MPEMT: Procurador acusa imprensa de MT de proteger corruptos

Procurador ainda afirma que órgão não tem dinheiro para subornar veículos.

Prado garante que também teve deságio de 25% em sua carta de crédito.

Na última reunião do Conselho Superior do Ministério Público Estadual, o Procurador Geral de Justiça, Paulo Prado, embora sem citar nominalmente nenhum veículo de comunicação, acusou a imprensa de Mato Grosso de preservar a imagem de autoridades envolvidas em escândalos políticos referentes a desvio de dinheiro público. “Existe um interesse muito grande da mídia de tirar esses políticos pesados aí que nós estamos processando há muitos anos”, disse…
As declarações estão registradas em áudio divulgado pelo site do jornal Diário de Cuiabá nesta quinta-feira (5). Em seguida, Prado completa ressaltando que percebe uma estratégia da imprensa de lançar suspeitas contra o Ministério Público Estadual (MPE) com o intuito de preservar políticos envolvidos na Operação Ararath da Polícia Federal. “Nós sabemos que a imprensa, entre falar mal deles e falar mal da gente e aqui ninguém é criança ou marinheiro de primeira viagem, nós sabemos que eles não vão falar mal do governador [Silval Barbosa], não vão falar mal do senhor José Geraldo Riva [deputado estadual], talvez nem falem mal do Eder Moraes [ex-secretário de Estado]”. 


Na visão de Prado, essa preservação de imagem dos veículos de comunicação a autoridades e ao lançamento de suspeitas contra o Ministério Público, estaria ocorrendo porque a instituição, diferente dos demais poderes, não dispõe de verba publicitária para financiar a mídia. “Como nós não temos verbas e não subornamos ninguém para falar bem da gente, nós temos que agir na legalidade e no trabalho árduo e corajoso da nossa equipe de comunicação e da credibilidade e do caráter que cada um tem no exercício da sua profissão e do cargo que exerce”.

As suspeitas citadas por Prado lançadas pela imprensa contra o Ministério Público Estadual, se deve a divulgação de uma lista com o nome de 47 nomes de promotores e procuradores do Ministério Público apreendida pela Polícia Federal na quinta fase da Operação Ararath, durante mandado de busca e apreensão na casa do ex-secretário de Estado, Eder Moraes, considerado operador de um amplo esquema de lavagem de dinheiro. “A planilha (sobre supostos pagamentos a promotores de Justiça) foi encontrada no mesmo local e circunstância da apreensão dos documentos que sugerem pagamento de propina a autoridades do Poder Executivo e Legislativo do Estado de Mato Grosso (notas promissórias, cheques, lista contábil de pagamento, operações bancárias, anotações de depósitos”, destacou a Procuradoria da República

Entre os nomes citados está Paulo Prado, beneficiado com R$ 516,7 mil. Em coletiva à imprensa, Prado esclareceu que se trata de vendas de cartas de crédito vendidas no mercado porque o Estado não tinha como pagar. “Nessa lista, existem procuradores, promotores de Justiça, com mais de 20 e 30 anos de Ministério Público, que não conseguiam gozar todas as suas férias porque o Estado não tinha como indenizá-los. Eles tiveram que fazer o quê? Irem ao mercado, como a maioria dos servidores, aceitarem um deságio e, depois, serem tachados de fazer parte de instituição criminosa? Não aceito isso!”, afirmou naquela ocasião.

Fonte: RAFAEL COSTA – Folha Max – 06/06/2014

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