O BOBO DA CORTE, A RAINHA E O PALHAÇO

   No caos institucional da Polícia Militar e Bombeiros do DF e aproximando-se do período eleitoral, candidatos e pré-candidatos de olho nos votos das corporações começam a se digladiar com o intuito de receber a simpatia dos insatisfeitos.

A audiência na Câmara Legislativa para tratar da Segurança Pública, resultou em um debate de baixo nível envolvendo o Deputado Distrital Patrício e o Secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, ambos com ambição à Câmara Federal.

Da tribuna, o deputado pediu que Avelar deixasse de ser “frouxo” e que tomasse providências para “resolver a segurança pública do Distrito Federal”. O secretário por sua vez respondeu chamando o parlamentar de “bobo da corte”, “irresponsável” e “safado”.

“A frase mais perfeita que V.Exa. falou aqui, é a que mais se assemelha à nossa situação: que a legislação é frouxa. Agora imagina um policial ser frouxo… Então, é preciso que o secretário de Segurança, não vou mais chamar V.Exa. de rainha da Inglaterra, deixe de ser frouxo, e tome medida para resolver a segurança publica do Distrito Federal”, disse Patrício ao secretário que é delegado de carreira da Polícia Federal. O distrital, cabo licenciado da PM, é um dos representantes da corporação na Câmara Legislativa.

Após a audiência, o secretário de Segurança disse ao G1 que não se surpreendeu com as declarações de Patrício. “Eu estou preocupado com a segurança pública do Distrito Federal. Ele (deputado Patrício) está preocupado com as eleições. Este tipo de postura não ajuda em nada para resolver uma crise que existe”. O deputado Patrício deixou o plenário da Câmara Legislativa antes do encerramento da audiência. (G1)

Com o nível de violência em alta na capital do meu país, as autoridades usam os microfones do parlamento, para ataques pessoais com vistas às eleições. A falta de respeito e sensibilidade com os cidadãos, principalmente àqueles que perderam seus entes queridos, nos leva a refletir sobre a qualidade de representação política que temos tanto na Câmara Distrital como na Federal.

O governo local que é do mesmo partido do governo federal, com uma base maiúscula na bancada distrital e com forte influência na bancada federal, não conseguiu ao longo de 3 anos viabilizar junto ao Planalto alguns itens das 13 promessas feitas aos militares.

O Governo de Agnelo em ano eleitoral sabe que precisa de apoio das classes trabalhadoras e enfrenta um forte embate com a corporação responsável por trazer tranqüilidade ao cidadão, direito previsto na Constituição Federal.

A culpa pela “Operação Tartaruga” é mesmo dos policiais? Tem mesmo interesses políticos por detrás disto? Sim, absolutamente! Como também havia interesses à época das 13 promessas.

Em toda essa dramaturgia que envolve a Rainha da Inglaterra, o bobo da corte e as peças do xadrez, os palhaços contribuintes vão perdendo ainda mais sua esperança neste governo, que ignora a massa popular e acaricia indubitavelmente suas estrelas.

Esdras Messias

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