No DF 79 casais gays conseguiram oficializar a união



Coisa do capeta ou Satanás ?

Carla Rodrigues
Especial para o Jornal de Brasília

Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de conceder direitos e deveres da união estável para casais homoafetivos, em maio de 2011, foram formalizados 79 casamentos nos 12 cartórios do Distrito Federal, de acordo com dados da Associação dos Notários e Registradores (Anoreg). Mesmo assim, um simples carinho entre pessoas do mesmo sexo ainda choca a sociedade. Quando se trata de homossexuais, os mesmos olhares acostumados a ver com banalidade crianças usando crack espantam-se com um simples beijo. O fato de serem casados na presença de um juiz pouco mudou a ideia de quem é contra relações gays.

Juntos desde 2011, Enilson Ferreira e Matheus Kalebe tinham todos os motivos para temerem a reação das pessoas ao os verem juntos. O primeiro tem 50 anos, o segundo, 20. Ou seja, enfrentam todos os dias dois tipos de preconceito: de opção sexual e de diferença de idades. Mesmo assim, não desistem dos seus direitos. Andam de mãos dadas em quase todos os lugares. “Em shows grandes, por exemplo, já pensei que alguém poderia nos agredir e ninguém ia ver”, diz Enilson.

Família

Kalebe enfrentou o preconceito da própria família, que tem dois pastores evangélicos. Enilson, por outro lado, chegou a romper com a irmã, que numa reunião de família pediu para os dois não demonstrarem afeto em público. “Não quero nada pela metade, entende? Ou me aceitam ou não. Prefiro me distanciar de pessoas que não nos acolhem por inteiro”, relatou o servidor público.

Os dois formalizaram união estável em outubro de 2012. Mas eles querem ir além e se casar, de fato. Como teriam que correr com a papelada, marcaram a celebração para a mesma data deste ano. Porém, a assinatura de declaração união estável já contou com uma bela cerimônia, com direito a muitos convidados. “Eu o pedi em casamento e ele disse sim. Foi simples. Nós queríamos muito que isso acontecesse”, contou Enilson.

NADA A ESCONDER

O servidor público acredita que homossexuais não devem se esconder. Ao contrário, “o ideal é se cercar de pessoas que aceitam e convivam bem com isso”, ressaltou. Apaixonado pelo marido, ele tem certeza do amor dos dois. “Somos muito felizes”, orgulha-se.

Agora, além dos outros obstáculosl, eles têm que superar também a saudade. Kalebe está estudando no Canadá. “É muito difícil a distância”, confessa Enilson.

Obstáculos que impedem de assumir o amor

A união formalizada ainda não é o suficiente para acabar com o preconceito. Casadas há oito meses, a arquiteta Renata, 32, e a professora Cristina, 22, sabem o que é viver sob o olhar da discriminação. “Apesar de tudo que estamos conquistando, eu tento evitar demonstrações públicas de afeto. Sei que muitas pessoas não aceitam e prefiro nos resguardar”, confessa Cristina. E a discrição aconteceu inclusive na cerimônia: apenas as mães e duas testemunhas foram assistir `à união, que terminou com um jantar entre amigos.

Cristina e Renata oficializaram a união no ano passado

A celebração do relacionamento de Renata e Cristina ocorreu no cartório da 504 Sul, no dia 17 de agosto do ano passado, depois de quase dois anos de namoro. “Para nós, casar mexeu mais com a parte prática mesmo. Não nos sentimos mais livres por isso. Ainda evitamos de nos beijar em público. Sabemos que existe o preconceito e ele é grande”, ressaltaram.

“Eu te amo”

Na casa das duas, contudo, um pequeno apartamento em Águas Claras, ainda na entrada, perto da porta, está escrito na parede “eu te amo”. Fotos das duas espalhadas nas estantes e no quarto também são provas da felicidade, respeito e amor entre elas. “Acreditamos mesmo que somos almas gêmeas. Temos muito orgulho do que somos e da nossa união”, disseram.

O medo de sofrerem algum tipo de retaliação é tão grande que o sobrenome das duas foi preservado porque Cristina é professora. Receosas com a reação da direção da escola e dos próprios pais das crianças, elas preferiram não identificar o nome completo. “Não digo e não deixo de dizer que sou homossexual, casada com uma mulher. Quando vou falar dela, chamo de ‘amiga’ e acho que todos entendem”, afirma Renata.

Estigma

Mais tímida, mas não menos apaixonada, Cristina acredita que se fosse questionada no ambiente de trabalho sobre sua sexualidade, não esconderia a relação dos colegas, apesar do medo de sofrer com a decisão. “Sinto orgulho dela. Mas, ao mesmo tempo, tem esse estigma ainda. É complicado”, conta Cristina. Ela relata que não sabia se assumiria sua sexualidade antes de conhecer Renata. “Me apaixonei. Acho que só não queria ver antes”, afirmou.

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