No Rio Grande do Norte, candidatos mais fortes ficam de fora


No Rio Grande do Norte, candidatos mais fortes ficam de fora

Nas eleições do Rio Grande do Norte é de praxe o vencedor despontar já no começo do ano, só que a tradição recente está sendo quebrada

Daniel Cardozo

As chapas ainda não estão fechadas, mas o estado do Rio Grande do Norte deve ter uma polarização nas próximas eleições. Dois grupos devem dividir as atenções e os votos: de um lado PMDB e PSB, do outro PSD e PT. Ambos entram no jogo para suceder a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que só está no poder graças a uma liminar no Tribunal Superior Eleitoral.

Favoritismo

Nas eleições do Rio Grande do Norte é de praxe o vencedor despontar já no começo do ano, só que a tradição recente está sendo quebrada. Os nomes favoritos nas pesquisas espontâneas não devem ser os cabeças de chapa e ainda paira o clima de indefinição.

O ministro da Previdência, Garibaldi Alves (PMDB), e a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), ambos ex-governadores, não são cogitados como candidatos. O primeiro por não ter mais vontade de voltar ao cargo e a vice-prefeita porque deve tentar o Senado.

Nesse caso, sobram os nomes do vice-governador, Robinson Faria (PSD), rompido com Rosalba Ciarlini, e, provavelmente, o do ex-ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra (PMDB).

Robinson já não apoiava a governadora desde o primeiro ano de governo e afirma ser candidato desde 2013. Recentemente, ele conseguiu o apoio do PT para disputar a eleição, o que deve ser importante para a candidatura. O vice é tido como um nome forte apenas na região do agreste do estado, mas fraco em Natal.

A chapa do PSD pode receber ainda o PDT, do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves. O prefeito chegou a ser cogitado como candidato, só que declarou não ter interesse em deixar a prefeitura, que tem conduzido obas de mobilidade urbana em toda a cidade, voltadas à Copa do Mundo.

Dúvida atroz
Para desencadear de vez o processo eleitoral, aguarda-se a decisão da governadora sobre a tentativa de reeleição. Sua opção, caso consiga a legenda, pode ser determinante nas articulações seguintes. O próprio DEM não a está ajudando. Do outro lado, o PMDB ainda tenta viabilizar seu candidato. O nome que despontou foi o de Fernando Bezerra, mas nem ele confirma a candidatura. No partido, o presidente da Câmara, deputado federal Henrique Eduardo Alves, é o preferido, mas tem dito que gostaria de continuar deputado e ser reconduzido à presidência.

Só liminar garante cargo

Mesmo com pendências jurídicas e aprovação de governo de apenas 7%, de acordo com pesquisa CNI/Ibope, a governadora Rosalba Ciarlini tem cogitado ser candidata novamente, o que tem dividido a opinião de juristas sobre a viabilidade da candidatura.

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte determinou o afastamento da governadora do cargo por conta de uma perfuração de poço artesiano “com fins eleitoreiros” e de visitas permanentes a sua base, Mossoró. A defesa recorreu e o TSE concedeu liminar que manteve Rosalba no cargo, mas o mérito da ação ainda será julgado.

O Ministério Público Federal reabriu uma denúncia contra a governadora por caixa 2 na campanha de 2006. Escutas telefônicas registraram integrantes do DEM discutindo repasses a aliados.

Para completar o número de problemas, a saúde no Rio Grande passou por várias crises, greves e é um dos pontos onde Rosalba mais recebe críticas, pois é médica. A gestão também enfrentou a opinião pública por ter investido só 2% do previsto para combater a seca.

A governadora é considerada isolada politicamente e nem mesmo correligionários do DEM, como o senador José Agripino, têm se aproximado dela.

Um confronto familiar que vem do século passado

1 – Desde 1960, há exatos 54 anos, a luta política no Rio Grande do Norte se dá entre as famílias Alves, do ex-governador Aluizio Alves, e Maia, sucessora do velho cacique Dinarte Mariz, também ex-governador. Hoje, os Alves estão no PMDB e os Maia, no DEM.

2 – O fiel da balança da disputa costumava ser o eleitorado da cidade de Mossoró, por sua vez controlado pela família Rosado. Embora use o sobrenome Ciarlini, de solteira, a médica Rosalba é casada com Carlos Augusto Rosado, ex-deputado e filho do ex-governador Dix-Sept Rosado. Sua principal base ainda é Mossoró, segundo eleitorado do estado.

3 – À parte o controle político da cidade, a família Rosado é conhecida pelos nomes estranhos. O primeiro cacique da família, Jerônimo Rosado, deu aos filhos o seu nome, seguido de um numeral em francês. A prática foi adiante. Dix-Sept Rosado foi governador, Dix-Huit, senador, e Vingt, deputado por muitos anos. Embora tenham abandonado a numeração francesa, os Rosado permanecem na política e têm dois deputados federais.

4- Rosados à parte, os Maia e os Alves alternaram-se no poder por todo esse tempo — eventualmente, claro, substituídos por aliados próximos. A tradição só se quebrou, em parte, quando a mulher do ex-governador Lavoisier Maia se elegeu prefeita. Wilma Maia rompeu com a família, adotou seu nome de solteira —Wilma de Faria — e foi duas vezes governadora, pelo PSB. Contra ela, Alves e Maia se uniram. Wilma perdeu a última eleição para o Senado, mas deve tentar de novo este ano.

5 -Mais antigo deputado federal do País, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, pode retomar a tradição familiar. (Eduardo Brito)

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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