Ministério vai enviar Força Nacional para área de conflito indígena em MS

Fonte: Gabriela Pavão

Fonte: Gabriela Pavão

O Ministério da Justiça e Cidadania autorizou nesta quarta-feira (15) o envio da Força Nacional para a região de conflito entre indígenas e fazendeiros em Caarapó, no sudoeste de Mato Grosso do Sul. O confronto teve um índio morto, seis feridos e três policiais militares também machucados.

Segundo a nota do Ministério, a portaria definindo a atuação da Força deve ser publicada no Diário Oficial da União de quinta-feira (16).O pedido foi feito pelo governo do estado. Ainda não há informação de quantos militares serão enviados para a região e nem a data.

Conforme a assessoria, o ministro Alexandre de Moraes acompanhou com atenção o problema desde terça-feira e determinou a apuração dos fatos. A Força Nacional vai auxiliar as Polícias Militar, Federal e Rodoviária Federal.

Atualmente, a Força Nacional já atua no estado, na cidade de Ponta Porã, em apoio às ações de combate aos crimes fronteiriços.

Confronto
Por conta do conflito, o clima é de tensão nesta quarta-feira na fazenda Ivu e no acesso à propriedade. Índios estão pintados e armados com arco e flecha e pedaços de pau. Os indígenas estão na fazenda desde segunda-feira (13).

Os seis índios feridos por tiros durante o confronto com fazendeiros continuam internados. Cinco estão no Hospital da Vida, em Dourados, sendo que três deles passaram por cirurgia. Todos estão bem e não correm risco de morrer, assim como a índia atingida por tiro de raspão questá no hospital de Caarapó.

A reportagem entrou em contato com o Ministério da Justiça e até a publicação desta reportagem não obteve retorno. A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que a área em conflito está na Terra Indígena Dourados-Amambaipeguá. Conforme o órgão, ela é tradicionalmente ocupada e está em estudo para regularização fundiária.

Em nota publicada no Facebook, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) afirmou que homens armados chegaram em 60 camionetes e atiraram em cerca de mil indígenas, incluindo quatro agentes de saúde indígena, que estavam reunidos no território perto da aldeia Te’ Ýikuê. A Funai também afirma que os índios foram atacados.

Reféns
Após confronto dessa terça-feira, militares acabaram rendidos pelos indígenas por duas horas após o pneu da viatura furar. Eles tiveram as armas de fogo e coletes tomados, a viatura queimada e três sofreram ferimentos leves.

“Os policiais não esperavam esse tipo de situação de quem eles foram ajudar. Apanharam com pedaço de pau. Algemaram eles com as próprias algemas”, afirma o comandante da Polícia Militar (PM) de Dourados, que responde pelo município, tenente-coronel Carlos Silva.

Ainda segundo o tenente-coronel, a equipe foi recebida a tiros e há suspeita de que índios paraguaios estejam entre os indígenas brasileiros. “Os indígenas falavam que iam atear fogo nos policiais. Chegaram a jogar gasolina neles. O que mais nos deixou preocupados foi que a polícia foi garantir a vida dos indígenas e foi atacada por aqueles que visavam salvar”, fala o oficial.

Em nota, a Associação dos Subtenentes e Sargentos Policiais e Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul (ABSSMS), seccional Dourados, repudiou “as ações de extrema violência contra a integridade física de policiais militares”.
Outras mortes

Mortes
Em agosto de 2015, cerca de 80 indígenas ocuparam cinco fazendas vizinhas à aldeia em Antônio João (MS). Durante retomada feita por fazendeiros, os dois grupos entraram em confronto e um indígena foi encontrado morto perto de um córrego, dentro de uma das fazendas.

Em maio de 2013, confronto entre indígenas e policiais durante a reintegração de posse de uma fazenda ocupada em Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande, deixou um índio morto e vários outros feridos.

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