Ocorrências envolvendo a falsificação de documentos cresceram 19,7% este ano

Os crimes de falsificação de documentos e uso de documentação falsa avançam no Distrito Federal com o registro de pelo menos um caso a cada dia. Segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública, de janeiro a agosto de 2011, foram 314 registros. No mesmo período deste ano, o número de ocorrências desta modalidade criminosa cresceu 19,7%, passando para 376.

Trata-se de uma ameaça pulverizada em todas as regiões administrativas. As vítimas não se limitam aos cidadãos que tiveram seus documentos clonados, mas também estão na cadeia econômica, a exemplo das instituições financeiras e comércios. Por exemplo, o golpista falsifica os documentos e aluga um imóvel para conseguir um empréstimo no banco. Após fugir com o dinheiro, todas as partes envolvidas vão ter um certo prejuízo.

Em muitos casos, além do susto, os alvos dos golpistas não conseguem recuperar o dinheiro ou acabam sendo empurrados a disputas na Justiça para conseguir o devido ressarcimento. Quando se detalha os números, chamam a atenção as ocorrências por uso de documento falso. De janeiro a agosto de 2011, foram 191 casos. No mesmo período deste ano, o número saltou para 244.
Os casos de falsificação dos documentos apresentam números menores. No mesmo período do ano passado, foram 42 casos. Neste ano, o total chegou a 52. Por outro lado, os casos de apresentação de falsa identidade tiveram uma leve queda. Caíram de 81 para 77, dentro do mesmo recorte temporal.

Recentemente, o delegado da 23ª Delegacia de Polícia (Ceilândia), Christian Araújo Alvim, trabalhou em um caso onde estelionatários forjaram documentos falsos em um golpe de R$ 100 mil. Araújo conta que os golpistas falsificaram documentos de vendedores, empresas e até ex-donos do imóvel para ludibriar a vítima. Segundo o delegado, o grupo clonou diversos documentos para maquiar a venda irregular de um imóvel.

O delegado lembra que aos criminosos não agem mais apenas em bancos ou buscando maneiras de surrupiar documentos e dados pessoais das vítimas para as fraudes. Pela internet, quadrilhas buscam cliques desavisados de vítimas para lucrar.

 A situação é agravada pelo descompasso dos mecanismos de segurança e das próprias leis. Como no Brasil não há uma unificação e padronização dos meios de acesso e fiscalização dos documentos pessoais, fica praticamente impossível monitorar a produção e uso da documentação. Paralelamente, o Código Penal apresenta uma pena muito branda, em comparação com a margem de lucro dos bandidos.

Pedindo o anonimato, um jovem trabalhador de Ceilândia contou que teve o cartão clonado há poucas semanas. “Fui sacar R$ 1.120 para pagar a prestação do carro e o dinheiro não estava no banco. E a gente sempre pensa que nunca vai acontecer conosco”, lamentou. Hoje, o rapaz busca na Justiça o ressarcimento do dinheiro.

No ano passado, o operador de maquinário Willian Ocimar Garcia, 29 anos, sofreu prejuízo semelhante. O trabalhador se assustou ao perceber que haviam sacado R$ 1 mil de suas finanças. Após apresentar as provas, ele recebeu o dinheiro de volta, mas mudou de agência e passou a tratar de suas transações financeiras apenas na boca do caixa.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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