Médico é suspeito de abusar de pacientes gestantes


Médico é suspeito de abusar de pacientes gestantes

Três gestantes denunciaram profissional do programa Mais Médicos
Carla Rodrigues e Renan Bortoletto

A Polícia Civil de Luziânia (GO) investiga um suposto caso de abuso sexual envolvendo um médico cubano do Programa Mais Médicos. L.E.M., 45 anos, teria se aproveitado de ao menos três grávidas que faziam consultas de pré-natal no posto de saúde do Parque Alvorada. As pacientes, de 19 a 20 anos, denunciaram o médico na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Se for comprovado o abuso, o médico responderá por violação sexual mediante fraude, e pode pegar até seis anos de prisão.


O profissional está no Brasil há cinco meses. As mulheres teriam relatado que, no último dia 13, ele teria apresentado comportamento “fora do normal”. “Ele teria dito, conforme relato das mulheres, que era necessário fazer um exame de toque intravaginal e que faria a limpeza do órgão genital delas por conta de um corrimento”, diz a delegada Dilamar de Castro.

As pacientes acharam estranha a atitude, já que nenhuma delas estaria apresentando o quadro constatado pelo médico. “Sabemos que o corrimento é normal e que se acentua dependendo do período de gestação. Mas, ao que tudo indica, essas mulheres não apresentavam corrimento que justificasse a atitude. Já o exame de toque também é feito já na fase final da gravidez ou após a 38ª semana. Essas mulheres têm entre três e sete meses de gestação”, explicou a delegada.

Outro fato que chamou a atenção foram os “termos” usados pelo médico. “Ele pediu a elas que imaginassem um lugar como a praia, para relaxar. Foi quando elas perceberam que ele estava acariciando o clitóris delas”, disse Dilamar.

No dia seguinte, as pacientes foram informadas que o médico já não atenderia mais no local. L. deve ser ouvido ainda hoje pela polícia.

“Eu pedi para que ele parasse”

“Eu pedi para que ele parasse. Pedi três vezes. Eu estava sentindo dor por causa da infecção urinária e mesmo assim ele insistiu. Disse que era assim o procedimento”, conta D., de 20 anos. Segundo a paciente, grávida de sete meses, os abusos aconteceram em uma consulta para tratar de uma infecção urinária. “Ele me mandou deitar, pediu para eu tirar a calça e começou a me tocar. Disse que seria necessário o exame de toque para avaliar o nível da infecção. Eu estranhei, mas como ele médico fiquei sem reação. Ele fazia movimentos frequentes com as mãos. Isso durou, no mínimo, dez minutos”, relata a jovem.

Ao sair do consultório, D. foi ao encontro de uma amiga, que também faz o pré-natal no mesmo posto de saúde. Ao se verem, R., 19 anos, perguntou se tinha acontecido algo de diferente na consulta. Nesse momento, as duas perceberam que havia algo estranho.

Pacientes relataram atitude

As amigas D. e R, relataram a situação a uma enfermeira. “Ela ficou chocada. Na hora, percebemos que havíamos sido abusadas”, diz D.. “A intenção dele foi de ato libidinoso. E é revoltante você saber que depositou a sua confiança, a sua gravidez, a saúde do seu filho, nas mãos de uma pessoa nojenta assim”, afirma a jovem.

A terceira mulher, que supostamente também foi abusada pelo médico, estava no posto de saúde quando as amigas voltaram ao local. “Quando eu a vi saindo do consultório, questionei se o mesmo aconteceu com ela e a resposta foi sim”, lembra ainda D..

Segundo ela, representantes da Secretaria de Saúde pediram para “não espalhar a notícia. Disseram para sermos discretas e não envolver mais ninguém nisso”. Porém, a jovem preferiu não se calar e fez, junto às outras duas supostas vítimas, uma ocorrência denunciando a violação sexual cometida pelo médico cubano.

Versão oficial

O Ministério da Saúde informou que o profissional envolvido em denúncia está afastado de suas atividades até a conclusão das investigações. Um processo disciplinar foi aberto para apurar a conduta. O Ministério da Saúde afirmou ainda que vai prestar todo o apoio necessário durante as investigações da Polícia Civil. A reportagem não conseguiu contato com a Secretaria de Saúde.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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