Ônibus velhos estariam sendo trocados por outros mais precários no DF

Francisco Dutra

O diretor-geral do Departamento de Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), Marco Antônio Campanella, denuncia que algumas empresas que operam no sistema de transporte público coletivo estão substituindo veículos velhos por ônibus mais antigos ainda. Para ele, está havendo sabotagem.

E tem mais. De acordo com ele, durante as vistorias periódicas obrigatórias, os veículos ganham peças novas que logo depois são substituídas por outras mais velhas. Campanella destacou que o GDF abriu investigação para apurar o fato, que coloca em risco a vida de mais de um milhão de brasilienses que são transportados diariamente pelo sistema.

O sistema público está em fase de transição e, para tanto, o governo prepara uma grande licitação. O processo encontra-se em fase delicada de habilitação das empresas concorrentes, no qual toda documentação deve ser analisada minuciosamente para evitar futuras pendências jurídicas. Ainda não há data para o conclusão do processo. “Temos sinais claros de esgotamento nas ruas. E nosso desafio é fazer com que na transição usuário tenha o atendimento a quem tem direito”, explicou o diretor-geral.

Campanella explicou que o órgão está preparando um relatório detalhado sobre as falhas de manutenção e a controversa substituição de veículos. Conforme o resultado da apuração, o diretor-geral não descarta a possibilidade de aplicação de punições para os responsáveis. “Não vamos permitir ônibus velhos no lugar de novos”, prometeu. A reportagem entrou em contato com a direção do sindicato das empresas de ônibus no DF. No entanto, até o fechamento desta reportagem, a entidade não havia se pronunciado.

Na avaliação do doutor em políticas de transporte da Universidade de Brasília (UnB) Joaquim Aragão, pelo fato de o sistema estar em transição e em vias de entrar em licitação, as empresas que operam o sistema não precisam necessariamente substituir ônibus velhos por veículos novos, pois estas mesmas empresas poderão ficar fora do novo modelo. No entanto, elas são obrigadas a garantir a qualidade do serviço. Aragão lembrou que a lei ainda prevê que, eventualmente, o Poder Público terá de indenizar os recursos investidos no sistema.

“Acompanhei um processo semelhante no Japão. Eles empregaram ônibus velhos, mas a manutenção era perfeita”, lembra.

O diretor do Sindicato dos Rodoviários do DF, Raimundo de Carvalho, diz que não identificou qualquer troca de coletivos antigos por veículos velhos. Mas admite que a categoria tem sofrido com a falta de manutenção da frota. “Sofremos tanto quanto os passageiros”, resumiu.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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