Match: Acusado de envolvimento com cambistas, executivo é levado para Bangu


Match: Acusado de envolvimento com cambistas, executivo é levado para Bangu

Considerado foragido pela Polícia Civil desde a decretação de sua prisão temporária, na quinta-feira passada, o inglês Raymond Whelan, diretor da Match Service, entregou-se na tarde desta segunda-feira à Justiça. Acompanhado de seu advogado, Fernando Augusto Fernandes, ele se apresentou à desembargadora Rosita Maria de Oliveira Netto, da 6ª Câmara Criminal, relatora do processo que investiga o envolvimento de Whelan com uma organização internacional de cambistas de ingressos para a Copa.

Raymond Whelan deixa Copacabana Palace pela porta lateral – Foto: Reprodução

Whelan ocupará uma cela individual na Cadeia Pública Bandeira Stampa (Bangu 10), no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Caso apresente diploma de nível superior, como a defesa afirma, ele deverá ser transferido para a Penitenciária Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8) — unidade onde cumpriu pena o banqueiro Salvatore Cacciola —, destinada a presos com formação universitária…

A defesa de Whelan informou que aguarda documentos da Inglaterra para comprovar a formação acadêmica dele. Fernandes disse que espera o julgamento, pela 6ª Câmara Criminal, da liminar que impetrou para libertar o britânico, o que deverá acontecer em até 15 dias. Sobre a acusação da Polícia Civil de que Whelan fugiu após a decretação da prisão preventiva dele, quinta-feira, o advogado argumentou que nenhum dos dois sabia da decisão judicial.

— Quando eu soube, avisei a ele das consequências. E disse que tinha o direito de não se apresentar. Foi ele quem decidiu não se entregar, por considerar a ordem ilegal. Mas hoje (segunda-feira) ele mudou de ideia e acabou se apresentado à Justiça — informou Fernandes, ressaltando que não vai se intimidar com a investigação da polícia sobre a suspeita de que ele facilitou a fuga de Whelan.

A OAB-RJ está analisando a possibilidade de abrir um procedimento para apurar o conduta de Fernandes. O promotor Marcos Kac, da 9ª Promotoria de Investigação Penal, disse estranhar o fato de Whelan não ter se apresentado à juíza Joana Cardia, do Juizado Especial do Torcedor, e nem à polícia.

— A investigação continua e há provas fortes e firmes de envolvimento de Whelan. Por isso, é importante que ele seja mantido preso. Se estiver em liberdade, atrapalhará a investigação para comprovar os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal — disse o promotor.

Antes de ir para a cadeia pública, onde ficará com outros 422 internos, o britânico fez exame de corpo de delito e passou por uma avaliação na Cadeia Pública José Frederico Marques, porta de entrada do sistema penal do Rio.


FIFA SE EXPLICA

Nesta segunda-feira, em entrevista coletiva, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, implicou com a palavra corrupção usada por um jornalista ao se referir à investigação sobre a quadrilha acusada de superfaturar ingressos para o evento.

— Quando você fala de corrupção, precisa apresentar evidências. Se diz que existe algo errado na venda de ingressos, aí está certo, mas não corrupção — disse Blatter, passando a palavra para o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke.

O secretário garantiu que a Fifa tem interesse em esclarecer o problema, e que a entidade só vendeu ingressos pelo valor estipulado nos bilhetes.

— Nós da Fifa vendemos todos os ingressos com valor de face. Mas há três milhões de ingressos fora do sistema da Fifa, eles passam por outras partes, parceiros comerciais, e são vendidos a eles pelo valor de face. Mas não sabemos o que eles fazem com esses ingressos, e é contra isso que estamos brigando. Se não vão usar, têm de devolver, não importa se é um ingresso normal ou de hospitalidade. Mas não se pode dizer que não estamos brigando contra isso. Na África do Sul (em 2010) também houve pessoas presas. Nunca dissemos às autoridades que não vamos colaborar, sempre vamos dar as informações necessárias. Acho que nunca conseguiremos pôr fim a esse sistema — afirmou Valcke.

Em nota enviada na noite desta segunda-feira, a Match saiu em defesa de seu diretor: “Podemos assegurar que o sr. Raymond Whelan não cometeu nenhum ato ilegal ou irregular e temos certeza de que isso será comprovado em breve pelas autoridades brasileiras”. A empresa ressaltou que está à disposição da polícia: “Contamos com rigorosos procedimentos e ferramentas que permitem a lisura e o rastreamento de todos os ingressos vendidos diretamente pela empresa em operações gigantes. Na Copa do Mundo do Brasil, foram vendidos 3,2 milhões de ingressos, incluindo 300 mil ingressos de pacotes hospitality vendidos para cerca de 11 mil clientes corporativos e individuais”.


A Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança e a Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado (Draco) investigaram a venda de ingressos por integrandes da Associação de Futebol da Argentina (AFA) em todos os hotéis onde a sua seleção ficou no país. De acordo com reportagem da ESPN Brasil divulgada nesta segunda-feira, todos os ingressos estavam em nome da AFA, cujo presidente, Julio Humberto Grondona, é também vice-presidente da Fifa. Numa cena de um vídeo obtido pela ESPN, com imagens feitas em Brasília pela polícia, o gerente de seleções da Argentina, Omar Souto, aparece recebendo dólares em troca de ingressos.

Fonte: Por FERNANDO QUEVEDO / Agência O Globo – 15/07/2014

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