Minha História Thiago “Eu sou a Universal”.

A cada batalha uma pessoa ainda mais ousada, mais destemida para alcançar os objetivos.integra21

Nossas escolhas definem o futuro

Desistir ou não dos sonhos é uma opção de cada um. No mundo todo não são poucos os que têm se tornado desistentes, e os motivos podem ser os mais diversos, desde uma desilusão  até o simples desânimo diante do sacrífico necessário para qualquer realização. Daqueles que iniciam uma faculdade, quantos chegam à formatura? Ou quantos depois de formados exercem aquela profissão? Exemplos simples também servem de parâmetro, como aquela dieta que por várias vezes foi iniciada e nunca chegou a ser concluída. A verdade é que entre o desejar e o realizar existe uma enorme ponte. Somente quem segue, determinadamente até o fim, pode de fato alcançar. Mas a árdua tarefa de ser persistente é apenas para os fortes.

Este mineiro de Belo Horizonte é um bom exemplo disso. Assim como muitos, também tem sonhos. A diferença é que ele não desiste, mesmo enfrentando as piores barreiras. Sabe aquela expressão “não larga o osso”? Então, até parece que a frase foi criada pensando nele.

Nascido em 27 de outubro de 1988, ele sempre foi uma criança como qualquer outra, saudável e feliz, que se destacava por ser curioso, esperto, inteligente e sorridente com todos que se aproximavam – declarações da mãe, que está sempre elogiando a cria. Thiago Helton Miranda Ribeiro é de uma família constituída por quatro pessoas e entre elas a união é tão forte que já se tornou marca registrada. Elas não se desgrudam por nada. Ah! Não dá para esquecer a caçulinha, que há quatro anos chegou para completar a família. Ela sempre dá o ar da graça pelos cômodos da casa, espalhando alegria e vigor. Belinha é uma cadelinha da raça poodle que se tornou o xodó da família.

 

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Ela é a extensão do meu corpo

Thiago seria mais um rosto na multidão se não fosse por um diferencial em sua vida – e não estou falando da tetraplegia que ele carrega há cinco anos, nem poderia (a tetraplegia é uma sequela que se desenvolve a partir de problemas como: hemorragias cerebrais, vértebro-basilar, esclerose lateral amiotrófica e lesões da medula espinhal). Afinal, essas limitações são apenas físicas e, como prova disso, o destemido mineiro desenvolveu habilidades que despertam a curiosidade até nos médicos – resultados que pareciam impossíveis. Mas, para que você conheça um pouco dessa história, vou aqui usar alguns parágrafos para contar como tudo aconteceu.

Em uma bela quinta-feira de sol, quando saía para o trabalho, por volta das 6h40, em uma rua bastante movimentada de Belo Horizonte, o jovem foi surpreendido por um carro conduzido de qualquer maneira, como tantos outros que acompanhamos por aí. Sem que tivesse qualquer chance de escapar, aos 20 anos, ele foi atropelado e jogado para cima do carro. O impacto no asfalto foi tão forte que o pescoço foi quebrado ao meio entre a quarta e quinta vértebra da coluna cervical.

O restante da história você já pode imaginar: coma induzido, muitos dias no CTI (Centro de Tratamento Intensivo), cirurgias e respiração artificial, e a luta pela vida… Por fim, o diagnóstico que a família gostaria de não ouvir: tetraplegia. Mesmo em meio a tanta dor e amargura, pai, mãe e irmão encontraram forças para comemorar. É que o guerreiro Thiago havia lutado tanto que conseguiu permanecer vivo – o que muitos duvidaram que pudesse acontecer. E é por isso que mesmo na dor, os Ribeiro encontraram motivo para sorrir.

Com a volta do rapaz para casa, todos precisaram se unir ainda mais. A mudança de endereço foi inevitável, e a nova residência teve que ser adaptada para recebê-lo, agora com uma companhia, a cadeira de rodas – a qual costuma se referir como parte do seu corpo, ou a extensão dele. Na ocasião o dinheiro estava curto e, para piorar, o pai ficou desempregado, o que possibilitou o surgimento de outras adversidades – que eles conseguiram vencer por meio da fé e do amor sempre presente nesta família.

 

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Mulher ninja

Desafiando as circunstâncias, Thiago resolveu que não iria se abater. “Já que teria que depender dos meus pais para tomar banho, mudar de roupa e fazer tantas outras coisas que antes eram feitas de forma tão independente, que esses momentos, então, fossem de intensa alegria e brincadeiras. Foi a minha decisão!” E a mãe, a quem Thiago carinhosamente apelidou de ninja – pelo tanto que trabalha, com a agilidade que lhe é peculiar – brinca: “sempre carreguei meu filho no colo sentindo o cheiro de sua pele e cabelos. Eu amava isso. E agora não é diferente. Esse gesto diário aumenta meu amor a cada instante. Entre a gente não há distâncias, literalmente, ri”.

 

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Ele é motivado e explica que “o dia a dia de um tetraplégico é cercado de desafios. Coisas simples e normais para as pessoas como pegar um copo com água ou abrir uma porta sem ajuda de ninguém são as primeiras superações e possuem um extremo valor para nós. Quanto mais eu consigo superar minhas limitações, percebo que sou capaz de ir muito mais longe”.

Sem perder o foco, a rotina diária é pesada, e poderia assustar qualquer um, menos a ele que estuda de três a quatro horas pela manhã, de segunda a sexta-feira. Além das quatro horas que fica na faculdade à noite, podendo completar até oito horas diárias de estudo. Nos finais de semana ou dias que não tem aula, quando possível, tenta manter essa média, se dedicando ao sonho. O estudante de direito, que está cursando o 7º semestre, ressalta que, “na preparação de concursos para carreiras jurídicas, seja juiz, promotor, defensor, etc., as horas de leitura não significam muito, mas sim a qualidade do seu estudo. Isso implica nível de concentração, disciplina, foco, e muito mais”. Tanta dedicação tem um motivo, ele deseja ser juiz de direito, talvez o primeiro juiz cadeirante do país. Para ver a realização, ele está disposto a percorrer o caminho do sacrifício.

 Estou de pé como nunca

Este é o desejo que o move. “É difícil descrever o que seria a plena independência para uma pessoa com o grau de comprometimento físico que eu tenho. Mas a importância disso é extrema, pois se eu abandonasse este sonho estaria fadado a depender de familiares ou da solidariedade das pessoas para o resto da minha vida. Eu amo minha família e agradeço a Deus todos os dias por tê-los ao meu lado, mas não posso me conformar em depender do amor deles para prosseguir na minha vida, quanto mais da ajuda de terceiros”.

 

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E é isto que faz de Thiago um diferencial. Ele resolveu voltar a trabalhar no mesmo período em que retomou a jornada de estudos em busca de uma carreira pública. Ele desabafa que o “mercado de trabalho é cruel para pessoas com deficiência. Os peritos do INSS queriam me aposentar por invalidez, mas não aceitei. Eu não queria ver meus pais frustrados por minha situação. Estava revoltado e vivo procurando uma forma de vencer toda essa limitação. Por fora, quem olha para mim vê um tetraplégico, mas por dentro eu estou de pé como nunca”. Mesmo que ele não goste, é impossível não aponta-lo como referência. Tudo o que sofreu, cada batalha que enfrentou, o transformou em uma pessoa ainda mais ousada, mais destemida para alcançar os objetivos.

Quando tomou posse do cargo no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), logo se deparou com aquilo que seria um grande problema: as barreiras físicas funcionais. Embora o ambiente fosse um lugar acessível para cadeirantes, o excesso de papel e pilhas de processos logo seriam um enorme desafio para uma pessoa sem qualquer movimento nos dedos. Mas ele se entregou  ao trabalho e conseguiu criar seus próprios métodos para contribuir com a secretaria de juízo. Até que em 2012 começou em Minas Gerais a implantação do PJE (Processo Judicial Eletrônico) e, como já tinha muita facilidade com a informática antes mesmo do acidente, além da noção processual, sobretudo de como funciona uma secretaria de juízo, acabou sendo escolhido para atuar como um dos chamados facilitadores do sistema, auxiliando os demais servidores nesse projeto – o que daria início à era digital na chamada Justiça Comum em Minas Gerais.

