O fim da exploração

Uma grande operação, chamada de Red Light e comandada pela Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (Deam), desmantelou uma rede de prostituição de mulheres, homens e travestis que agia no Distrito Federal. A polícia investigava a quadrilha desde junho e chegou aos criminosos após denúncias anônimas. O valor dos programas sexuais podia chegar a até R$ 10 mil. 

A operação foi batizada de Red Light, em referência a uma zona de prostituição em Amsterdam, capital da Holanda. Após as investigações foram identificados, pela polícia, três núcleos dentro do esquema, que seriam encabeçados por Jeany Mary Corner, Marylene Fernandes de Oliveira e Vilma Aparecida Pessoa Nobre. Segundo a polícia, elas eram chefes de esquemas separados, mas que em algumas ocasiões “interagiam por objetivos comuns”, como agenciamento de garotas.

Cerca de 50 policiais e dez delegados atuaram no caso. Eles deflagraram a ação por volta das 5h de ontem. Foram cumpridos dez mandados de prisão temporária, entre eles o do policial militar Alexandre Nunes dos Santos. Além das prisões, foram expedidos 12 mandados de busca e apreensão. Foram recuperados 24 veículos, muitos deles de luxo, como uma caminhonete S10, um utilitário SW4 e duas motos das marcas Kasinski e Honda.

Rufianismo

A delegada-chefe da Deam, Ana Cristina Melo, explicou que a prostituição não é crime no Brasil, mas que atividades que estariam vinculadas à prática na rede, como o rufianismo (quando se tira proveito financeiro da atividade sexual de terceiros), tráfico de drogas, pedofilia e exploração sexual de menores, sim. “As jovens sabiam mais ou menos para o que eram contratadas, mas havia um encantamento em relações às funções”, explica a delegada. Após entrarem no esquema, os que queriam sair eram impedidos e sofriam ameaças.

Segundo ela, as meninas pagavam 50% do que recebiam pelo programa para os chefes da quadrilha. E desembolsavam dinheiro para a locação de imóveis, transporte e aluguel de roupa de cama.

Versão Oficial

Procurada, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) disse que “a Corregedoria do órgão abrirá um procedimento apuratório para investigar, sob o aspecto ético-disciplinar, a conduta do policial militar preso na operação da Polícia Civil.”

Apreensão de susbstâncias ilegais

Também foram apreendidos um computador, R$ 18 mil, cartelas de preservativos masculinos, joias e substâncias ilícitas no Brasil. O PM envolvido é suspeito de ser um dos responsáveis pela manutenção do site e pelo tráfico internacional de substâncias ilegais, como anabolizantes. Por ocupar cargo público, Alexandre Nunes dos Santos deverá responder criminal e administrativamente pelo envolvimento com organização criminosa.

Anúncios em um site na internet

Os serviços de prostituição seriam ofertados, segundo apurou a investigação, por meio de anúncios em um site na internet. Os usuários tinham acesso ao nome e ao telefone dos acompanhantes para poder manter contato. Segundo a polícia, ainda não há comprovação, mas existe suspeita de que haja esquema de tráfico de influência por trás da rede e que os principais clientes da quadrilha sejam políticos, empresários e servidores públicos.

Essas atividades seriam vinculadas a outras de suporte, aparentemente regulares, como a sublocação de imóveis, locação de roupas de cama, confecção de books fotográficos, transporte de pessoas, entre outras. Os negócios resultavam, segundo a polícia, em grandes movimentações financeiras, incompatíveis com as atividades profissionais declaradas pelos suspeitos.

Com Jeany Mary Corner, a Polícia Civil apreendeu computadores e agendas com nomes de possíveis contratantes dos seus serviços. Jeany Mary Corner e as demais suspeitas foram autuadas pelos crimes de favorecimento da prostituição, rufianismo, tráfico interno de pessoas, casa de prostituição e associação criminosa. A quadrilha atuava principalmente no Distrito Federal, mas também trazia pessoas de outros estados, principalmente de Goiás, pela proximidade regional.

Os jovens aliciados tinham entre 18 e 30 anos e passavam por uma rigorosa seleção de beleza. Muitas das meninas eram modelos e algumas já fizeram ensaios fotográficos, inclusive, para revistas masculinas. Foram identificados três pontos de forte atuação do grupo no DF: Asa Norte, Asa Sul e Guará. A delegada falou sobre a necessidade de coibir ações que incentivem a prostituição e práticas criminosas “Precisamos ficar atentos a anúncios de jornais e ao aluguel de imóveis declaradamente para prostituição”, diz.

Vítimas
As garotas estão sendo tratadas pela polícia exclusivamente como vítimas do esquema. Se for comprovado que os clientes investigados sabiam das condições em que os serviços eram prestados dentro da organização, eles também podem ser indiciados.

Durante toda a manhã, parentes e advogados dos acusados entraram e saíram da Deam sem prestar mais esclarecimentos. Por volta das 10h15 uma das vítimas prestou depoimento. Na parte da tarde as presas foram transferidas, juntas, para o Presídio Feminino do Distrito Federal, conhecido como “Colméia”, onde aguardarão o julgamento.

Saiba Mais

Jeany Mary Corner, ex-mulher de Paulo Jorge Corner, outro acusado, já havia sido citada na CPI dos Correios como agenciadora de acompanhantes para eventos organizados por políticos, em Brasília.

Ela também foi um dos pivôs do escândalo que derrubou Antônio Palocci do Ministério da Fazenda durante o primeiro governo Lula, em 2005.

Nos dois episódios ela negou envolvimento nos esquemas e afirmou trabalhar apenas com promoção de eventos.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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