Marchinhas do Pacotão são um passeio pela história política do país

Marchinhas do Pacotão são um passeio pela história política do país Levantamento feito pelo Correio mostra como o mais tradicional bloco da capital federal tratou os principais episódios que afetaram a vida dos brasileiros desde o início dos anos 2000
Amanda Maia

Em 2013, o Pacotão voltou a artilharia de críticas contra os equívocos cometidos pelos ex-governadores do DF e não poupou a administração atual de Agnelo Queiroz

Relembrar as marchinhas do tradicional bloco de carnaval Pacotão é como resgatar a história política do Brasil e de sua capital, Brasília. A cada ano, as rimas fáceis tratam os principais acontecimentos e escândalos do poder público com humor satírico. Ao ritmo de samba ou frevo e misturado às fantasias, aos confetes e às serpentinas, a crítica vira uma divertida brincadeira. As inscrições para o hino oficial do bloco deste ano terminam na próxima quarta-feira, e o vencedor será anunciado no sábado, na 408/409 Norte.

O Pacotão nasceu em um momento conturbado da ditadura militar. Era novembro de 1977, e o então presidente Ernesto Geisel havia anunciado o Pacote de Abril — conjunto de medidas para reformar o Poder Judiciário. O projeto previa mandato presidencial de seis anos, eleição indireta para um terço do Senado e bancada maior para os estados menos desenvolvidos. A maneira encontrada por jornalistas da época para promover uma manifestação política e bem-humorada foi criar um bloco carnavalesco.

O trajeto até hoje é feito pela contramão na Avenida W3, no sentido Norte/Sul, e as marchinhas obedecem a uma regra clara: “Ser uma expressão popular, não ter censura, não defender ninguém (candidatos, políticos ou partidos) e ter ironia. O objetivo era criticar o governo e nunca deixar de ser crítico”, defende o jornalista Luis Joca, 64 anos. Joca saiu no primeiro Pacotão e lembra que o dinheiro necessário para contratar a banda e comprar umas “cervejinhas” era levantado com a venda de camisetas. “Era um bloco anarquista. No sábado de carnaval, nos reuníamos no Clube da Imprensa e o pessoal vinha com as sugestões de frases para as faixas. Domingo de manhã, colocávamos o bloco na frente do Bar do Chorão e saíamos. Quem chegasse lá com uma letra, cantava a marchinha”, conta. Para entrar no clima da festa popular mais animada do ano, o Correio tirou da gaveta as pérolas que já embalaram a folia brasiliense.

» 2013
PACOTÃO E AS PIRIGUETES
» Cicinho Filisteu

Um Anjo Torto
Me disse assim:
Vai Cicim
Ver a merda
Que o Roriz fez!
Que o Cristovam fez!
Que o Arruda fez!
Que o Agnelo tá fazendo!
Mas, meu Anjo
Eu vou pro Pacotão
Ver as mulheres Linda
As virgens recatadas
E as piriguetes
As piriguetes as piriguetes

» A música satiriza o atual governador do DF, Agnelo Queiroz, e os ex-governadores Joaquim Roriz, Cristovam Buarque e José Arruda. Neste ano, foram escolhidas outras duas marchas, sobre o mensalão e o Produto Interno Bruto (PIB).


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