O doloroso adeus ao insubstituível escritor Gabriel García Márquez

O doloroso adeus ao insubstituível escritor Gabriel García Márquez O México prepara uma homenagem para segunda-feira no emblemático Palácio de Belas Artes

México – O mundo da literatura e vários fãs lamentavam nesta sexta-feira a morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez, que faleceu na quinta-feira no México, em meio ao segredo da família sobre o destino das cinzas.

Moradores mantêm velas acesas em frente à casa de Gabriel Garcia Marquez para homenageá-lo

O corpo do Nobel de Literatura, falecido aos 87 anos, será cremado em uma cerimônia privada, informou a família em um breve comunicado, sem revelar a data.

Diante da casa do escritor, no bairro de Pedregal, zona sul da Cidade do México, ainda não recebia convidados na manhã de sexta-feira e tinha a proteção de uma viatura policial. As flores, livros, doces e outros presentes deixados na quinta-feira por fãs já foram recolhidos.

Em total privacidade, a família recebeu na noite de quinta-feira alguns escritores mexicanos como Héctor Aguilar Camín, Ángeles Mastretta e Xavier Velasco, assim como amigos e parentes.

A viúva, Mercedes Barcha, e os filhos Rodrigo e Gonzalo decidiram que não acontecerá uma cerimônia fúnebre de García Márquez na funerária para a qual o corpo foi levado na quinta-feira.

Sem notícias sobre o local de repouso das cinzas do pai do realismo mágico, o México prepara uma homenagem para segunda-feira no emblemático Palácio de Belas Artes.

Ao mesmo tempo, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, ofereceu à família de García Márquez todo o apoio necessário caso desejem uma homenagem no país, que decretou três dias de luto nacional pela morte “do maior colombiano de todos os tempos”. A família tampouco revelou oficialmente as causas da morte.

Flores e um livro de Gabriel Garcia Marquez foram colocados na entrada de sua casa

“Os médicos anunciarão posteriormente, suponho”, se limitou a declarar Jaime Abello, diretor da Fundação Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI) – fundada e presidida por García Márquez -, que acompanhou María Cristina García, diretora do Instituto Nacional de Belas Artes, na leitura do comunicado da família.

O também célebre jornalista recebia atendimento médico em casa desde que, em 8 de abril, havia recebido alta do hospital no qual permaneceu internado oito dias por pneumonia. O jornal mexicano El Universal informou que o autor sofreu uma recaída e expansão do câncer linfático diagnosticado há 15 anos.

O desamparo das letras

A morte de um dos autores mais universais da história da língua espanhola provocou muitas homenagens e mensagens de pêsames de colegas, políticos e admiradores.

“Desde Cervantes não havia existido um autor que conectasse de maneira tão ampla com o castelhano”, afirmou o escritor mexicano Juan Villoro.

Villoro, um dos professores de jovens jornalistas na FNPI, também ressaltou o valor da obra jornalística do Prêmio Nobel. “Só um jornalista como García Márquez poderia ter feito a cobertura de uma notícia como sua morte”, disse.

Na Europa, as homenagens também foram intensas. Mariano Rajoy, primeiro-ministro da Espanha, enviou um telegrama no qual expressava em nome do país o “mais sincero afeto e admiração pelo escritor imprescindível e mais universal da literatura em espanhol da segunda metade do século XX”.

O presidente francês, François Hollande, recordou a figura de García Márquez tanto pelo “impacto universal” de sua obra literária como por seu combate “contra o imperialismo” no trabalho jornalístico.

“Com García Márquez desaparece um gigante da escrita, que deu projeção mundial às representações imaginárias de todo um continente”, afirma Hollande em um comunicado.

Para o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso, Gabriel García Márquez foi uma “voz da América Latina que virou uma voz de nosso mundo”.

“Sua imaginação nos tornou mais ricos e sua morte nos deixa mais pobres”, disse Barroso.


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