Opinião de Ricardo Callado

Augustização de Rodrigo

O sucesso eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) é fruto de um conjunto de fatores, que vai desde os programas assistencialistas aos mais pobres ao carisma debochado do ex-presidente Lula. Faz parte da estratégia a escolha do adversário. E rotulá-lo.

A política do PT é sempre a do bem contra o mal, da esquerda contra a direita. É a política do nós contra eles. A direita é demonizada. Qualquer coisa ou pessoa associada a ela deve ser repelida. E na mensagem do petismo, é claro, ele sempre estará do lado do bem.

E quando algo foge do controle, basta colocar a culpa nas elites, na imprensa ou na burguesia. Tipo: se um petista foi pego roubando, é a elite conspirando. É golpe, dizem. Chega a ser ridículo. O pior é que às vezes dá certo: uma parcela da população acredita.

O primeiro passo do manual petista é identificar o adversário. Ou escolhê-lo. Em Brasília, o Palácio do Buriti percebeu que o perigo vem do Senado. A dupla Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) representa nomes fortes para a eleição de 2014. …

Como Cristovam é esquerdista histórico e respeitado na sociedade, além de ser ex-petista, vai sobrar para Rodrigo. Inicialmente, o PT vai tentar cooptá-lo. Serão oferecidos espaços no governo. Uma segunda tentativa será pela cúpula nacional dos dois partidos. Caso nada dê certo, irão partir para a ofensiva.

Rodrigo vai ser demonizado. Irão empurrá-lo para a direita, candidato das elites. Caso viabilize sua candidatura à sucessão de Agnelo Queiroz, suas alianças serão questionadas. O senador vai ser taxado de traidor, burguês, representante do atraso e tudo que o PT acha que pode colar nele.

A questão é que Rodrigo é reconhecidamente de esquerda, se é que isso ainda existe. Mas não é radical. Irá fazer as alianças necessárias para vencer as eleições de 2014. Na periferia, o eleitorado está órfão. E o PT não conseguiu até agora atraí-lo. É a parcela da população que sempre votou em Joaquim Roriz.

O eleitor de José Roberto Arruda, principalmente de classe média, está sem rumo. Reluta em apoiar o PT. Não será demérito nenhum se Rodrigo trabalhar para conquistar esse eleitorado. Afinal, não estará atraindo apoios políticos, mas sim da população. Se conseguir, é porque teve competência para isso. Quem achar ruim foi incompetente eleitoralmente.

Rodrigo Rollemberg representa hoje a terceira via, mas será chamado pelo PT para fazer a luta principal. Ele deverá representar o antagônico. Além disso, o petismo tentará de tudo para transformar o senador no novo Augusto Carvalho (PPS).

Esquerdista, militante de movimentos estudantis e sindicais, Carvalho ousou afrontar a disputa PT-Roriz, que predominou em quase todas as eleições do Distrito Federal. Como é de esquerda, Augusto tiraria mais votos do PT.

O que fez o petismo: foi empurrando Augusto para a direita, até isolá-lo politicamente. Outro passo foi incentivar a saída das principais lideranças do PPS, levando a legenda de Augusto à inanição.

Com Rodrigo, o traçado é o mesmo. Mas, desta vez, o tiro tende a sair pela culatra. Uma campanha contra Rodrigo Rollemberg pode significar o seu crescimento eleitoral. O sentimento anti-petista está forte em Brasília. Ele pode até não se declarar de direita, nem rorizista, tampouco arrudista, mas vai agradecer cada voto que o PT lhe empurrar.
Por Ricardo Callado

Fonte: Blog do Callado – 22/09/2012

About A Politica e o Poder

One comment

  1. Espero que os eleitores de Brasília aprendam a lição e não confiem no PT, eles armaram contra Arruda tá na cara… rsrsr

%d blogueiros gostam disto: