Nova versão dos fatos do Campeonato Candango


Motorista do Formosa diz que teve recaída com droga antes de ter sido supostamente sequestrado

Isa Stacciarini

O mistério a respeito do sumiço das chuteiras e material esportivo do clube goiano Formosa às vésperas do primeiro jogo do Campeonato Candango de 2014 envolve droga, prostituição e revelações inconsistentes. O motorista que transportaria os jogadores para o Estádio Elmo Serejo disse à polícia ser ex-usuário de droga e confessou que no dia anterior à partida consumiu crack depois de deixar os atletas em um hotel em Taguatinga. 

O inquérito policial, que inicialmente foi aberto para investigar um possível roubo com restrição de liberdade contra o condutor do ônibus, agora pode mudar de direção. Isso porque no segundo depoimento à polícia, que durou seis horas, o motorista Charles Amâncio Vieira, 34 anos, apresentou versões controversas e teve memória seletiva.

Droga

Embora tivesse um quarto reservado no hotel onde os jogadores estavam hospedados, o condutor preferiu não usar o benefício. Na última sexta-feira, por volta das 20h30, logo depois que estacionou o ônibus nas proximidades do hotel, Charles teria ido a pé até um setor de bares em Taguatinga Centro. Lá, o motorista teria ingerido bebida alcóolica e algumas horas depois teria encontrado com um usuário de droga conhecido da região. Os dois conversaram e Charles disse ser ex-usuário de crack há um ano e pediu para usar o entorpecente.

Segundo o delegado-chefe da 12ª DP (Taguatinga Centro), que investiga o caso, Moisés Messias, o usuário de drogas da região conseguiu a substância ilegal para o motorista. Os dois foram até o ônibus e lá teriam utilizado a droga. Não satisfeito, Charles teria pedido ao homem que conseguisse uma garota de programa. “O usuário de droga da região de Taguatinga levou uma moça até o ônibus. Dentro do veículo os dois homens consumiram droga, mas a garota não. O programa não aconteceu, mas mesmo assim Charles disse que deu a ela R$ 50, além do próprio celular”, esclarece o delegado.

Lapsos de memória

O usuário de droga e a garota teriam ido embora e Charles, sob efeito do crack, teria saído a pé novamente. “Charles tem lapsos de memória. Primeiro, diz que havia duas armas com os suspeitos, depois alega que era só uma. Posteriormente afirma que só sofreu ameaças”, diz o delegado da 12ª Delegacia de Polícia.

Foragido

Em depoimento, Charles conta que saiu sozinho quando foi abordado por dois homens, um deles identificado como Sícero Aparecido de Alencar (foto no computador). Segundo o motorista, a dupla teria exigido que fossem até o ônibus. Mas o veículo não funcionou e o motorista teve de concertar o coletivo. Sícero, que cumpria pena de prisão por porte ilegal de arma de fogo, está foragido.

Polícia não acredita em ameaça

O motorista teria sido levado pelos suspeitos para Águas Lindas (GO), na Região Metropolitana do DF. Para o delegado Moisés Messias, na cidade goiana, os homens podem ter trocado parte dos objetos do Formosa por dinheiro para a compra de drogas.

O resto do material recuperado pela polícia foi encontrado na casa de Sícero, após denúncia.

Descredibilidade

“Toda a versão de Charles mostra descredibilidade, pois se, de fato, ele estivesse sob ameaça, o suspeito do crime não teria o levado para a casa dele, não consumiria entorpecentes no local e também assumiria a direção do ônibus com alta velocidade”, esclareceo delegado.

Segundo Messias, a investigação inicial de roubo com restrição de liberdade aparentemente não se sustenta. Inclusive, Charles prefere o silêncio quando perguntado a respeito do motivo pelo qual não procurou a polícia logo depois da ocorrência.

Caso ainda está sob investigação

O delegado-chefe da 12ª DP acredita ser difícil comprovar a participação de um comparsa que poderia estar acompanhado de Sícero. “As informações do motorista são, por si só, sem sustentação, mas não há suspeita de que tenha sido algo planejado por ele. O que aconteceu foi uma recaída de Charles pela droga. Contudo, um possível roubo com restrição de liberdade cai por terra”, destaca.

Caso fique comprovado que Charles tenha alegado o roubo com restrição de liberdade por equívoco, ele pode responder por denúncia caluniosa contra Sícero. Além disso, o motorista também pode ser autuado por apropriação indébita dos pertences esportivos. “Por enquanto, todo o caso ainda está sob investigação. Charles foi ouvido e depois liberado. Já o time de Formosa é totalmente vítima da situação e ninguém do grupo esportivo teria relação com o crime”, afirma o delegado Moisés Messias.

A direção do time de Formosa acompanha a investigação e o presidente deve ser ouvido pela polícia nos próximos dias.

Pense Nisso

O campeonato foi lançado neste ano com festa. Estrutura bem diferente da encontrada pelos jogadores e público. E pior: isso tudo acontece em uma cidade que vai sediar a Copa do Mundo. Enquanto isso, a bola rola bem longe do milionário Estádio Nacional Mané Garrincha. A arena é de “primeiro mundo”, mas a realidade local se passa no Serejão, Abadião… ou seja, está bem longe disso. Pense nisso.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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