 

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Este é o Thiago Helton. Um profissional bem-sucedido. Um homem que ama a família e a companhia de sua cadelinha. Ele tem a leitura como hobby e jamais duvidou de seus ideais. É ousado e poucas vezes consegue conter o espírito de liderança. Ganhou popularidade, não pela deficiência, mas pelas atitudes em tomar a frente de trabalhos acadêmicos, manifestações, protestos, além de sempre buscar ajudar os colegas mostrando a eles que a deficiência é fator meramente psicológico – não está nas pernas, braços ou em uma cadeira, mas na mente das pessoas. Ele busca o equilíbrio: gosta de ser cômico e até extrovertido nos momentos em que isso é permitido. Porque tem certeza que sua alegria tão marcante, em meio a tantas adversidades, contagia de forma positiva aqueles que estão próximos. Por outro lado, se mantém sempre focado para atender seus compromissos  nos mínimos detalhes.  Com bom humor, ele explica: “quando se nasce com uma deficiência acredito ser tudo mais fácil ou menos difícil. É como se a pessoa nascesse adaptada, pois ela não perde nada, ela já convive com a limitação desde sempre, então sua superação acaba sendo natural. No meu caso foi diferente”.

“Foram 67 dias de hospital, sendo 54 no CTI, traqueostomizado, respirando por aparelhos. Hoje tenho uma placa parafusada no pescoço que supre a vértebra quebrada. Quando tive alta do hospital, uma ambulância me levou para casa em uma maca. Fiquei num colchão estirado no chão da sala do apartamento em que morávamos, por várias semanas. Mal mexia um pouco do braço esquerdo. Recebia alimentação como um bebê. Para tomar café usava “canudinho” e não conseguia segurar um copo de água sozinho. Foi difícil encarar essa fase inicial. Entretanto, a minha fé em atividade e a revolta dentro de mim não permitiram que me curvasse. Se não fosse o Espírito de Deus teria desistido ali mesmo. Mas, dentro de mim, sempre tive a certeza que nada era em vão. E assim prossigo: eu mantenho a minha fé. Reconheço, entretanto, que se não fosse o despertamento da força interior que recebo na Universal, seguramente já teria desistido, entregando-me às infelicidades que o destino nos impõe”.

 

 

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“Sou o Thiago. Com a deficiência seu corpo faz menos, então é necessário que você faça mais. É daí que vem a superação. Eu sou a Universal”!

http://www.eusouauniversal.com/depoimentos/thiago-helton/

About Germano Guedes

Olá Pessoal,
Sou Germano Guedes, criador do site “a politica e o poder”.
Baiano, morador da Estrutural desde 99, cheguei a Capital Federal para tentar a vida como milhares de outras pessoas.
Ao chegar na Estrutural, começei a participar de discussões que visavam a melhoria da qualidade de vida na Cidade. Vi que alguns grupos já formados, ” monopolizavam” os moradores e inclusive, a informação que chegava até a comunidade.
Nessa condição, resolvi criar um blog – meio que possibilitaria levar informação as pessoas. Neste canal, soltei o verbo e começei a dizer o que eu realmente pensava sobre o que acontecia na Estrutural.
Abordei vários assuntos polêmicos, revelei notícias “bombas” e muitas vezes, tive que desmascarar grupos organizados que não pensavam no interesse da população – como diz o ditado ” era só venha a nós” e a população que se vire.
Como Prefeito Comunitário pude participar mais ativamente das ações políticas que discutiam a Estrutural. Lixão, instalação de creches, reabertura de escolas e a regularização de alvará dos comerciantes eram algumas de nossas reivindicações.
No ano de 2014, fui indicado pelo meu Partido – PRB – a vaga de administrador da Cidade.
Continuo abastecendo o site com notícias e assuntos polêmicos, dizendo realmente o que penso. Porém, agora somos uma equipe e ” A Política e o Poder”, além de abordar assuntos correlatos à Estrutural, terá uma discussão voltada para todo o Distrito Federal, garantido informação e notícias exclusivas a todos os brasilienses que nos acompanham.

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