Moradora da Estrutural transforma a casa em creche para atender crianças carentes


Moradora da Estrutural transforma a casa em creche para atender crianças carentes

Aos 26 anos, ela ajuda filhos de catadoras de lixo e sobrevive de doações

Em uma pequena casa, próxima ao lixão da Estrutural, no DF, cerca de 80 crianças carentes dependem do olhar cuidadoso de uma jovem de apenas 26 anos chamada Maria de Jesus. Moradora da Estrutural desde 2005, ela criou uma creche voluntária e informal há pouco mais de um ano para ajudar as mães solteiras e catadoras de lixo que precisavam trabalhar fora e não tinham com quem deixar os filhos.


Foto: Renata de Paula/ R7



Natural do Piauí e com uma infância sofrida, Maria de Jesus conta que prometeu para si mesma, ainda criança, que no futuro, não deixaria nenhuma criança passar fome na Estrutural.

Mesmo com a difícil tarefa em mãos, Maria não desiste.

Com a ajuda de voluntários, todos da comunidade, ela consegue alimentar mais de 80 crianças e mudar pouco a pouco o futuro de cada uma delas.

A creche sobrevive de doações, mas nem sempre é suficiente. Antônio Pereira, 38 anos, é um dos voluntários e conta que não sabe ao certo o custo para manter as crianças, mas sabe que a quantidade de comida nem sempre é suficiente.

— Em um almoço, gastamos pelo menos 7 kg de arroz, 5 kg de feijão e a verdura fazemos render o máximo possível.

Maria lembra que a refeição da creche é para muitas crianças a única do dia.

— Tem dias que a gente não consegue dormir a noite, com tantos problemas para resolver, lembra

Foto: Renata de Paula/ R7


Maria relata que muitas crianças chegam doentes na creche. A maioria com doenças de pele causadas pelo contato com lixo e muitas outras desnutridas. Com a ajuda dos voluntários, ela faz o papel de mãe de muitas delas para levar ao médico e dar os cuidados mais básicos.

Na casa das crianças, a realidade é ainda pior. Ela relata que pelo menos cinco famílias vivem em situação ainda mais precária. Em barracos com lona, dividem o espaço com ratos.

Foto: Renata de Paula/ R7

No espaço, as crianças brincam com o que têm. Uma bola improvisada, uma bicicleta velha, giz de cera e papel são suficientes para garantir o sorriso no rosto de todas elas.

Maria de Jesus lembra que há pouco mais de dois meses uma voluntária, moradora do Lago Sul, chegou a levar os filhos até o local para ver a realidade das crianças. Comovidos, os filhos juntaram todo os brinquedos que já não usavam mais e doaram para as crianças



Foto: Renata de Paula/ R7

Além de filhos de catadoras, Maria lembra que muitas das crianças da creche são de famílias destruídas pela droga ou violência.

— Se a gente vê que a família não tem estrutura para cuidar da criança, a gente não deixa ela voltar para casa, até que o problema se resolva, por isso muitas acabam morando aqui por um tempo

Foto: Renata de Paula/ R7
Como a creche sobrevive de doações, Maria conta que toda e qualquer ajuda é necessária como roupas e calçados usados, alimentos, brinquedos, fraldas e materiais de limpeza.

Ela sonha em poder atender mais crianças em um espaço maior, já que a lista de espera para entrar na creche já ultrapassa a marca de 200 crianças

Foto: Renata de Paula/ R7

Comovidos com a condição precária vivida na creche, um grupo de voluntários chamado Brasileiríssimos, formado por brasilienses, resolveu se mobilizar para ajudar essa comunidade.

Para isso, eles estão recolhendo até o dia 21 de dezembro, roupas, calçados, comida, itens de higiene pessoal, e principalmente fraldas para os menores para entregar. Os interessados em ajudar, podem entrar em contato pelo número 9254-3479 ou visitar a página no Facebook da ação.

Para visitar diretamente a creche, é possível entrar em contato com a Maria de Jesus pelo número (61) 9396-3746.

Foto: Renata de Paula/ R7




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