Na cadeia, Donadon enfrenta novo processo de cassação


Conselho de Ética da Câmara aprovou, em votação unânime, decisão que determina a perda de mandato do primeiro parlamentar-presidiário do país
Marcela Mattos, de Brasília

O deputado Natan Donadon é levado algemado para o Penitenciária da Papuda após ser absolvido pela Câmara – Pedro Ladeira/Folhapress

Apesar de ter se livrado da cassação em agosto, na vexatória votação que criou o primeirodeputado-presidiário do Brasil, Natan Donadon (RO) pode enfrentar um novo processo de perda de mandato. Nesta quarta-feira, o Conselho de Ética da Câmara aprovou, em votação unânime, parecer que determina o afastamento do parlamentar dos quadros da Casa. O caso agora seguirá para análise do plenário.

Donadon comparece à Câmara para se defender no plenário - O deputado federal Natan Donadon (ex-PMDB-RO) no plenário da Câmara dos Deputados

O caso de Donadon voltou a ser discutido após o Conselho de Ética da Casa ter iniciado um processo por quebra de decoro. De acordo com o relator, José Carlos Araújo (PSD-BA), ao criar a figura do deputado-presidiário, a Casa passou a ostentar uma “inusitada e inaceitável situação de extrema fragilidade institucional” e pagou um “alto preço de desgaste por conta de uma decisão considerada corporativista”.

A Câmara rejeitou em votação secreta, a cassação do mandato do deputado federal Natan Donadon (sem partido-RO)


Ainda assim, houve quem tentou impedir o novo julgamento contra Donadon. O deputado Roberto Teixeira (PP-PE) chegou a pedir vista, o que adiaria a votação do relatório. No entanto, após pressão do colegiado, ele recuou e votou favorável à cassação.

Voto aberto – Com a aprovação no Conselho de Ética, abre-se prazo de cinco dias para a defesa apresentar recursos. Caso isso não aconteça, o processo contra Donadon será imediatamente levado para uma nova análise em plenário.

A expectativa é que com a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição do voto abertopara cassações, que está agendada para esta quinta-feira, os parlamentares não tenham coragem de assumir a responsabilidade de manter o mandato de Donadon numa votação às claras. Amparados no voto sigiloso, 131 deputados pouparam o parlamentar em junho.

Outros quatro deputados devem ter o mesmo destino: os mensaleiros Valdemar Costa Neto (PR-SP), José Genoino (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP) e Pedro Henry (PP-MT) também vão ser julgados em voto aberto.


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