Operador em fábrica do refrigerante oficial da Copa cria grupo de corrida na empresa


Operador em fábrica do refrigerante oficial da Copa cria grupo de corrida na empresa

Rodrigo Antonelli

Amanda Martimon

Felipe Seffrin – Correio Braziliense

Um levantamento divulgado após a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, apontou que o consumo de refrigerantes mais do que dobrou no país sede durante os 30 dias de competição. Foram comercializados mais de 1 bilhão de litros naquele fim de junho e início de julho. No Brasil, um estudo do ano passado mostra que a bebida gaseificada aparece, ao lado de cerveja, pipoca e salgadinho, como preferência nacional para acompanhar a programação esportiva no Mundial deste ano.

É nesse cenário que o trabalho de Elias Sousa do Nascimento, 31 anos, ganha mais importância e o aproxima da Copa do Mundo. “Já imaginou se falta refri no estádio? Não pode”, brinca o operador da máquina que enche as garrafas com o refrigerante oficial do torneio em uma fábrica de Brasília. Morador do Riacho Fundo, ele não vai conseguir acompanhar o Mundial de perto — já adianta que os ingressos estão muito caros —, mas não tem dúvidas de que é parte da festa. “Não existe futebol sem uma cervejinha ou refrigerante para acompanhar, dentro ou fora do estádio. Nosso trabalho é importante para deixar a Copa completa”, diz, cheio de orgulho.

Equipe criada na fábrica por Elias ganhou profissionalização e disputa provas fora da cidade

Bom humor à parte, Elias também é conhecido na fábrica por sua disposição como esportista. Amante das corridas de rua desde 2004, quando foi apresentado à modalidade pelo irmão, ele não demorou a levar seus hábitos para dentro do ambiente de trabalho e ajudou a formar um grupo de corredores entre os colegas. “Sempre me encontrava com o Erick (Novaes), outro funcionário, nas provas da cidade. Um dia, surgiu a ideia de criarmos um grupo só com o pessoal da fábrica”, lembra. “Muita gente se interessou e ele foi crescendo.”

Lá se vão oito anos, a equipe de corrida ganhou nuances profissionais e conta agora com 50 atletas patrocinados pela própria empresa. Eles recebem auxílio para competir no Distrito Federal e em algumas das principais corridas de outros estados. “No ano passado, corri em 20 provas. Algumas fora da cidade”, comemora Elias, que já completou a volta da Pampulha, em Belo Horizonte, e a São Silvestre, em São Paulo. “Se não fosse a corrida, talvez nunca tivesse conhecido outros lugares.”

Aos 31 anos, Elias ainda é um dos destaques da equipe. Ao longo da “carreira”, acumula 180 medalhas em provas de rua pelo país e não pretende parar tão cedo. O objetivo é alcançar 1 mil medalhas. “O bom da corrida é que não tem prazo de validade. Quero correr até ficar bem velhinho, com 80, 90 anos”, projeta.

Inspiração

O grupo de corrida que teve Elias como um dos pioneiros serviu como porta de entrada no esporte para muitos funcionários. É o caso do analista de qualidade Glayton Roriz, 28 anos, que perdeu 35 quilos depois que conheceu a modalidade e agora se considera um viciado. “Pesava 120 quilos e comecei a praticar por causa da minha saúde. Perdi o peso que queria e, agora, não consigo largar mais. Corro quase todos os fins de semana.”

Rebeca Mameri, 27 anos, entrou para a equipe da fábrica depois da gravidez e não tem dúvidas quanto aos benefícios do esporte. “Sinto que estou muito mais disposta para tudo.” O treino fez evaporar os 25 quilos que ela ganhou no período de gestação e agora tem um prazer a mais. “Consigo levar minha filha para as corridas. Vou empurrando o carrinho, ela se diverte.”


About A Politica e o Poder

%d blogueiros gostam disto: