação (notas ótimo e bom). Foi classificado como o quarto governador de estado mais popular à época. Mesmo assim não conseguiu a reeleição. Resultado: perdeu para Joaquim Roriz (PMDB) por pequena margem de votos.

O seu governo foi marcado por muitas e longas greves de servidores públicos. A principal delas na área de Educação. Os sindicalistas ligados o PT não deram trégua ao governo do companheiro Cristovam. As disputas internas do partido também atrapalharam.

O PT amargou doze anos longe do poder. Perdeu as eleições com Cristovam (1998), Geraldo Magela (2002) e Arlete Sampaio (2006). Esta última foi a mais vergonhosa. Pela primeira vez o partido ficou em terceiro lugar na disputa, atras de José Roberto Arruda (DEM) e Maria de Lourdes Abadia (PSDB).

Agora é a vez de Agnelo ir à reeleição. Assim como Cristovam, vários sindicatos ligados ao funcionalismo público dão trabalho. A área de educação novamente é a mais contundente. As ameaças são constantes. Não adiantou colocar sindicalistas em áreas estratégicas do governo.

O Processo de Eleições Diretas (PED) do PT deixou sequelas. Dividiu mais do que uniu. Em muitas zonais a disputa foi acirrada.

O presidente Roberto Policarpo foi o vencedor. Mas a sua tendência e corrente majoritária, a CNB, obteve uma grande redução na bancada na executiva regional. Antes das eleições a CNB tinha 8 membros na Comissão Executiva Regional e o presidente. Agora, apenas 5 na divisão das vagas e a presidência. A Construindo Um Novo Brasil teve apenas 29.15% dos eleitores. Policarpo terá, oficialmente, apenas 6 votos na executiva, de um total de 17.

O grupo político ligado ao campo do ex-deputado Paulo Tadeu teve uma inexpressiva votação. Para a corrente do PT que mais tem cargos no governo, entre elas a Secretaria de Governo, o resultado de 357 votos, ou seja, apenas 6,68%, representa uma derrota política e eleitoral. Manteve apenas uma vaga na executiva.

Quem cresceu foi a corrente Coletivo Popular Chico Leite. Com 10,22% dos votos, o grupo do deputado e pré-candidato ao Senado Chico Leite subiu de uma vaga na executiva para 2 vagas.

Quem manteve sua importância foi a corrente Movimento PT, que assegurou as duas vagas conquistadas em 2009. Essa é a corrente liderada pelo deputado federal Geraldo Magela, secretário de uma das áreas do governo Agnelo mais bem sucedidas. Magela também é pré-candidato ao Senado.

O resultado sacramentou a candidatura de Agnelo à reeleição. Foi descartada a realização de prévias. Ao mesmo tempo, é bom o governador ficar de olho da disputa interna do partido. O fogo amigo pode atingir áreas do governo e atrapalhar a campanha.

Os petistas não são de ponderar suas ações. São espécies de memória curta. E as consequências eleitorais podem ser grandes. O governo Cristovam está ai para ser lembrado. Agnelo tem a missão de controlar o partido. Do contrário, o projeto de poder do PT pode ser prejudicado em 2014, 2018, 2022…

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